{"id":176082,"date":"2026-05-14T11:15:36","date_gmt":"2026-05-14T14:15:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/?p=176082"},"modified":"2026-05-14T11:15:36","modified_gmt":"2026-05-14T14:15:36","slug":"a-rebeliao-das-evangelicas-mulheres-cristas-e-lideres-religiosas-rompem-silencio-contra-violencia-domestica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/2026\/05\/14\/a-rebeliao-das-evangelicas-mulheres-cristas-e-lideres-religiosas-rompem-silencio-contra-violencia-domestica\/","title":{"rendered":"A rebeli\u00e3o das evang\u00e9licas: Mulheres crist\u00e3s e l\u00edderes religiosas rompem sil\u00eancio contra viol\u00eancia dom\u00e9stica"},"content":{"rendered":"<h3><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-176083\" src=\"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/images-1.jpg\" alt=\"\" width=\"581\" height=\"273\" \/><\/h3>\n<h3>Em muitos casos, a primeira pessoa que uma v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica procura n\u00e3o \u00e9 um policial, um advogado ou um familiar. \u00c9 algu\u00e9m da igreja. No Brasil, onde 83,6% da popula\u00e7\u00e3o se declara crist\u00e3, segundo o \u00faltimo Censo do IBGE, de 2022, a religi\u00e3o ocupa espa\u00e7o central na vida cotidiana de milh\u00f5es de mulheres.<\/h3>\n<h3>\u00c9 dentro dos templos que muitas delas encontram pertencimento, apoio emocional, rede de conviv\u00eancia e orienta\u00e7\u00e3o espiritual. Mas \u00e9 tamb\u00e9m nesse ambiente que, durante d\u00e9cadas, in\u00fameras v\u00edtimas ouviram que deveriam \u201corar mais\u201d, \u201cter paci\u00eancia\u201d, \u201cpreservar a fam\u00edlia\u201d e suportar em sil\u00eancio situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica e moral.<\/h3>\n<h3>Os n\u00fameros ajudam a revelar a dimens\u00e3o desse cen\u00e1rio. A pesquisa Vis\u00edvel e Invis\u00edvel: a Vitimiza\u00e7\u00e3o de Mulheres no Brasil, divulgada em 2025 pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica em parceria com o Instituto Datafolha, mostra que 42,7% das evang\u00e9licas relataram j\u00e1 ter sofrido agress\u00f5es praticadas por companheiros ou ex-companheiros. Entre mulheres cat\u00f3licas, o \u00edndice \u00e9 de 35,1%.<\/h3>\n<h3>Outro levantamento, do Instituto DataSenado, aponta que 53% das mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia procuram primeiro a igreja antes mesmo da fam\u00edlia ou dos servi\u00e7os p\u00fablicos de prote\u00e7\u00e3o. O dado evidencia o peso que a religi\u00e3o exerce na forma como essas mulheres enfrentam a viol\u00eancia, especialmente, em sil\u00eancio.<\/h3>\n<h3><strong>Quebra de padr\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<h3>O debate ganhou repercuss\u00e3o nacional ap\u00f3s a fala da pastora Helena Raquel viralizar nas redes sociais durante um dos maiores congressos evang\u00e9licos do pa\u00eds. L\u00edder da Assembleia de Deus Vida na Palavra (ADPIV), do Rio de Janeiro, ela tratou de temas como viol\u00eancia dom\u00e9stica, abuso sexual e pedofilia dentro das igrejas e criticou o sil\u00eancio de lideran\u00e7as religiosas diante desses casos.<\/h3>\n<h3>Na prega\u00e7\u00e3o, Helena questionou a perman\u00eancia de agressores em posi\u00e7\u00f5es de autoridade dentro das institui\u00e7\u00f5es religiosas. Em um dos trechos mais compartilhados, afirmou que \u201cn\u00e3o existe capacidade de se encontrar na mesma figura um pastor e um abusador; ou \u00e9 pastor, ou \u00e9 abusador\u201d.<\/h3>\n<h3>Nesse contexto de mobiliza\u00e7\u00e3o crescente, Salvador recebeu uma caminhada organizada por lideran\u00e7as religiosas e mulheres de diferentes denomina\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas, cujo objetivo foi levar o tema da viol\u00eancia dom\u00e9stica para as ruas. A iniciativa faz parte de um conjunto recente de articula\u00e7\u00f5es que t\u00eam surgido dentro do pr\u00f3prio meio evang\u00e9lico.<\/h3>\n<h3>A organiza\u00e7\u00e3o integra o movimento Mulheres Evang\u00e9licas contra o Feminic\u00eddio, articulado pela pastora e historiadora Gic\u00e9lia Cruz. O grupo re\u00fane lideran\u00e7as religiosas, ativistas e mulheres que vivenciaram viol\u00eancia dom\u00e9stica e passaram a atuar publicamente no enfrentamento ao problema.<\/h3>\n<p><strong>F\u00e9, culpa e silenciamento<\/strong><\/p>\n<h3>Para Gic\u00e9lia Cruz, ainda \u00e9 comum que v\u00edtimas sejam orientadas a suportar situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia em nome da preserva\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. \u201cMuitos l\u00edderes utilizam trechos isolados da B\u00edblia para justificar que a mulher permane\u00e7a no ciclo de viol\u00eancia\u201d, diz.