{"id":16373,"date":"2014-09-16T15:41:23","date_gmt":"2014-09-16T18:41:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/?p=16373"},"modified":"2014-09-16T15:41:54","modified_gmt":"2014-09-16T18:41:54","slug":"preco-da-energia-dispara-e-deixa-o-pais-entre-os-mais-caros-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/2014\/09\/16\/preco-da-energia-dispara-e-deixa-o-pais-entre-os-mais-caros-do-mundo\/","title":{"rendered":"Pre\u00e7o da energia dispara e deixa o pa\u00eds entre os mais caros do mundo"},"content":{"rendered":"<p>A energia el\u00e9trica tem um impacto direto na vida da popula\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m na competitividade das empresas. Custos mais altos costumam pressionar a produ\u00e7\u00e3o, resultando em aumento de pre\u00e7o dos produtos finais para os consumidores<img src=\"https:\/\/fbcdn-sphotos-e-a.akamaihd.net\/hphotos-ak-xpa1\/v\/t1.0-9\/1521658_940845392596620_6808040325101853742_n.jpg?oh=e08d619972c66445edcca2358dde1958&amp;oe=5482F857&amp;__gda__=1418302826_4ce31af0fe4db2804f2419776f400f23\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Imagine a situa\u00e7\u00e3o. O contrato de aluguel venceu e o propriet\u00e1rio do im\u00f3vel est\u00e1 cobrando oito vezes mais pelo mesmo espa\u00e7o. O que fazer? Mudar \u00e9 a resposta natural. A ind\u00fastria brasileira passa por situa\u00e7\u00e3o parecida em rela\u00e7\u00e3o ao custo da energia el\u00e9trica, com um agravante: n\u00e3o h\u00e1 para onde ir.<\/p>\n<p>Em dezembro do ano passado, o custo m\u00e9dio da energia el\u00e9trica para a ind\u00fastria passou de R$ 292,7 por megawatt\/hora (MW\/h) para R$ 310 em maio e deve encerrar o ano ao pre\u00e7o de R$\u00a0 342, de acordo com dados de um estudo feito pela Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). E a proje\u00e7\u00e3o em dezembro de 2015 \u00e9 que o valor seja aumentado para R$ 420. Ou seja, em dois anos, o custo da energia para a ind\u00fastria ser\u00e1 ampliado em 44%.<\/p>\n<table class=\"contenttable\">\n<thead>\n<tr>\n<th scope=\"col\">\n<p class=\"bodytext\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/w2.c24hsttc.net\/uploads\/RTEmagicC_mapadeenergia.jpg.jpg\" alt=\"\" width=\"438\" height=\"340\" \/><\/p>\n<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<\/table>\n<p>O reajuste, provocado pela seca prolongada, deve colocar o Brasil no indesej\u00e1vel grupo dos quatro pa\u00edses com a energia mais cara do mundo, atr\u00e1s apenas de \u00cdndia, It\u00e1lia e Singapura. Atualmente, o pa\u00eds ocupa\u00a0 a oitava coloca\u00e7\u00e3o em um ranking com 28 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Mas o cen\u00e1rio ainda \u00e9 pior, uma vez que a pesquisa da Firjan leva em conta apenas os consumidores industriais que adquirem energia no chamado mercado cativo de energia, que \u00e9 o mesmo em que est\u00e3o os consumidores finais e onde os reajustes de pre\u00e7os s\u00e3o controlados pelo governo, atrav\u00e9s da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel).<\/p>\n<p>No caso dos grandes consumidores que optaram pelo chamado mercado livre de energia, onde a negocia\u00e7\u00e3o \u00e9 feita diretamente entre empresas e produtores de energia, o c\u00e9u, que nesse caso nada tem a ver com a ideia de um para\u00edso, \u00e9 o limite.<\/p>\n<p>\u201cImagine a situa\u00e7\u00e3o de uma empresa, cujo contrato de energia est\u00e1 vencendo, parte para negociar um contrato novo e percebe que vai ter que pagar quatro, seis ou at\u00e9 oito vezes mais do que vinha pagando. N\u00e3o \u00e9 o tipo de aumento de custo que \u00e9 f\u00e1cil de absorver\u201d, pondera o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres, Paulo Pedrosa.