{"id":153622,"date":"2022-12-14T08:51:48","date_gmt":"2022-12-14T11:51:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/?p=153622"},"modified":"2022-12-14T08:51:48","modified_gmt":"2022-12-14T11:51:48","slug":"teremos-mais-arco-iris-no-futuro-por-que-isso-e-um-bom-sinal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/2022\/12\/14\/teremos-mais-arco-iris-no-futuro-por-que-isso-e-um-bom-sinal\/","title":{"rendered":"TEREMOS MAIS ARCO-\u00cdRIS NO FUTURO. POR QUE ISSO \u00c9 UM BOM SINAL?"},"content":{"rendered":"<h3><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-153624 alignleft\" src=\"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/a-7-600x338.webp\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"329\" srcset=\"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/a-7-600x338.webp 600w, https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/a-7.webp 710w\" sizes=\"(max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/>Certa manh\u00e3, alguns anos atr\u00e1s, em casa no Vale M\u0101noa, em Oahu (Hava\u00ed, EUA), a cientista Kimberly Carlson olhou pela janela e viu um arco-\u00edris t\u00e3o n\u00edtido e vibrante que ficou sem palavras. Mas tal cena n\u00e3o \u00e9 uma surpresa, pois o Hava\u00ed \u00e9, provavelmente, o melhor lugar do mundo para ver arco-\u00edris. M\u0101noa possui as condi\u00e7\u00f5es ideais para arco-\u00edris magn\u00edficos: pancadas de chuva frequentes e sol.<\/h3>\n<h3>Mas Carlson, agora professora de ci\u00eancias ambientais na Universidade de Nova York, percebeu que n\u00e3o tinha a resposta a uma pergunta simples: as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas afetariam os lindos arco-\u00edris do Hava\u00ed \u2013 e do resto do mundo? Ela fez a pergunta a outros cientistas clim\u00e1ticos e os intrigou de tal forma que convocaram uma turma de alunos para investigar. As descobertas foram publicadas em novembro.<img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-153623 alignleft\" src=\"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/a1-2-600x401.webp\" alt=\"\" width=\"585\" height=\"391\" srcset=\"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/a1-2-600x401.webp 600w, https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/a1-2.webp 710w\" sizes=\"(max-width: 585px) 100vw, 585px\" \/><\/h3>\n<h3>\u201cAs mudan\u00e7as clim\u00e1ticas afetam os arco-\u00edris \u2013 agora sabemos que isso \u00e9 fato\u201d, diz Carlson, principal autora do artigo. O estudo utilizou modelos de computador para simular condi\u00e7\u00f5es futuras prop\u00edcias \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de arco-\u00edris. \u00c0 medida que os principais padr\u00f5es clim\u00e1ticos se transformam devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, diversas partes do mundo, especialmente lugares mais pr\u00f3ximos dos polos, como o Alasca ou a Sib\u00e9ria, ter\u00e3o mais chuvas. Isso possivelmente acrescentar\u00e1, at\u00e9 o fim do s\u00e9culo, mais dias repletos de arco-\u00edris.<\/h3>\n<h3>\u201cMas tamb\u00e9m h\u00e1 um outro lado\u201d, ela adverte. Prev\u00ea-se que o Mediterr\u00e2neo, o sul da \u00c1frica e at\u00e9 mesmo partes da Am\u00e9rica do Sul tropical fiquem mais secos no futuro e possam perder, at\u00e9 2100, boa parte dos dias nos quais ocorrem arco-\u00edris.<\/h3>\n<h3>E embora avistar arco-\u00edris possa criar momentos de alegria como o vivenciado por Carlson, em M\u0101noa, c\u00e9us mais coloridos s\u00e3o, na verdade, um sinal de grandes problemas em todo o mundo.