{"id":173518,"date":"2025-02-18T07:04:54","date_gmt":"2025-02-18T10:04:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/?p=173518"},"modified":"2025-02-18T07:04:54","modified_gmt":"2025-02-18T10:04:54","slug":"uso-de-cheques-cai-96-desde-1996-mas-movimentou-mais-de-500-bilhoes-em-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/2025\/02\/18\/uso-de-cheques-cai-96-desde-1996-mas-movimentou-mais-de-500-bilhoes-em-2024\/","title":{"rendered":"USO DE CHEQUES CAI 96% DESDE 1996, MAS MOVIMENTOU MAIS DE 500 BILH\u00d5ES EM 2024"},"content":{"rendered":"<h3><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-173519 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/a-25.jpg\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"329\" \/>Entre 1996 e 2024, o uso do cheque caiu 95,9%, mostra levantamento da Febraban (Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos), com dados da Compe, sistema respons\u00e1vel pela compensa\u00e7\u00e3o de cheques.<\/h3>\n<h3>Em 1996, 3,3 bilh\u00f5es de cheques foram compensados enquanto em 2024, o n\u00famero foi de 137,6 milh\u00f5es. No \u00faltimo ano, o pagamento movimentou R$ 523,2 bilh\u00f5es, queda de 14,2% ante 2023.<\/h3>\n<h3>No Brasil, o cheque apresenta um ticket m\u00e9dio superior ao de outros pagamentos. Segundo o Banco Central, a ferramenta teve valor m\u00e9dio de R$ 3.782,57 em 2024. O Pix teve m\u00e9dia de R$ 416,18 e o boleto, de R$ 1.478,89.<\/h3>\n<h3>&#8220;O decl\u00ednio do cheque come\u00e7ou a ficar evidente no in\u00edcio dos anos 2000, com a populariza\u00e7\u00e3o dos cart\u00f5es de d\u00e9bito e cr\u00e9dito, mas foi se intensificando nos \u00faltimos anos com o avan\u00e7o das transa\u00e7\u00f5es por internet banking. A cria\u00e7\u00e3o do Pix, em 2020, acelerou essa mudan\u00e7a&#8221;, diz Tha\u00edsa Durso, educadora financeira da Rico.<\/h3>\n<h3>Hoje, a ferramenta n\u00e3o traz grandes vantagens em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quelas digitais, diz Ivo M\u00f3sca, diretor de produtos da Febraban. &#8220;[Os que utilizam o cheque] S\u00e3o aqueles com medo de opera\u00e7\u00f5es, principalmente de alto valor, em canais eletr\u00f4nicos. Al\u00e9m disso, ainda existe uma parte da popula\u00e7\u00e3o sem acesso a dispositivos eletr\u00f4nicos ou internet&#8221;, afirma.<\/h3>\n<h3>Segundo dados do Censo 2022, 10,6% dos moradores de domic\u00edlios particulares no Brasil n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 internet. A por\u00e7\u00e3o corresponde a 21,4 milh\u00f5es de pessoas, n\u00famero um pouco maior que a popula\u00e7\u00e3o de Minas Gerais (20,5 milh\u00f5es).<\/h3>\n<h3><a name=\"more\"><\/a>Para Ivo, tamb\u00e9m existem pessoas habituadas a transa\u00e7\u00f5es como cheque-cau\u00e7\u00e3o. O cheque-cau\u00e7\u00e3o \u00e9 uma garantia ao dono de um bem, como im\u00f3vel e ve\u00edculo, dada pelo cliente. O valor para cobrir poss\u00edveis danos e pode ou n\u00e3o ser descontado.<\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3>Na avalia\u00e7\u00e3o de Marcos Vinicius Viana Borges, diretor de opera\u00e7\u00f5es do Sicoob, a idade tamb\u00e9m \u00e9 um dos fatores que explicam a sobreviv\u00eancia do cheque. &#8220;H\u00e1 uma cultura de aceita\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio do interior, seja pela tradi\u00e7\u00e3o ou por todos se conhecerem. Existem os que preferem pagamentos mais anal\u00f3gicos.&#8221;<\/h3>\n<h3>Para ele, o cheque tamb\u00e9m traz algumas vantagens para quem quer adiar um pagamento. &#8220;\u00c9 aquilo de emitir um cheque pr\u00e9-datado no interior e pedir para entrar com o cheque dali a 30 ou 60 dias. Assim o cliente evita a necessidade de um cart\u00e3o de cr\u00e9dito.