<\/h3>\n<h3>A reverenda Bianca Da\u00e9bs afirma que a forma como textos religiosos foram interpretados ao longo da hist\u00f3ria contribuiu para a consolida\u00e7\u00e3o de desigualdades dentro das igrejas. Segundo ela, a B\u00edblia passou a ser usada, em muitos contextos, como ferramenta de controle.<\/h3>\n<h3>\u201cO texto b\u00edblico deveria ser lido tendo como chave o amor, o perd\u00e3o e a gra\u00e7a, mas virou um manual de culpa e medo\u201d, afirma Bianca. Ela destaca que, em muitos casos, v\u00edtimas ainda s\u00e3o responsabilizadas pela viol\u00eancia que sofrem, sendo orientadas a \u201corar mais\u201d ou \u201cmelhorar espiritualmente\u201d para salvar o casamento.<\/h3>\n<h3><strong>Medo da desconstru\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<h3>A administradora e evang\u00e9lica Dagmar Santos conhece essa realidade de perto. V\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica durante o casamento com um homem da mesma religi\u00e3o, ela afirma que sua atua\u00e7\u00e3o nasce da experi\u00eancia direta com o problema. \u201cEu fa\u00e7o essa luta porque sei como d\u00f3i na pele\u201d, diz.<\/h3>\n<h3>Segundo Dagmar, muitas mulheres permanecem em sil\u00eancio porque temem romper n\u00e3o apenas um relacionamento, mas toda uma constru\u00e7\u00e3o social e religiosa em torno da fam\u00edlia. \u201cEssa mulher blinda esse homem para que as pessoas n\u00e3o saibam qual \u00e9 a conduta real dele. Para a sociedade ele monta um cen\u00e1rio do homem perfeito, cuidadoso, zeloso.\u201d<\/h3>\n<h3><strong>Redes de acolhimento<\/strong><\/h3>\n<h3>Apesar do cen\u00e1rio de omiss\u00e3o e sil\u00eancio, lideran\u00e7as crist\u00e3s afirmam que h\u00e1 um crescimento de redes de apoio dentro das igrejas. Grupos de mulheres evang\u00e9licas t\u00eam criado espa\u00e7os de escuta, orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e forma\u00e7\u00e3o para acolhimento de v\u00edtimas.<\/h3>\n<h3>Segundo Dagmar Santos, o objetivo dessas iniciativas \u00e9 romper o ciclo de viol\u00eancia sem afastar as mulheres de sua f\u00e9. \u201cPrimeiro a gente acolhe, depois encaminha e acompanha essa v\u00edtima para que ela consiga sobreviver e depois voltar a viver\u201d, afirma.<\/h3>\n<h3>No entanto, a reverenda Bianca Da\u00e9bs destaca que ainda h\u00e1 um desafio estrutural importante, que envolve a forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as religiosas para lidar com casos de viol\u00eancia. Segundo ela, muitas igrejas n\u00e3o sabem como encaminhar corretamente v\u00edtimas para a rede de prote\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 preciso saber como acessar as DEAMs (Delegacias Especializadas de Atendimento \u00e0 Mulher), o Minist\u00e9rio P\u00fablico, a Casa da Mulher Brasileira e os centros de refer\u00eancia\u201d, afirma.<\/h3>\n<h3><strong>Debate em constru\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<h3>O avan\u00e7o do debate dentro das igrejas ainda acontece de forma gradual, impulsionado principalmente pela articula\u00e7\u00e3o entre mulheres que passaram a compartilhar experi\u00eancias e reconhecer padr\u00f5es de viol\u00eancia antes naturalizados. \u201cHoje a gente conseguiu romper essa bolha. As mulheres come\u00e7aram a questionar, buscar outros caminhos e entender que f\u00e9 n\u00e3o pode ser justificativa para sofrimento\u201d, destaca Dagmar.<\/h3>\n<h3>Ela avalia que, apesar da amplia\u00e7\u00e3o do tema para o espa\u00e7o p\u00fablico e religioso, o enfrentamento da viol\u00eancia dom\u00e9stica no meio evang\u00e9lico ainda depende de mudan\u00e7as internas nas pr\u00f3prias estruturas das igrejas e de maior preparo para acolhimento das v\u00edtimas. \u201cAinda \u00e9 um processo de formiguinha, mas a gente luta porque precisa deixar um futuro mais saud\u00e1vel para as nossas filhas\u201d, completa.<\/h3>\n<p>RK<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em muitos casos, a primeira pessoa que uma v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica procura n\u00e3o \u00e9 um policial, um advogado ou um familiar. \u00c9 algu\u00e9m da igreja. No Brasil, onde 83,6% da popula\u00e7\u00e3o se declara crist\u00e3, segundo o \u00faltimo Censo do IBGE, de 2022, a religi\u00e3o ocupa espa\u00e7o central na vida cotidiana de milh\u00f5es de mulheres. 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