{"id":112384,"date":"2019-05-14T16:35:45","date_gmt":"2019-05-14T19:35:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/?p=112384"},"modified":"2019-05-14T16:51:42","modified_gmt":"2019-05-14T19:51:42","slug":"faccoes-usam-redes-sociais-para-divulgar-tortura-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/2019\/05\/14\/faccoes-usam-redes-sociais-para-divulgar-tortura-na-bahia\/","title":{"rendered":"FAC\u00c7\u00d5ES USAM REDES SOCIAIS PARA DIVULGAR TORTURA NA BAHIA"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"noticias-single__description visible-lg\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" class=\"  wp-image-112385 alignleft\" src=\"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/0955.jpg\" alt=\"09\" width=\"585\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/0955.jpg 940w, https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/0955-300x187.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 585px) 100vw, 585px\" \/>CORREIO teve acesso a v\u00eddeos gravados em Tancredo Neves, Sim\u00f5es Filho e Maragojipe<\/h3>\n<div class=\"noticias-single__content\">\n<div class=\"noticias-single__content__text js-mediator-article\">\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o basta amea\u00e7ar, humilhar, espancar, torturar e at\u00e9 matar. A barb\u00e1rie tem que ser filmada e lan\u00e7ada nas redes sociais por traficantes que atuam em todo o estado. Os v\u00eddeos s\u00e3o as armas do mundo virtual usadas para aumentar a reputa\u00e7\u00e3o da fac\u00e7\u00e3o sobre os rivais e promover o terror nas comunidades dominadas.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O CORREIO teve acesso a alguns v\u00eddeos mas decidiu n\u00e3o publicar por conta da viol\u00eancia registrada nas imagens. Dois deles tratam da mesma situa\u00e7\u00e3o, com alguns trechos distintos. S\u00e3o cenas fortes do chamado \u201ctribunal do tr\u00e1fico\u201d, onde a \u201csala de audi\u00eancia\u201d \u00e9 a via p\u00fablica e que acontece a qualquer momento, sem que ao menos os \u201cr\u00e9us\u201d sejam previamente avisados. Foi o que aconteceu com duas mulheres no bairro de Tancredo Neves, em Salvador, no \u00faltimo m\u00eas de abril.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">As mulheres apanham porque teriam levado ao local pessoas que n\u00e3o pertenciam \u00e0 comunidade do Burac\u00e3o, localizada atr\u00e1s do Conjunto Habitacional Arvoredo, regi\u00e3o onde as imagens foram gravadas.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Em um outro v\u00eddeo, um rapaz apanha de pelo menos quatro homens, que se revezam ou atacam ao mesmo tempo com pauladas, chutes e murros. A imagem come\u00e7ou a circular em janeiro deste ano, na cidade de Sim\u00f5es Filho, Regi\u00e3o Metropolitana de Salvador (RMS).<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Em um terceiro v\u00eddeo, duas mulheres s\u00e3o espancadas porque anteriormente brigavam entre si em dezembro do ano passado, na cidade de Maragojipe, no Rec\u00f4ncavo. Ao final, atordoadas, ensanguentadas e com os cabelos abruptamente cortados, elas sinalizam que aprenderam a lei do tr\u00e1fico local, que pune severamente a briga entre moradores.<\/h3>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Burac\u00e3o<\/strong><br \/>\nAs duas mulheres est\u00e3o encurraladas em uma das paredes da comunidade Burac\u00e3o. Nas imagens, as jovens s\u00e3o sentenciadas ali mesmo por \u201cju\u00edzes\u201d de igual idade ou inferior, que, no lugar do malhete \u2013 martelo de madeira usado pelo juiz \u2013 seguram t\u00e1buas. \u201cEu n\u00e3o trouxe o cara para boca, n\u00e3o, eu n\u00e3o trouxe, simplesmente eu falei&#8230;\u201d. Antes de terminar a frase, a mulher e a amiga come\u00e7am a ser surradas a pauladas e murros.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Nos v\u00eddeos, um de 42 segundos e outro de 50 segundos, elas tentam proteger as pernas, costas e rosto, mas em v\u00e3o. Pedem socorro. Uma voz ao fundo ordena para que elas abram as m\u00e3os. Elas voltam a levar pauladas nas pernas por n\u00e3o cumprirem a ordem. Ent\u00e3o, as jovens passam a levar pauladas nas m\u00e3os, os chamados bolos.