{"id":146722,"date":"2022-04-02T12:59:44","date_gmt":"2022-04-02T15:59:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/?p=146722"},"modified":"2022-04-02T13:01:23","modified_gmt":"2022-04-02T16:01:23","slug":"no-dia-mundial-de-conscientizacao-do-autismo-entenda-os-principais-sintomas-do-transtorno-e-como-ele-e-identificado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/2022\/04\/02\/no-dia-mundial-de-conscientizacao-do-autismo-entenda-os-principais-sintomas-do-transtorno-e-como-ele-e-identificado\/","title":{"rendered":"NO DIA MUNDIAL DE CONSCIENTIZA\u00c7\u00c3O DO AUTISMO, ENTENDA OS PRINCIPAIS SINTOMAS DO TRANSTORNO E COMO ELE \u00c9 IDENTIFICADO"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"toolkit-title\"><span style=\"color: #0000ff;\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-146723 alignleft\" src=\"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/a-5.jpg\" alt=\"\" width=\"585\" height=\"319\" \/>Falar sobre autismo facilita busca por diagn\u00f3stico e melhora da qualidade de vida<\/span><\/h3>\n<h3>\u201cUma das coisas que me levou a procurar atendimento profissional foi o fato de chegar aos 18 anos de idade e n\u00e3o ter amigos\u201d. A fala de Tiago Abreu, de 26 anos, \u00e9 sintom\u00e1tica da realidade das pessoas que recebem o diagn\u00f3stico de\u00a0<a href=\"https:\/\/estudio.r7.com\/autismo-visibilidade-e-aceitacao-01102020#:~:text=O%20autismo%20%C3%A9%20um%20transtorno,de%20diagn%C3%B3stico%20entre%20os%20sexos\"><strong>autismo<\/strong><\/a>\u00a0apenas na idade adulta e, durante muitos anos, vivem sem entender porque se sentem socialmente desconexas.<\/h3>\n<h3>O TEA (Transtorno do Espectro Autista) pode se apresentar de diversas formas e intensidades, mas a dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o social \u00e9 geralmente uma caracter\u00edstica compartilhada por todos os autistas, conforme explica a neuropsic\u00f3loga Joana Portolese, coordenadora do Ambulat\u00f3rio de Autismo do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP (Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo).<\/h3>\n<h3>\u201cO autismo \u00e9 um transtorno relativamente comum, praticamente uma a cada 44 crian\u00e7as tem. O diagn\u00f3stico \u00e9 importante porque trabalha no sintoma que s\u00e3o as dificuldades de entender o que est\u00e1 se passando na cabe\u00e7a do outro, as sutilezas, as entrelinhas, entender as pessoas se olhando. Porque s\u00e3o processos que j\u00e1 s\u00e3o alterados desde a amamenta\u00e7\u00e3o do beb\u00ea com a m\u00e3e\u201d, ressalta a especialista.<\/h3>\n<h3>O autismo pode ser diagnosticado desde os 16 meses de idade da crian\u00e7a, segundo a neuropsic\u00f3loga, mas, no geral, as primeiras observa\u00e7\u00f5es por parte dos pais s\u00e3o relatadas a partir do segundo ano de vida, e o diagn\u00f3stico na inf\u00e2ncia ocorre por volta dos quatro anos.<\/h3>\n<h3>\u201cJ\u00e1 aos seis meses podemos observar algumas caracter\u00edsticas, como poucas express\u00f5es faciais, baixo contato ocular, aus\u00eancia de sorriso social e pouco engajamento sociocomunicativo. Geralmente as m\u00e3es falam que chamam, d\u00e3o risada, e a crian\u00e7a n\u00e3o responde, e isso acaba sendo um ciclo vicioso onde a m\u00e3e tamb\u00e9m deixa de estimular por pensar que \u00e9 o jeitinho do beb\u00ea\u201d, explica Joana.<\/h3>\n<h3>Al\u00e9m disso, a falta de gestos convencionais, como dar tchau, falar as primeiras palavras, ou mesmo movimentos motores repetitivos durante os primeiros anos de vida da crian\u00e7a tamb\u00e9m podem ser indicativos do transtorno.<\/h3>\n<h3>\u201cAt\u00e9 a percep\u00e7\u00e3o dos pais chegarem na efetividade de um diagn\u00f3stico, levamos de quatro a cinco anos, e isso significa que acabamos perdendo uma janela de desenvolvimento dessa crian\u00e7a, que \u00e9 um momento muito rico do desenvolvimento cerebral. Esses primeiros anos s\u00e3o muito importantes para estimular e para intervir, porque\u00a0<strong>o diagn\u00f3stico precoce vai possibilitar que os pais busquem informa\u00e7\u00f5es consistentes sobre autismo e tamb\u00e9m que se capacitem para essa estimula\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d, afirma a m\u00e9dica.