{"id":148377,"date":"2022-05-24T06:25:57","date_gmt":"2022-05-24T09:25:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/?p=148377"},"modified":"2022-05-24T06:25:57","modified_gmt":"2022-05-24T09:25:57","slug":"alzheimer-diabetes-e-infertilidade-como-dormir-pouco-pode-afetar-a-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/2022\/05\/24\/alzheimer-diabetes-e-infertilidade-como-dormir-pouco-pode-afetar-a-saude\/","title":{"rendered":"ALZHEIMER, DIABETES E INFERTILIDADE: COMO DORMIR POUCO PODE AFETAR A SA\u00daDE"},"content":{"rendered":"<h3><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-148378 alignleft\" src=\"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/a-11-600x332.webp\" alt=\"\" width=\"586\" height=\"324\" srcset=\"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/a-11-600x332.webp 600w, https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/a-11-768x424.webp 768w, https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/a-11.webp 876w\" sizes=\"(max-width: 586px) 100vw, 586px\" \/>Nos \u00faltimos anos, t\u00eam surgido v\u00e1rios estudos que apontam liga\u00e7\u00f5es entre poucas horas de sono (menos de sete horas por noite) e v\u00e1rias doen\u00e7as, principalmente mentais, cardiovasculares e degenerativas.<\/h3>\n<h3>Ainda assim, os especialistas dizem que as perturba\u00e7\u00f5es do sono \u201cs\u00e3o sempre deixadas de lado\u201d, uma vez que as pessoas n\u00e3o associam a ins\u00f3nia a doen\u00e7as a longo prazo e acabam por desvalorizar as consequ\u00eancias de dormir pouco.<\/h3>\n<h3>A ins\u00f3nia (associada a \u201cmais de tr\u00eas noites por semana sem dormir\u201d) \u201c\u00e9 muito frequente\u201d entre a popula\u00e7\u00e3o, de acordo com a psiquiatra Maria Moreno, que indica que \u201ccerca de 30% da popula\u00e7\u00e3o mundial j\u00e1 sofreu com o dist\u00farbio pelo menos uma vez na vida e 15% vai sofrer uma ins\u00f3nia grave\u201d.<\/h3>\n<h3>Al\u00e9m do cansa\u00e7o, sonol\u00eancia e todas as outras consequ\u00eancias sentidas no imediato, as perturba\u00e7\u00f5es do sono podem significar uma doen\u00e7a mais grave a longo prazo.<\/h3>\n<h3>A\u00a0<strong>CNN Portugal<\/strong>\u00a0conversou com tr\u00eas especialistas em medicina do sono, que explicam as doen\u00e7as que podem resultar de poucas horas de sono.<\/h3>\n<h3>Apneia do sono e a liga\u00e7\u00e3o a problemas card\u00edacos<\/h3>\n<h3>A apneia do sono est\u00e1 entre as perturba\u00e7\u00f5es do sono mais frequentes, de acordo com a pneumologista Mafalda VanZeller, que indica que entre 9 a 24% da popula\u00e7\u00e3o adulta mundial sofre desta doen\u00e7a, que se manifesta tamb\u00e9m em crian\u00e7as (cerca de 2% da popula\u00e7\u00e3o mundial).<\/h3>\n<h3>A apneia do sono consiste, na pr\u00e1tica, em \u201cepis\u00f3dios repetidos de interrup\u00e7\u00e3o total ou parcial da passagem do ar na via a\u00e9rea superior\u201d, provocando uma \u201cfragmenta\u00e7\u00e3o do sono e um compromisso da oxigena\u00e7\u00e3o durante a noite\u201d, explica a especialista do Centro Hospitalar Universit\u00e1rio do S\u00e3o Jo\u00e3o.<\/h3>\n<h3>\u201cEsta interrup\u00e7\u00e3o da passagem do ar e a inadequada oxigena\u00e7\u00e3o do sangue vai levar ao aumento do trabalho card\u00edaco, aumenta o risco de arritmias card\u00edacas, de hipertens\u00e3o arterial e ataques agudos do mioc\u00e1rdio. Sabemos hoje que, em cada 10 acidentes vasculares cerebrais (AVC), tr\u00eas a quatro ocorrem em indiv\u00edduos com apneia do sono\u201d, salienta.