{"id":15618,"date":"2014-08-31T09:46:57","date_gmt":"2014-08-31T12:46:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/?p=15618"},"modified":"2014-08-31T09:46:57","modified_gmt":"2014-08-31T12:46:57","slug":"principal-cabo-eleitoral-de-marina-e-o-saco-cheio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/2014\/08\/31\/principal-cabo-eleitoral-de-marina-e-o-saco-cheio\/","title":{"rendered":"Principal cabo eleitoral de Marina \u00e9 o saco cheio"},"content":{"rendered":"<p>O \u2018Plano A\u2019 era declarar guerra \u00e0 elite branca do PSDB, fingir que a ru\u00edna econ\u00f4mica tem causas externas, pintar o pa\u00eds de rosa na propaganda eleitoral e conquistar mais quatro anos de Poder. O \u2018Plano B\u2019 era, era, era\u2026 N\u00e3o havia um \u2018Plano B\u2019. O generalato do PT n\u00e3o tinha considerado a hip\u00f3tese de o \u2018Plano A\u2019 dar errado. Ningu\u00e9m podia imaginar que a morte de Eduardo Campos ressuscitaria a cafuza Marina Silva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"modalbumfotos modulos carregado\">\n<div class=\"conteudo\" style=\"font-weight: inherit; font-style: inherit;\">\n<div id=\"albumHTML1\" style=\"font-weight: inherit; font-style: inherit;\">\n<div id=\"boxFullImage1\" class=\"boxFullImage \" style=\"font-weight: inherit; font-style: inherit;\">\n<div id=\"fullImage1\" class=\"carregado fullImage\" style=\"font-weight: inherit; font-style: inherit;\">\n<div id=\"fullImageCenter1\" class=\"img-box\" style=\"font-weight: inherit; font-style: inherit;\" align=\"center\">\n<p><img loading=\"lazy\" id=\"fullImageSrc1\" class=\"fullImageSrc\" style=\"font-weight: inherit; font-style: inherit;\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/2014\/08\/30\/30ago2014---candidata-a-presidencia-da-republica-marina-silva-faz-passeata-na-comunidade-da-rocinha-zona-sul-do-rio-de-janeiro-junto-com-o-candidato-a-vice-presidente-beto-albuquerque-e-1409424066744_956x500.jpg\" alt=\"\" width=\"660\" height=\"345\" border=\"0\" \/><\/p>\n<h3 class=\"tituloAlbum\" style=\"font-weight: bold; color: #ffffff !important;\">Campanha presidencial 2014<\/h3>\n<p><span class=\"contador\" style=\"font-weight: inherit; font-style: inherit; color: #ffffff;\">148 \/\u00a0<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A candidata \u00e0 Presid\u00eancia pelo PSB, Marina Silva, faz caminhada na comunidade da Rocinha, zona sul do Rio de Janeiro, junto com os colegas de partido Beto Albuquerque, candidato a vice-presidente, e Rom\u00e1rio, que \u00e9 candidato ao Senado. Marina justificou as mudan\u00e7as no texto de seu programa de governo, que foi alterado menos de 24 horas depois da divulga\u00e7\u00e3o. &#8220;O texto que foi publicado n\u00e3o \u00e9 o que havia sido acordado&#8221;, disse. Leia mais Ricardo Moraes\/Reuters<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Agora, Dilma Rousseff e seus operadores buscam uma sa\u00edda que os redima do fiasco. Neste s\u00e1bado, num com\u00edcio organizado pelo PMDB, Dilma adotou um \u2018Plano B\u2019 que seu vice, Michel Temer, improvisara em cima da perna. \u201cNuma democracia, quem n\u00e3o governa com partidos est\u00e1 flertando com o autoritarismo\u201d, disse a ex-favorita, ecoando um discurso que o vice fizera na v\u00e9spera, em Porto Alegre. \u201cN\u00e3o existe um \u00fanico lugar em que haja regime democr\u00e1tico e que n\u00e3o haja partido.