<\/h3>\n<h3>Condi\u00e7\u00f5es para o surgimento de arco-\u00edris<br \/>\n\u201cOs arco-\u00edris s\u00e3o como ervas daninhas. Eles aparecem onde podem, pequenos ou grandes, brilhantes ou bem fraquinhos\u201d, diz Raymond Lee Jr., especialista em \u00f3ptica e meteorologia da Academia Naval dos Estados Unidos, em Annapolis, estado de Maryland. Isso ocorre porque as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas necess\u00e1rias para sua forma\u00e7\u00e3o s\u00e3o comuns e regidas por uma f\u00edsica relativamente direta.<\/h3>\n<h3>Lee comenta que \u201co principal fator para avistar qualquer segmento do arco-\u00edris natural \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o de sol e chuva\u201d.<\/h3>\n<h3>Primeiro, \u00e9 preciso ter gotas de chuva \u2014 quanto maiores, melhor, de acordo com Lee. As gotas menores refletem e refratam a luz solar de forma que as ondas de luz resultantes interferem umas nas outras, diminuindo o brilho dos arcos.<\/h3>\n<h3>Depois, \u00e9 necess\u00e1rio haver luz solar direta atravessando a atmosfera a um \u00e2ngulo inferior a 42 graus a partir do olho do observador, o que ocorre pela manh\u00e3 ou \u00e0 tarde, na maior parte do mundo. Por fim, deve haver uma chuva fraca e o c\u00e9u n\u00e3o pode estar carregado de nuvens.<\/h3>\n<h3>Carlson e seus colegas descobriram que era poss\u00edvel procurar essas condi\u00e7\u00f5es exatas em modelos clim\u00e1ticos, por mais ef\u00eameros que fossem, e compar\u00e1-los com observa\u00e7\u00f5es reais de arco-\u00edris para confirmar se os modelos estavam prevendo o surgimento de arco-\u00edris com precis\u00e3o.<\/h3>\n<h3>Eles vasculharam o Flickr, um site de compartilhamento de fotos, em busca de imagens marcadas como \u201carco-\u00edris\u201d, em qualquer lugar do mundo, durante um per\u00edodo de 10 anos. Em seguida, compararam as fotos com os lugares que, de acordo com os modelos clim\u00e1ticos, teriam as condi\u00e7\u00f5es certas para a forma\u00e7\u00e3o de arco-\u00edris: a quantidade ideal de chuva, sem a presen\u00e7a de nuvens suspensas, nas horas certas do dia e na \u00e9poca certa do ano. Os modelos, em sua maioria, corresponderam \u00e0s observa\u00e7\u00f5es, o que significa que poderiam ser utilizados para prever a ocorr\u00eancia de arco-\u00edris no futuro.<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h3>No entanto, Lee, que n\u00e3o participou do estudo, disse que os modelos n\u00e3o previram arco-\u00edris durante fortes pancadas de chuva, exatamente quando a f\u00edsica seria capaz de criar os arco-\u00edris mais espetaculares devido ao maior tamanho das gotas.<\/h3>\n<h3>Os arco-\u00edris s\u00e3o formados por uma simples combina\u00e7\u00e3o de fatores: o \u00e2ngulo certo do sol e &#8230;<br \/>\nOs arco-\u00edris s\u00e3o formados por uma simples combina\u00e7\u00e3o de fatores: o \u00e2ngulo certo do sol e um c\u00e9u carregado de gotas de chuva, al\u00e9m da posi\u00e7\u00e3o do observador, que olha com o sol \u00e0s suas costas. A combina\u00e7\u00e3o pode ser impressionante, mas em muitas culturas, o arco-\u00edris representa um sinal de perigo ou risco, e n\u00e3o de alegria.<\/h3>\n<h3>FOTO DE DELVIN GANDY NATIONAL GEOGRAPHIC IMAGE COLLECTION<br \/>\nMais arco-\u00edris a caminho<br \/>\nUm padr\u00e3o evidente surgiu quando a equipe avan\u00e7ou os modelos clim\u00e1ticos para 2100 e procurou as mesmas condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias a um arco-\u00edris: no geral, uma Terra mais quente significa maior propens\u00e3o a arco-\u00edris.