<!--more--><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\u201cO cara te roubou? Trouxe o cara para a boca por qu\u00ea? Abra a m\u00e3o\u201d, diz um dos bandidos, antes de aplicar mais bolos. Ainda na imagem, no ch\u00e3o, uma das mulheres d\u00e1 a entender que n\u00e3o conhece os criminosos. Elas gritam.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A sess\u00e3o de espancamento n\u00e3o dura mais que um minuto e j\u00e1 quase no final, os criminosos intensificam as surras a ponto de uma das t\u00e1buas quebrar no corpo de uma das mulheres. As imagens terminam com as mulheres subindo \u00e0s pressas uma escadaria ainda sob pauladas.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O CORREIO conversou com agentes da 11\u00aa Delegacia (Tancredo Neves) que confirmaram que os v\u00eddeos foram gravados na comunidade de Burac\u00e3o. \u201cSim, recebemos as imagens, mas nenhuma das mulheres veio \u00e0 delegacia registrar a queixa\u201d, disse o policial.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Risos<\/strong><br \/>\nNum local fechado, um rapaz s\u00f3 aparece de p\u00e9 por fra\u00e7\u00f5es de segundos. Ele \u00e9 atacado simultaneamente a pauladas por pelo menos outros quatro rapazes, que o fazem cair num canto da parede. Em seguida, leva tantos socos que mal consegue respirar no v\u00eddeo de um minuto e seis segundos. Em alguns momentos, \u00e9 poss\u00edvel ver a imagem dos agressores rindo da situa\u00e7\u00e3o.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O v\u00eddeo foi gravado em um pr\u00e9dio vazio, de port\u00e3o verde, em Sim\u00f5es Filho. Em meio \u00e0 surra, aparece um rapaz segurando um celular e se junta aos demais agressores no ataque. Em seguida, a v\u00edtima \u00e9 cercada e apanha de todo o jeito: pauladas, murros, chutes. Ele tenta se proteger, agachando e leva as m\u00e3os \u00e0 cabe\u00e7a, mas sem sucesso. Ele ent\u00e3o suplica: \u201cMinha cara, n\u00e3o\u201d.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">No final do v\u00eddeo, um dos criminosos diz o que seria o motivo do espancamento: \u201cPra voc\u00ea ver o que \u00e9 respeitar a vida dos outros\u201d. A imagem termina com o rapaz deixado ao canto.<\/h3>\n<h3 id=\"minhabahia_300x250_01\" style=\"text-align: justify;\"><\/h3>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O CORREIO procurou o delegado Ciro Carvalho, titular da 22\u00aa Delegacia (Sim\u00f5es Filho), que disse que enviou o v\u00eddeo aos investigadores da unidade com a finalidade de identificar a localidade da grava\u00e7\u00e3o e autores.<\/h3>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8216;Zeca mandou&#8217;\u00a0<\/strong><br \/>\nEm um v\u00eddeo, duas mulheres aparecem se engalfinhando num cal\u00e7amento de paralelep\u00edpedo na cidade de Maragojipe. Uma delas \u00e9 arrastada pelo cabelo e chega a ficar com os seios \u00e0 mostra. J\u00e1 no segundo v\u00eddeo, as duas mulheres aparecem apanhando. A jovem em primeiro plano j\u00e1 est\u00e1 com o rosto ensanguentado quando leva socos na face de um rapaz. Ela tomba no ch\u00e3o, e o autor da grava\u00e7\u00e3o diz: \u201cZeca mandou, essa \u00e9 a ideia&#8230;\u201d<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Em seguida, o autor do v\u00eddeo se aproxima da segunda mulher que aparece sentada em um batente, apanhando de tr\u00eas homens que usam peda\u00e7os de madeira, vassoura e corrente de bicicleta, e torna a repetir: \u201cZeca mandou, abra\u00e7a a ideia\u201d. Zeca, l\u00edder do tr\u00e1fico local, n\u00e3o quer brigas entre moradores para n\u00e3o ter a presen\u00e7a da pol\u00edcia no local.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\u201cCorta o cabelo das duas\u201d, diz um dos agressores. E foi feito. Al\u00e9m do espancamento, as duas mulheres tiveram os cabelos cortados \u00e0 for\u00e7a e aparecem no terceiro v\u00eddeo ainda desnorteadas e dizendo ao mesmo tempo e acenando com a cabe\u00e7a um \u201csim\u201d: \u201cA gente abra\u00e7a a ideia\u201d. Em seguida, o autor do v\u00eddeo diz: \u201cA ideia \u00e9 do Pai.\u00a0\u00c9 para ficar de exemplo\u201d.