\u201d<\/p>\n<p>Nessa formula\u00e7\u00e3o, Marina e sua promessa de governar com \u201cas melhores pessoas\u201d da Rep\u00fablica seria uma amea\u00e7a \u00e0 normalidade democr\u00e1tica. \u201cAs pessoas n\u00e3o podem ser colocadas acima das institui\u00e7\u00f5es\u201d, disse Temer, no pronunciamento que inspirou Dilma. \u201cQuando isso aconteceu no mundo, n\u00f3s fomos para o autoritarismo. N\u00f3s temos exemplos dram\u00e1ticos no mundo, n\u00e3o quero nem mencion\u00e1-los!\u201d<\/p>\n<p>A nova estrat\u00e9gia evidencia o desnorteio do conglomerado governista. O que fez de Marina uma alternativa real de poder foi justamente a insuport\u00e1vel normalidade que permeia a democracia brasileira. Oito em cada dez eleitores desejam que o pr\u00f3ximo presidente adote provid\u00eancias diferentes das atuais, informa o\u00a0<span style=\"font-weight: inherit; color: #0000ff;\"><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2014\/08\/1508524-alem-de-avanco-de-marina-datafolha-detecta-eleitor-sedento-por-mudancas.shtml\" target=\"_blank\"><span style=\"font-weight: inherit; color: #0000ff;\">Datafolha<\/span><\/a><\/span>. Ou, por outra: 79% do eleitorado acha que algo de anormal precisa suceder. Sob pena de passar por natural o que \u00e9 absurdo.<!--more--><\/p>\n<p>Quem quiser compreender o que est\u00e1 acontecendo deve levar em conta o seguinte: os \u00faltimos presidentes brasileiros \u2014FHC, Lula e Dilma\u2014 foram prisioneiros de um paradoxo: prometeram o avan\u00e7o sem chutar o atraso. Pregaram o novo abra\u00e7ados ao velho. Presidiram a\u00a0<em style=\"font-weight: inherit; font-style: italic;\">ilicitocracia<\/em>\u00a0enrolados na bandeira da moralidade. E terminaram confundindo a plateia. Uma parte acha que s\u00e3o c\u00ednicos. A outra avalia que s\u00e3o c\u00famplices.<\/p>\n<p>Hoje, os quase 80% que est\u00e3o sedentos por mudan\u00e7a dividem-se em dois grupos. Os que duvidam de tudo enxergam os \u00faltimos presidentes como c\u00ednicos. Os que n\u00e3o duvidam de mais nada os v\u00eaem como c\u00famplices. As duas alas se juntam na percep\u00e7\u00e3o de que, \u00e0 margem dos avan\u00e7os econ\u00f4micos e sociais, proliferou um sistema pol\u00edtico-partid\u00e1rio ca\u00f3tico, um mal cada dia menos necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Aos olhos de muita gente, o PT virou um projeto pol\u00edtico que saiu pelo ladr\u00e3o. O PMDB e seus cong\u00eaneres tornaram-se organiza\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias com fins lucrativos, todas elas financiadas pelo d\u00e9ficit p\u00fablico. E o PSDB \u00e9 a mesma esculhamba\u00e7\u00e3o, s\u00f3 que com doutorado na USP. Se a economia vai bem, o ac\u00famulo de fraudes \u00e9 tolerado. Se a infla\u00e7\u00e3o aperta, a roubalheiras salta \u00e0s retinas.<\/p>\n<p>Num Brasil remoto, a an\u00e1lise pol\u00edtica exigia meia d\u00fazia de racioc\u00ednios transcendentes. Era necess\u00e1rio decidir se o pragmatismo do PSDB seria melhor do que o puritanismo do PT, se a social-democracia responderia \u00e0s d\u00favidas do socialismo, se a \u00e9tica da responsabilidade prevaleceria sobre a \u00e9tica da convic\u00e7\u00e3o\u2026 Hoje, a coisa \u00e9 bem mais simples.<\/p>\n<p>Karl Marx e Max Weber tornaram-se descart\u00e1veis. Falidas as ideologias, o templo da pol\u00edtica abriga uma congrega\u00e7\u00e3o de homens de bens. Vigora no Executivo, no Legistivo e, por vezes, at\u00e9 no Judici\u00e1rio a l\u00f3gica do neg\u00f3cio. Tudo se subordina a ela, inclusive os escr\u00fapulos. A integridade dos ovos n\u00e3o vale mais nada. Importa apenas o proveito do omelete.