<\/h3>\n<h3>Geralmente, os indiv\u00edduos que t\u00eam apneia do sono \u201cacordam muitas vezes durante a noite, sem perceberem que \u00e9 por estas interrup\u00e7\u00f5es da passagem do ar\u201d, explica a especialista.<\/h3>\n<h3>Muitas vezes, acordam com a sensa\u00e7\u00e3o de sufocamento ou com necessidade de ir ao banheiro v\u00e1rias vezes durante a noite. J\u00e1 durante o dia, \u201cnotam dificuldades na capacidade de mem\u00f3ria e concentra\u00e7\u00e3o, cansa\u00e7o e sonol\u00eancia diurna\u201d, acrescenta.<\/h3>\n<h3>Diabetes<\/h3>\n<h3>V\u00e1rios estudos recentes sugerem que a ins\u00f3nia pode aumentar o risco de diabetes tipo 2. Uma investiga\u00e7\u00e3o da Universidade de Bristol concluiu que os indiv\u00edduos que sofrem de ins\u00f3nias apresentam n\u00edveis de a\u00e7\u00facar no sangue mais elevados do que outros indiv\u00edduos que n\u00e3o manifestam problemas relacionados com o sono.<\/h3>\n<h3>\u00c0\u00a0<strong>CNN Portugal<\/strong>, Joaquim Moita, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa do Sono, explica a liga\u00e7\u00e3o entre as noites mal dormidas e a diabetes, utilizando como exemplo a apneia do sono (salientando, contudo, que esta rela\u00e7\u00e3o de causa-efeito \u00e9 alargada a outras perturba\u00e7\u00f5es do sono).<\/h3>\n<h3>O especialista explica que, nas apneias do sono, as vias \u00e1reas v\u00e3o fechando pela posi\u00e7\u00e3o horizontal do corpo e, \u00e0 medida que aumenta a resist\u00eancia \u00e0 passagem do ar, ocorre uma vibra\u00e7\u00e3o nas paredes da faringe. Essa vibra\u00e7\u00e3o tem dura\u00e7\u00f5es vari\u00e1veis: \u201cPode durar 10, 20 segundos ou at\u00e9 dois minutos\u201d.<\/h3>\n<h3>Portanto, a apneia s\u00f3 termina com um micro-despertar, isto \u00e9, quando \u201co c\u00e9rebro est\u00e1 a dormir e tem de despertar para dar uma instru\u00e7\u00e3o aos m\u00fasculos da via a\u00e9rea superior para abrirem a faringe\u201d.<\/h3>\n<h3>Apesar de \u201cmicro\u201d, este despertar \u201cinterrompe a continuidade do sono\u201d, prejudicando assim a qualidade, at\u00e9 porque \u201ccada vez que h\u00e1 uma apneia, h\u00e1 uma quebra de oxig\u00e9nio\u201d. E cada micro-despertar provoca uma atua\u00e7\u00e3o do sistema nervoso simp\u00e1tico, que adequa o funcionamento de diversos sistemas internos para um estado de prontid\u00e3o, libertando, assim, adrenalina.<\/h3>\n<h3>\u201cIsto vai fazer com que ocorra uma desregula\u00e7\u00e3o entre a glicose e a insulina. Em situa\u00e7\u00f5es est\u00e1veis, n\u00f3s libertamos a insulina necess\u00e1ria para controlar os n\u00edveis de glicose, mas, na apneia do sono e em todas as situa\u00e7\u00f5es em que h\u00e1 insufici\u00eancia do sono, este equil\u00edbrio se perde. Pode surgir a insulinorresist\u00eancia, e, mais tarde, diabetes\u201d, explica.<\/h3>\n<h3>Alzheimer<\/h3>\n<h3>Partindo do princ\u00edpio de que \u201co sono \u00e9 muito importante para a consolida\u00e7\u00e3o das mem\u00f3rias\u201d, com o c\u00e9rebro a trabalhar para selecionar e guardar as mem\u00f3rias do dia a dia, Joaquim Moita indica que dormir pouco leva a \u201cperturba\u00e7\u00f5es de mem\u00f3ria\u201d que podem mesmo assumir formas \u201cmuito graves\u201d com o avan\u00e7ar da idade<\/h3>\n<h3>\u201cA partir dos 70 anos, esta situa\u00e7\u00e3o pode ser muito grave, de tal forma que esta falta de mem\u00f3ria se associa a quadros demenciais, como o Alzheimer, por exemplo\u201d, uma situa\u00e7\u00e3o que se agrava com medicamentos \u201cque muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o os mais corretos\u201d, diz.<\/h3>\n<h3>Nestes casos, prossegue, os estudos sugerem que uma boa qualidade do sono acaba por \u201ccombater\u201d os quadros de dem\u00eancia ou de Alzheimer.