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">Alternativa cara<\/span><br \/>\nO problema \u00e9 que o per\u00edodo de seca prolongada no pa\u00eds reduziu o n\u00edvel dos reservat\u00f3rios de \u00e1gua, obrigando o governo a lan\u00e7ar m\u00e3o de alternativas energ\u00e9ticas mais caras que a hidreletricidade para evitar um apag\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o. Usinas t\u00e9rmicas \u00e0 base de combust\u00edveis f\u00f3sseis, como petr\u00f3leo e carv\u00e3o, garantem a eletricidade a um custo cada vez mais alto.<\/p>\n<p>Para quem est\u00e1 no chamado mercado livre, o problema est\u00e1 na Lei de Oferta e Procura: os pre\u00e7os sobem porque h\u00e1 pouca disponibilidade de energia no mercado.<\/p>\n<p>A terceira parte do problema diz respeito ao grupo de ind\u00fastrias em que os pre\u00e7os finais dos produtos fabricados dependem de quanto pagam pela energia, tal a quantidade de eletricidade que utilizam. S\u00e3o as eletrointensivas. Existem, aproximadamente, 408 no pa\u00eds, de acordo com o Minist\u00e9rio de Minas e Energia. Na Bahia s\u00e3o oito e enfrentam um cen\u00e1rio de incertezas quanto \u00e0 renova\u00e7\u00e3o dos contratos de fornecimento com a\u00a0 Companhia Hidrel\u00e9trica do S\u00e3o Franciso (Chesf), v\u00e1lidos at\u00e9 o m\u00eas de junho de 2015.<\/p>\n<p>Se, no primeito momento, o problema energ\u00e9tico parece conjuntural \u2013 reflexo apenas da estiagem \u2013 na an\u00e1lise mais profunda percebe-se que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto de equ\u00edvocos na pol\u00edtica energ\u00e9tica, aponta o diretor da Thimos Energia, Ricardo Savoya. \u201cN\u00e3o se imaginou que em algum momento ter\u00edamos uma depend\u00eancia t\u00e3o grande das termel\u00e9tricas. Sempre se pensou nessas usinas para usos mais espor\u00e1dicos\u201d, explica Savoya. Por conta disso, muitas delas t\u00eam custos operacionais extremamente elevados, explica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, lembra, o governo federal contou com uma s\u00e9rie de investimentos em energia e\u00f3lica e muitos foram implantados com atraso. Em outros casos, o atraso foi na liga\u00e7\u00e3o dos empreendimentos ao Sistema Integrado Nacional (SIN). \u201cFizeram falta\u201d, afirma Savoya, assim como investimentos em hidrel\u00e9tricas que atrasaram.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">Impacto negativo<\/span><br \/>\n\u201cAcredito que a entrada de algumas hidrel\u00e9tricas, nos pr\u00f3ximos anos, que j\u00e1 deveriam estar gerando energia, vai trazer algum al\u00edvio\u201d, diz.<\/p>\n<p>O coordenador do Conselho de Infraestrutura da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado da Bahia, Marcos Galindo, define como dif\u00edcil o cen\u00e1rio energ\u00e9tico para a ind\u00fastria baiana em 2015. \u201cAumentos de custos acabam tendo um impacto negativo sobre a produ\u00e7\u00e3o e a expectativa para o pr\u00f3ximo ano \u00e9 de um aumento entre 20% e 35%\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Galindo acredita que a oferta de energia \u00e9 fundamental para dar competitividade aos neg\u00f3cios. \u201cExistem empreendimentos que precisam se instalar em uma determinada regi\u00e3o. Nesses casos, o empreendedor se desdobra para conseguir o acesso \u00e0 infraestrutura necess\u00e1ria naquele local. Acontece que, nos casos em que ele pode escolher, vai para locais onde h\u00e1 uma melhor oferta de infraestrutura\u201d, explica Galindo, lembrando que a regi\u00e3o Oeste \u00e9 uma das que t\u00eam potencial para o desenvolvimento industrial, que depende da certeza de oferta de energia.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">Seguran\u00e7a<\/span><br \/>\n\u201cN\u00f3s temos um polo de algod\u00e3o, que poderia ser beneficiado no Oeste e dar vaz\u00e3o ao estabelecimento de uma cadeia t\u00eaxtil, mas n\u00e3o \u00e9 isso o que acontece\u201d, diz.