<\/p>\n<p>J\u00e1 nem \u00e9 preciso varrer as cascas para debaixo do tapete. A generaliza\u00e7\u00e3o da desfa\u00e7atez, hoje espraiada da Esplanada \u00e0 Petrobras, tornou a anomalia normal. Tudo parecia tranquilo nessa democracia anestesiada at\u00e9 que as ruas decidiram roncar em junho de 2013. Ao despencar do olimpo das pesquisas, Dilma virou uma esp\u00e9cie de porta-voz do asfalto.<\/p>\n<p>O que os manifestantes querem \u00e9 o mesmo que o governo deseja, disse ela na \u00e9poca. \u201cO meu governo est\u00e1 ouvindo essas vozes pela mudan\u00e7a. Est\u00e1 empenhado e comprometido com a transforma\u00e7\u00e3o social\u201d, declarou, antes de acrescentar que passeata \u00e9 uma coisa normal, que ela mesma j\u00e1 participou de muitas.<\/p>\n<p>Por muito pouco Dilma n\u00e3o jogou uma mochila nas costas e foi \u00e0 Avenida Paulista cobrar a melhoria dos servi\u00e7os p\u00fablicos, ao lado de herois da resist\u00eancia como Sarney e Renan. \u201cEssa mensagem direta das ruas contempla o valor intr\u00ednseco da democracia\u201d, ela festejou. \u201cEssa mensagem \u00e9 de rep\u00fadio \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e ao uso indevido de dinheiro p\u00fablico.\u201d<\/p>\n<p>Candidata de um partido cuja c\u00fapula se encontra na cadeia, Dilma soou esquisito. N\u00e3o se deu conta de que o excesso de cad\u00e1veres pol\u00edticos dera origem a um defunto mais, digamos, ilustre: o pr\u00f3prio PT. Morreu tamb\u00e9m o pobre. De suic\u00eddio. E, suprema desgra\u00e7a, n\u00e3o foi para o c\u00e9u. A ex-petista Marina Silva \u00e9 o purgat\u00f3rio do ex-PT. Ela se tornou uma esp\u00e9cie de reposit\u00f3rio do \u2018voto saco cheio\u2019.<\/p>\n<p>\u00c9\u00a0nesse est\u00e1gio que o pa\u00eds se encontra agora. De saco cheio das alian\u00e7as esp\u00farias e da toler\u00e2ncia presidencial para com os maus h\u00e1bitos. De saco cheio da teia de chantagens e exig\u00eancias feitas em nome da pseudo-governabilidade. De saco cheio do m\u00eas que dura sempre mais do que o sal\u00e1rio. De saco cheio de tudo isso que est\u00e1 a\u00ed.<\/p>\n<p>Ao dizerem que ningu\u00e9m governa sem os partidos, Dilma e Temer tentam aproximar Marina Silva da figura de Fernando Collor, a \u201cnova pol\u00edtica\u201d que terminou em impeachment. O problema \u00e9 que, tomada pela biografia, ela est\u00e1 mais para Lula, em sua vers\u00e3o 2002, do que para ca\u00e7adora de maraj\u00e1s. Com uma diferen\u00e7a: foi digerida pelo mercado sem precisar assinar nenhuma carta aos brasileiros.<\/p>\n<p>Para se manter no topo das pesquisas at\u00e9 outubro, Marina talvez n\u00e3o precise fazer nada al\u00e9m de desviar dos laranjas do jato de Eduardo Campos e cuidar das suas boas maneiras. Prevalecendo a bordo do PSB e de sua coliga\u00e7\u00e3o diminuta, chegaria ao Planalto sem dever nada a ningu\u00e9m, exceto aos donos dos votos. Diz-se que pode terminar em desastre. Mas o eleitor, de saco cheio, parece cada dia mais disposto assumir o risco de, no m\u00ednimo, cometer um erro diferente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u2018Plano A\u2019 era declarar guerra \u00e0 elite branca do PSDB, fingir que a ru\u00edna econ\u00f4mica tem causas externas, pintar o pa\u00eds de rosa na propaganda eleitoral e conquistar mais quatro anos de Poder. O \u2018Plano B\u2019 era, era, era\u2026 N\u00e3o havia um \u2018Plano B\u2019. 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