<\/h3>\n<h3>Doen\u00e7as mentais<\/h3>\n<h3><!--more--><\/h3>\n<h3>Dormir poucas horas durante a noite tamb\u00e9m est\u00e1 associado a problemas relacionados com a sa\u00fade mental, que, segundo a psiquiatra Maria Moreno, t\u00eam uma particularidade \u2013 s\u00e3o bidimensionais. Quer dizer que \u201ca ins\u00f3nia aumenta o risco de doen\u00e7a mental, ao passo que a doen\u00e7a mental aumenta tamb\u00e9m o risco de ins\u00f3nia\u201d.<\/h3>\n<h3>\u201cA maioria das doen\u00e7as mentais est\u00e3o relacionadas com altera\u00e7\u00f5es do sono\u201d. Esses dist\u00farbios traduzem-se, na pr\u00e1tica, numa \u201caltera\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel da estrutura cerebral e dos neurotransmissores\u201d, e, quando isso acontece, surgem \u201cnaturalmente altera\u00e7\u00f5es dos padr\u00f5es de sono\u201d.<\/h3>\n<h3>Estes problemas tendem a agravar-se quando as pessoas procuram \u201csolu\u00e7\u00f5es informais\u201d, nomeadamente medicamentos que s\u00e3o vendidos como milagrosos, mas que acabam por prolongar um problema que poderia ser de f\u00e1cil resolu\u00e7\u00e3o em consulta m\u00e9dica.<\/h3>\n<h3>\u201cInfelizmente, existe uma tend\u00eancia enorme de pedir ajuda aos amigos, perguntar o que tomam para o sono e tomar tamb\u00e9m, e, quando chegam \u00e0 consulta, a maioria das pessoas j\u00e1 est\u00e1 a tomar algum medicamento, que normalmente tornam o problema permanente. Assim, uma coisa que inicialmente at\u00e9 era f\u00e1cil de resolver, transforma-se numa ins\u00f3nia grave, maltratada e naturalmente mais dif\u00edcil de solucionar\u201d, explica a especialista.<\/h3>\n<h3>Infertilidade<\/h3>\n<h3>A priva\u00e7\u00e3o de sono tamb\u00e9m pode estar associada a problemas de infertilidade, de acordo com Joaquim Moita, que cita um estudo norte-americano realizado em jovens universit\u00e1rios do sexo masculino que tiveram de dormir quatro horas por noite todos os dias durante uma semana.<\/h3>\n<h3>No final dessa semana, os investigadores verificaram uma \u201cdiminui\u00e7\u00e3o significativa da dimens\u00e3o dos test\u00edculos\u201d desses jovens, bem como uma \u201credu\u00e7\u00e3o significativa da testosterona\u201d.<\/h3>\n<h3>Segundo o especialista, estas altera\u00e7\u00f5es devem-se ao facto de a testosterona tratar-se de \u201cuma hormona que \u00e9 produzida praticamente apenas durante o sono\u201d. Logo, \u201cse o indiv\u00edduo n\u00e3o dorme, h\u00e1 um d\u00e9fice de testosterona e esse d\u00e9fice tamb\u00e9m estar\u00e1 ligado \u00e0 dimens\u00e3o testicular\u201d, aponta.<\/h3>\n<h3>Mas este n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno exclusivo dos homens. De acordo com o respons\u00e1vel da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa do Sono, as mulheres tamb\u00e9m sofrem altera\u00e7\u00f5es hormonais, com a diminui\u00e7\u00e3o do estrog\u00e9nio e, por consequ\u00eancia, altera\u00e7\u00f5es no ciclo menstrual.<\/h3>\n<h3>A t\u00edtulo de exemplo, o m\u00e9dico cita estudos que sugerem que as mulheres que trabalham por turnos, como as enfermeiras, t\u00eam maior tend\u00eancia a sofrer \u201caltera\u00e7\u00f5es menstruais muito significativas\u201d, como amenorreias e ciclos menstruais irregulares.<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos anos, t\u00eam surgido v\u00e1rios estudos que apontam liga\u00e7\u00f5es entre poucas horas de sono (menos de sete horas por noite) e v\u00e1rias doen\u00e7as, principalmente mentais, cardiovasculares e degenerativas. 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