\u00a0 Para ele, o pa\u00eds sofre pela falta de investimentos na diversifica\u00e7\u00e3o das fontes energ\u00e9ticas e na oferta de um servi\u00e7o de qualidade. \u201c\u00c9 t\u00e3o importante ter acesso \u00e0 eletricidade quanto saber que a oferta \u00e9 confi\u00e1vel. O empres\u00e1rio precisa ter a certeza de que o risco natural que existe em qualquer tipo de empreendimento n\u00e3o ser\u00e1 aumentado pela oferta de energia\u201d, afirma Marcos Galindo.<\/p>\n<p>Paulo Pedrosa acredita que o pa\u00eds n\u00e3o pode ficar \u00e0 merc\u00ea de intemp\u00e9ries, como a seca. \u201cN\u00f3s defendemos que o pa\u00eds tenha uma pol\u00edtica energ\u00e9tica para a ind\u00fastria\u201d, diz, explicando que o custo do insumo poderia funcionar como um indutor de desenvolvimento, ou para afugentar,\u00a0 a depender das pol\u00edticas para o setor.<\/p>\n<p>consumidor final Segundo o diretor da Abrace, os brasileiros consomem tr\u00eas vezes mais energia quando compram produtos que pagando a conta de luz. Isso porque os elevados custos de produ\u00e7\u00e3o que a ind\u00fastria tem com a energia acabam embutidos no pre\u00e7o final dos produtos. E, no Brasil, a energia custa muito mais do que deveria, acredita Paulo Pedrosa.<\/p>\n<table class=\"contenttable\">\n<thead>\n<tr>\n<th scope=\"col\">\n<p class=\"bodytext\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/w3.c24hsttc.net\/uploads\/RTEmagicC_mapadeenergia2.jpg.jpg\" alt=\"\" width=\"444\" height=\"234\" \/><\/p>\n<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\"><span style=\"font-weight: bold;\">Pa\u00edses oferecem incentivos de energia el\u00e9trica \u00e0 ind\u00fastria<\/span><br \/>\nEnquanto outros pa\u00edses, muitos em est\u00e1gios de desenvolvimento mais avan\u00e7ado economicamente que o Brasil, oferecem incentivos no consumo de energia el\u00e9trica para as ind\u00fastrias, o pa\u00eds caminha na contram\u00e3o, aponta um estudo da Engenho Consultoria. Como exemplo, Estados Unidos, Reino Unido, Fran\u00e7a e Jap\u00e3o cobram menos de US$ 40 por um megawatt hora (MWh), enquanto a Holanda e a It\u00e1lia, cobram US$ 50.\u00a0<!--more--><\/p>\n<p>No Brasil, a tarifa m\u00e9dia \u00e9 de US$ 80. Segundo o presidente da Abrace, Paulo Pedrosa, o governo deveria encarar os contratos com as empresas eletrointensivas como um exemplo e expandir o modelo para o restante do pa\u00eds, em lugar de coloc\u00e1-lo em risco. \u201cOs contratos de fornecimento da antiga Copene (que deu origem \u00e0 Braskem posteriormente) com a Chesf foram fundamentais para viabilizar o Polo Petroqu\u00edmico de Cama\u00e7ari, mas tamb\u00e9m viabilizaram a Chesf\u201d, lembra Pedrosa,\u00a0 ressaltando tratar-se de uma parceria positiva para a regi\u00e3o Nordeste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Nesse caso, segundo ele, ajudou a viabilizar tanto o que hoje \u00e9 o Polo Industrial de Cama\u00e7ari, quanto a Chesf, que ganhou uma destina\u00e7\u00e3o para a energia produzida a partir das \u00e1guas do Rio S\u00e3o Francisco. Pedrosa sugere que o custo da energia passe a ser tratado como parte da estrat\u00e9gia para o desenvolvimento do pa\u00eds.\u00a0 \u201cPor que uma grande ind\u00fastria se implantaria longe do mercado consumidor sem os incentivos?\u201d, questiona, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o Nordeste.<\/p>\n<p>De acordo com os c\u00e1lculos da consultoria Tend\u00eancias, o fim do incentivo levaria a uma concentra\u00e7\u00e3o das atividades das empresas, que proporcionam uma renda de R$ 16 bilh\u00f5es para os munic\u00edpios em que est\u00e3o instaladas, como alguns baianos, em locais mais pr\u00f3ximos de grandes mercados consumidores, a exemplos do Sudeste do pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A energia el\u00e9trica tem um impacto direto na vida da popula\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m na competitividade das empresas. Custos mais altos costumam pressionar a produ\u00e7\u00e3o, resultando em aumento de pre\u00e7o dos produtos finais para os consumidores Imagine a situa\u00e7\u00e3o. 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