&#8221;<\/h3>\n<h3>Entre os pagamentos, h\u00e1 um dom\u00ednio do Pix no Brasil, que lidera em quantidade de transa\u00e7\u00f5es desde 2021. De acordo com relat\u00f3rio do Banco Central, no terceiro trimestre de 2024, o Pix representou 44,7% das transa\u00e7\u00f5es do pa\u00eds \u2013cart\u00e3o de cr\u00e9dito e d\u00e9bito, em segundo e terceiro no ranking, corresponderam a 13,6% e 11,7%, respectivamente. O cheque representou 0,1%.<!--more--><\/h3>\n<h3>Em volume financeiro, o Pix rivaliza com TED e transfer\u00eancias intrabanc\u00e1rias. Tamb\u00e9m no terceiro trimestre de 2024, o m\u00e9todo foi respons\u00e1vel por 22,7% da movimenta\u00e7\u00e3o gerada por pagamentos, enquanto o TED foi 36,4% e as transfer\u00eancias, 22%. O cheque correspondeu a 0,6% do \u00edndice, um dos mais baixos do levantamento do BC.<\/h3>\n<h3>Para Tha\u00edsa Durso, da Rico, o Pix contribuiu para o desuso dos cheques pela efici\u00eancia. &#8220;A digitaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os banc\u00e1rios e o crescimento do mobile banking reduziram a necessidade dos cheques, porque as transa\u00e7\u00f5es se tornaram mais f\u00e1ceis com os celulares&#8221;.<\/h3>\n<h3>Segundo ela, outro fator que contribuiu para a queda foi a percep\u00e7\u00e3o dos riscos associados ao pagamento, como inadimpl\u00eancia e fraudes. &#8220;A compensa\u00e7\u00e3o do cheque depende da exist\u00eancia de saldo na conta do emissor, e a verifica\u00e7\u00e3o de legitimidade, de uma assinatura.&#8221;<\/h3>\n<h3>Arnaldo Rodrigues Neto, advogado da \u00e1rea de direito banc\u00e1rio do Tortoro, Madureira &amp; Ragazzi Advogados, explica que clientes ou empresas que aceitam cheque podem ser alvos de pagamentos sem fundo, quando o emitente n\u00e3o tem saldo suficiente na conta banc\u00e1ria para pagar o documento.<\/h3>\n<h3>H\u00e1 tamb\u00e9m a incid\u00eancia de sonega\u00e7\u00e3o fiscal com o pagamento. Uma pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica recebe o pagamento, mas deixa de informar o recebimento de determinada receita ou informa um valor menor, para fugir do rastro da Receita Federal e dos tributos devidos.<\/h3>\n<h3>Desde que reconhecida a inten\u00e7\u00e3o de fraude, a pr\u00e1tica \u00e9 pun\u00edvel de acordo com a lei n\u00ba 4.729, que define o crime de sonega\u00e7\u00e3o fiscal. A legisla\u00e7\u00e3o prev\u00ea reclus\u00e3o de seis meses a dois anos, e multa que varia de duas a 10 vezes o valor do tributo \u2013em caso de reincid\u00eancia ou n\u00e3o.<\/h3>\n<h3>&#8220;Apesar de esquemas de sonega\u00e7\u00e3o serem poss\u00edveis, essa pr\u00e1tica tem-se tornado mais arriscada. As autoridades fiscais aprimoraram os seus m\u00e9todos de fiscaliza\u00e7\u00e3o, o que reduz a viabilidade desse tipo de estrat\u00e9gia. A tend\u00eancia \u00e9 que cada vez menos aconte\u00e7a&#8221;, afirma Arnaldo.<\/h3>\n<h3>Ainda n\u00e3o h\u00e1 uma data para o fim do cheque \u2013nem perspectiva disso acontecer. &#8220;Esses \u00faltimos 30 anos mostram que \u00e9 uma tend\u00eancia sem volta. N\u00e3o tem nenhum benef\u00edcio que contraponha a volta do pagamento. A perspectiva \u00e9 que ele continue minguando&#8221;, afirma Ivo, da Febraban.<\/h3>\n<h3>Com exce\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es 100% digitais, bancos ainda disponibilizam cheques. \u00c9 poss\u00edvel emitir as folhas em caixas eletr\u00f4nicos com essa fun\u00e7\u00e3o.<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre 1996 e 2024, o uso do cheque caiu 95,9%, mostra levantamento da Febraban (Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos), com dados da Compe, sistema respons\u00e1vel pela compensa\u00e7\u00e3o de cheques. Em 1996, 3,3 bilh\u00f5es de cheques foram compensados enquanto em 2024, o n\u00famero foi de 137,6 milh\u00f5es. 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