<\/h3>\n<h3>O planeta ter\u00e1 apenas um discreto aumento m\u00e9dio \u2013 cerca de quatro a cinco dias extras de arco-\u00edris por ano, somados \u00e0 m\u00e9dia atual de 108 a 117, dependendo dos modelos observados. Mas os aumentos mais significativos est\u00e3o concentrados em poucos lugares.<\/h3>\n<h3>\u201cOs modelos preveem grandes aumentos no n\u00famero de dias com arco-\u00edris na R\u00fassia, Canad\u00e1, Alasca e em locais extremamente elevados, como o planalto do Himalaia\u201d, detalha Carlson \u2013 adicionando 30, 40 ou at\u00e9 50 dias com possibilidade de arco-\u00edris por ano.<\/h3>\n<h3>Mas se um arco-\u00edris aparecer no c\u00e9u e ningu\u00e9m estiver l\u00e1 para ver, ele realmente existiu? Prev\u00ea-se que a regi\u00e3o mais populosa e rica em arco-\u00edris do mundo hoje, como o Mediterr\u00e2neo e muitas ilhas, tenha menos arcos. Os locais que mais ter\u00e3o esse fen\u00f4meno no futuro \u201cn\u00e3o s\u00e3o locais que atualmente possuem grandes popula\u00e7\u00f5es e provavelmente n\u00e3o possuir\u00e3o\u201d, explica Carlson.<\/h3>\n<h3>As altera\u00e7\u00f5es acompanham os padr\u00f5es mais amplos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas; na verdade, as altera\u00e7\u00f5es destacam alguns dos maiores riscos e perigos. Os aumentos no \u00c1rtico, por exemplo, provavelmente continuar\u00e3o porque, em um futuro mais quente, a \u00e1gua que costumava cair do c\u00e9u na forma de neve passar\u00e1 a escorrer com mais frequ\u00eancia na forma de chuva.<\/h3>\n<h3>E prev\u00ea-se que a atual Amaz\u00f4nia, rica em arco-\u00edris, seja atingida com mais frequ\u00eancia pela seca. Isso porque a floresta, que atualmente gera sua pr\u00f3pria chuva, perder\u00e1 esse superpoder \u00e0 medida que encolhe e porque as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em todo o planeta est\u00e3o afetando e transformando os principais padr\u00f5es clim\u00e1ticos que geram as chuvas tropicais.<\/h3>\n<h3>Uma ferramenta secreta<br \/>\nQuando Andrew Gettelman, cientista clim\u00e1tico do Laborat\u00f3rio Nacional do Noroeste do Pac\u00edfico, ouviu falar do artigo de Carlson, ele enviou um e-mail para ela imediatamente. Ele estava trabalhando em um projeto semelhante, mas com um prop\u00f3sito diferente: verificar se o funcionamento dos modelos clim\u00e1ticos era satisfat\u00f3rio.<\/h3>\n<h3>Os modelos clim\u00e1ticos s\u00e3o \u00f3timos em muitas coisas, mas ainda n\u00e3o conseguem reproduzir com precis\u00e3o certas condi\u00e7\u00f5es para a forma\u00e7\u00e3o do arco-\u00edris: pancadas de chuva e cobertura de nuvens (que determina se o sol consegue aparecer e gerar um arco-\u00edris). Portanto, \u201cobservar se os modelos reproduzem bem os arco-\u00edris \u00e9 uma boa maneira de ver se o sistema est\u00e1 totalmente perdido\u201d, diz Gettelman. At\u00e9 o momento, os modelos que ele examinou previram com precis\u00e3o as ocorr\u00eancias de arco-\u00edris \u2013 e correspondem aos resultados de Carlson.<\/h3>\n<h3>\u201cNo futuro, provavelmente haver\u00e1 menos nuvens e um pouco mais de chuva. Isso significa que haver\u00e1 mais chance de ver um arco-\u00edris porque as nuvens se deslocam para baixo\u201d, explica ele. O que os modelos e esta pesquisa sugerem \u00e9 que, \u201cno futuro, as nuvens ser\u00e3o um pouco menos comuns e um pouco mais rarefeitas\u201d.