<\/h3>\n<h3>No caso de Tiago, que comanda o primeiro podcast brasileiro produzido e apresentado por autistas \u2013 o\u00a0<em>Introvertendo<\/em>\u00a0\u2013 o diagn\u00f3stico aos 19 anos proporcionou n\u00e3o apenas a melhora da qualidade de vida, como um mergulho no autoconhecimento.<\/h3>\n<h3>\u201c<strong>O diagn\u00f3stico de autismo n\u00e3o foi um r\u00f3tulo, foi a constata\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias coisas na [minha] vida que j\u00e1 existiam e n\u00e3o tinham um nome.\u00a0<\/strong>De l\u00e1 pra c\u00e1, t\u00eam sido os melhores anos da minha vida, pude construir mais amizades, minha vida social mudou bastante e comecei a desenvolver mais habilidades\u201d, afirma.<\/h3>\n<h3>Al\u00e9m disso, ele tamb\u00e9m \u00e9 autor do livro \u201c<em>O que \u00e9 neurodiversidade?<\/em>\u201d, termo usado pela primeira vez em 1998 pela soci\u00f3loga australiana Judy Singer, que aborda o autismo e outros transtornos neurol\u00f3gicos como caracter\u00edsticas inerentes ao ser humano, e n\u00e3o como doen\u00e7as que precisam de cura.<\/h3>\n<h3>O termo tamb\u00e9m d\u00e1 nome ao movimento que atua pela busca de direitos e para desestigmatizar os transtornos do neurodesenvolvimento. Para Tiago,\u00a0<strong>abordar o tema em primeira pessoa \u00e9 importante para aproximar o autismo do cotidiano<\/strong>\u00a0e para fortalecer as pessoas que se identificam ou s\u00e3o identificadas com o diagn\u00f3stico.<\/h3>\n<h3>\u201cO autismo est\u00e1 no dia a dia das pessoas, s\u00f3 que muitas vezes elas n\u00e3o percebem, \u00e0s vezes \u00e9 um colega de trabalho ou um parente que \u00e9 meio esquisito, mas que se sabe muito pouco, porque s\u00e3o pessoas que tiveram ao longo da vida v\u00e1rios problemas de socializa\u00e7\u00e3o e de baixa autoestima muitas vezes por causa das dificuldades que teve. As experi\u00eancias de outros autistas ajudam essas pessoas a se conhecerem e a melhorarem a sua jornada\u201d, afirma.<\/h3>\n<h3 class=\"content\">Como \u00e9 feito o diagn\u00f3stico<\/h3>\n<h3>N\u00e3o existe um exame espec\u00edfico para diagnosticar o autismo e sim uma s\u00e9rie de avalia\u00e7\u00f5es que preenchem requisitos sintom\u00e1ticos do espectro. Essa avalia\u00e7\u00e3o pode ser, entre outras, a neuropsicol\u00f3gica, que considera o n\u00edvel cognitivo e a demanda da cogni\u00e7\u00e3o social da pessoa; ou mesmo uma avalia\u00e7\u00e3o fonoaudiol\u00f3gica, para observar a linguagem e o repert\u00f3rio para a comunica\u00e7\u00e3o.<\/h3>\n<h3>O diagn\u00f3stico \u00e9 feito por um psiquiatra da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, por um neuropediatra ou um neurologista.<\/h3>\n<h3>\u201cMuitas vezes o m\u00e9dico pode dizer que n\u00e3o vai fechar um diagn\u00f3stico, que o quadro n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o claro, mas essa interven\u00e7\u00e3o precoce que vai fazer a diferen\u00e7a. Hoje as interven\u00e7\u00f5es visam a abordar os preju\u00edzos centrais associados ao autismo\u201d, explica Joana.<\/h3>\n<h3>As interven\u00e7\u00f5es baseadas em evid\u00eancias podem ser a ABA (an\u00e1lise do comportamento aplicada, na tradu\u00e7\u00e3o do ingl\u00eas), a terapia cognitiva comportamental, exerc\u00edcios como musicoterapia e integra\u00e7\u00e3o sensorial, interven\u00e7\u00e3o fonoaudiol\u00f3gica e, em alguns casos, a crian\u00e7a pode pode precisar de um acompanhante terap\u00eautico na escola para um melhor aproveitamento no aprendizado.<\/h3>\n<h3>No caso das crian\u00e7as, a especialista ressalta que elas podem apresentar dificuldades na linguagem, no comportamento adaptativo e no desempenho acad\u00eamico, al\u00e9m de comportamentos disruptivos e epis\u00f3dios com rompantes de agressividade, o que influencia na aprendizagem e na qualidade de vida.<\/h3>\n<h3>\u201cEm crian\u00e7as diagnosticadas com autismo por volta dos seis anos, encontramos uma frequ\u00eancia alta de transtorno de ansiedade, de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade, fobias espec\u00edficas e tamb\u00e9m o transtorno opositor desafiador. J\u00e1 no adulto, geralmente tem ansiedade, fobia social, depress\u00e3o e o transtorno obsessivo compulsivo. No autismo, a comorbidade acaba sendo regra\u201d, afirma a especialista.