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O CORREIO n\u00e3o conseguiu contato com a delegacia de Maragojipe nem com o coordenador da 4\u00aa Coordenadoria do Interior (Santo Ant\u00f4nio de Jesus), o delegado Ed\u00edlson Campos Magalh\u00e3es Alves.<\/h3>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Justi\u00e7a informal<\/strong><br \/>\nPara o professor titular de Sociologia e docente permanente do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Eduardo Paes Machado, os criminosos est\u00e3o preocupados com a reputa\u00e7\u00e3o moral.<\/h3>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cQuanto mais viol\u00eancia, maior \u00e9 a reputa\u00e7\u00e3o moral. Voc\u00ea acaba tendo um triunfo em rela\u00e7\u00e3o aos seus advers\u00e1rios [ao exibir as imagens]. Os grupos delituosos tamb\u00e9m utilizam os v\u00eddeos para dissuadir seus advers\u00e1rios, tipo \u2018n\u00e3o vamos mexer com eles\u2019, \u2018n\u00e3o vamos pegar no calo dele\u2019\u201d<\/strong>, explica Machado.<\/p>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Segundo ele, a viol\u00eancia entre esses grupos reflete a justi\u00e7a informal. \u201cUma s\u00e9rie de conflitos resolvidos atrav\u00e9s do uso da viol\u00eancia. Uma justi\u00e7a retaliadora e que retroalimenta a viol\u00eancia.\u201d<\/h3>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O coronel da reserva Ant\u00f4nio Jorge Ferreira Melo, coordenador do curso de Direito do Centro Universit\u00e1rio Est\u00e1cio da Bahia, disse que o crime usa as redes sociais como subterf\u00fagio para amea\u00e7ar as pessoas. \u201cAntigamente, a amea\u00e7a era por telefone. Uma amea\u00e7a velada. Hoje esse procedimento \u00e9 coisa do passado e se usa as redes sociais\u201d, diz.<\/h3>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cSe voc\u00ea \u00e9 um x-9 (informante da pol\u00edcia) ou se relaciona com outras organiza\u00e7\u00f5es criminosas, ser\u00e1 alvo das a\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o disseminadas nas redes como um aviso\u201d, complementa.<\/h3>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/strong><br \/>\nEm nota, a Pol\u00edcia Civil informou que as investiga\u00e7\u00f5es \u201cs\u00e3o cont\u00ednuas no sentido de identificar e prender integrantes de quadrilhas, al\u00e9m de desarticular o crime organizado. Qualquer imagem que cont\u00e9m a\u00e7\u00f5es delituosas e que cheguem ao conhecimento da pol\u00edcia judici\u00e1ria, tem sua veracidade apurada\u201d.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A nota diz ainda que o \u201ctrabalho investigativo \u00e9 realizado tanto por equipes de delegacias territoriais, quanto do Departamento de Combate e Repress\u00e3o ao Crime Organizado (Draco), e do Grupo Especializado de Repress\u00e3o ao Crime por Meios Eletr\u00f4nicos (GME)\u201d. O CORREIO pediu uma fonte do Draco e do GME, mas n\u00e3o foi disponibilizada pela Pol\u00edcia Civil.<\/h3>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O CORREIO tamb\u00e9m procurou a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica da Bahia (SSP-BA), que informou que a resposta \u00e9 a mesma da Pol\u00edcia Civil. Numa outra solicita\u00e7\u00e3o \u00e0 assessoria de comunica\u00e7\u00e3o da SSP, o CORREIO procurou o secret\u00e1rio da pasta, Maur\u00edcio Barbosa, que foi reeleito presidente do Conselho Nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica (Conesp).<\/h3>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Foi perguntado como o conselho v\u00ea essa conduta dos traficantes, como a entidade vem agindo no pa\u00eds para combater essa pr\u00e1tica, se Barbosa tem levado ao conselho esse tipo de den\u00fancia, qual tem sido a recomenda\u00e7\u00e3o do conselho, se na Bahia algu\u00e9m j\u00e1 foi identificado ou alguma den\u00fancia feita dessas agress\u00f5es filmadas e compartilhadas. Mas a assessoria respondeu que valeria a nota da PC.<\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CORREIO teve acesso a v\u00eddeos gravados em Tancredo Neves, Sim\u00f5es Filho e Maragojipe N\u00e3o basta amea\u00e7ar, humilhar, espancar, torturar e at\u00e9 matar. 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