<\/h3>\n<h3>Um futuro com muitos arco-\u00edris e menos nuvens pode, portanto, ser um sinal de grandes problemas para o planeta, enfatiza ele, pois as nuvens, principalmente as de baixa eleva\u00e7\u00e3o, ajudam a resfriar o planeta refletindo a luz solar que chega.<\/h3>\n<h3>Significado do arco-\u00edris: esperan\u00e7a, repulsa e outras coisas<br \/>\nNesse sentido, um futuro com mais arco-\u00edris pode ter rela\u00e7\u00e3o com a maneira como os arco-\u00edris s\u00e3o vistos em muitas culturas ao redor do mundo. Nessas culturas, eles s\u00e3o tradicionalmente um sinal de perigo ou risco, e n\u00e3o algo positivo.<\/h3>\n<h3>\u201cPense nisso: eles s\u00e3o frequentemente associados a condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremas\u201d, diz Lee. Uma chuva intensa, movendo-se rapidamente pela paisagem e intercalada com a luz do sol, costuma ser um sinal de condi\u00e7\u00f5es perigosamente vol\u00e1teis.<\/h3>\n<h3>Em algumas comunidades abor\u00edgines da Austr\u00e1lia, o arco-\u00edris representa a Serpente Arco-\u00cdris, uma for\u00e7a que cria, mas que tamb\u00e9m destr\u00f3i. Seu surgimento, em forma de arco-\u00edris, est\u00e1 ligado aos ciclos sazonais das mon\u00e7\u00f5es, recuando durante a esta\u00e7\u00e3o seca e ressurgindo, muitas vezes com for\u00e7a, durante a esta\u00e7\u00e3o chuvosa.<\/h3>\n<h3>Grand Canyon National Park, Arizona<br \/>\nVER GALERIA<br \/>\nNa Gr\u00e9cia, a deusa menor Iris representa o arco-\u00edris. Ela frequentemente atuava como mensageira entre deuses e mortais, geralmente levando mensagens de guerra ou conflito \u2013 ou como uma ponte entre a Terra e a vida ap\u00f3s a morte.<\/h3>\n<h3>E na antiga Babil\u00f4nia, muitas calamidades, como a derrota de um famoso l\u00edder em 651 a.C., foram precedidas por arco-\u00edris dram\u00e1ticos, consolidando sua rela\u00e7\u00e3o com o mau press\u00e1gio.<\/h3>\n<h3>Em outros lugares, como o Hava\u00ed, os arco-\u00edris praticamente fazem parte da paisagem. Os havaianos nativos possuem diversas palavras para descrever os arcos: pu\u0304lo\u02bbu descreve um arco-\u00edris que n\u00e3o toca o solo; kahili \u00e9 um fragmento vertical, que sobe para o c\u00e9u; e punakea \u00e9 um arco que mal aparece, feito de pequenas gotas que criam apenas uma leve mancha de cor.<\/h3>\n<h3>Os modelos ainda n\u00e3o demonstram grandes mudan\u00e7as na paisagem de arco-\u00edris do Hava\u00ed. Mas \u201ca tend\u00eancia geral \u00e9 de seca aqui nas ilhas\u201d, diz Steven Businger, coautor do artigo, da Universidade do Hava\u00ed, em M\u0101noa.<\/h3>\n<h3>At\u00e9 que isso aconte\u00e7a, Businger ficar\u00e1 com a seguinte premissa. \u201cAs mudan\u00e7as clim\u00e1ticas geralmente envolvem secas, desastres e destrui\u00e7\u00e3o\u201d, diz ele. \u201cMas aqui est\u00e1 uma maneira de olhar para a situa\u00e7\u00e3o que \u00e9 mais et\u00e9rea.\u201d<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certa manh\u00e3, alguns anos atr\u00e1s, em casa no Vale M\u0101noa, em Oahu (Hava\u00ed, EUA), a cientista Kimberly Carlson olhou pela janela e viu um arco-\u00edris t\u00e3o n\u00edtido e vibrante que ficou sem palavras. Mas tal cena n\u00e3o \u00e9 uma surpresa, pois o Hava\u00ed \u00e9, provavelmente, o melhor lugar do mundo para ver arco-\u00edris. 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