<\/h3>\n<h3 class=\"content\"><span style=\"color: #0000ff;\">Os graus do autismo<\/span><\/h3>\n<p><!--more--><\/p>\n<h3>A neuropsic\u00f3loga Joana Portolese explica que a forma como o autismo se apresenta pode ser dividida em tr\u00eas graus: leve, moderado e severo. No geral, as pessoas que recebem o diagn\u00f3stico na idade adulta s\u00e3o aquelas inseridas no\u00a0<strong>grau leve<\/strong>\u00a0e n\u00e3o apresentam preju\u00edzo na fala.<\/h3>\n<h3>\u201cS\u00e3o aqueles casos em que os pais contam que a crian\u00e7a falou super cedo ou falava \u00e0s vezes de um jeito peculiar, como um professor, tamb\u00e9m s\u00e3o pessoas que falam sem pausas ou falam em um tom espec\u00edfico, n\u00e3o tem uma regra. Essas pessoas tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam defici\u00eancia intelectual\u201d, destaca a m\u00e9dica.<\/h3>\n<h3>Al\u00e9m disso, os autistas inseridos no grau leve tamb\u00e9m podem ter comorbidades psiqui\u00e1tricas, como d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade, transtorno de ansiedade e depress\u00e3o. Joana destaca que, nesses casos, \u00e9 comum que as pessoas dentro do espectro que n\u00e3o receberam o diagn\u00f3stico busquem tratamento para essas comorbidades, mas n\u00e3o obtenham uma melhora do quadro.<\/h3>\n<h3>\u201cN\u00e3o \u00e9 porque o diagn\u00f3stico veio na vida adulta que o caso dessa pessoa \u00e9 t\u00e3o leve assim, ela sempre se sentiu a diferente e preferiu ficar mais em casa, envolvida nas atividades de interesse. Essas pessoas v\u00e3o se adaptando \u00e0s situa\u00e7\u00f5es. \u00c9 muito comum o paciente falar que entende o que \u00e9 uma piada, n\u00e3o v\u00ea gra\u00e7a, mas quando entende que as pessoas v\u00e3o dar risada, ele se adapta a situa\u00e7\u00e3o. Isso tem um custo para a sa\u00fade mental, porque n\u00e3o \u00e9 natural, fica mais cansativo e mais estressante\u201d, explica.<\/h3>\n<h3>J\u00e1 no\u00a0<strong>grau moderado<\/strong>, geralmente os autistas falam poucas palavras ou s\u00e3o n\u00e3o verbais, tem a presen\u00e7a da defici\u00eancia intelectual ou de algum comprometimento cognitivo, e comorbidades neurol\u00f3gicas e com s\u00edndromes gen\u00e9ticas associadas.<\/h3>\n<h3>Em rela\u00e7\u00e3o ao\u00a0<strong>grau severo<\/strong>, a neuropsic\u00f3loga explica que, em regra, s\u00e3o pessoas com defici\u00eancia intelectual e n\u00e3o verbais. Elas tamb\u00e9m podem apresentar comportamentos disruptivos de autoles\u00e3o; de auto e heteroagressividade, como bater no outro e se bater justamente pela grande dificuldade na comunica\u00e7\u00e3o.<\/h3>\n<h3>\u201cEm alguns casos, isso tamb\u00e9m est\u00e1 presente no grau moderado, mas vemos essa regra no severo e tamb\u00e9m manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas importantes, como quadros neurol\u00f3gicos e s\u00edndromes gen\u00e9ticas. Nesses diferentes graus, o que vemos \u00e9 o impacto na funcionalidade e o custo disso para a fam\u00edlia. Por isso \u00e9 importante delinear isso, para pensarmos na inclus\u00e3o, na escola, no apoio, nas orienta\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es\u201d, ressalta Joana.<\/h3>\n<h3 class=\"media_box embed video_box full-dimensionsundefined\" data-name=\"r7\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/player.r7.com\/video\/i\/60e4f070ca90844200001a03\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falar sobre autismo facilita busca por diagn\u00f3stico e melhora da qualidade de vida \u201cUma das coisas que me levou a procurar atendimento profissional foi o fato de chegar aos 18 anos de idade e n\u00e3o ter amigos\u201d. A fala de Tiago Abreu, de 26 anos, \u00e9 sintom\u00e1tica da realidade das pessoas que recebem o diagn\u00f3stico [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146722"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146722"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146722\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":146725,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146722\/revisions\/146725"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146722"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146722"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146722"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}