{"id":3567,"date":"2014-02-04T11:02:30","date_gmt":"2014-02-04T14:02:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/?p=3567"},"modified":"2014-02-04T11:02:30","modified_gmt":"2014-02-04T14:02:30","slug":"como-explicar-as-noticias-do-dia-a-dia-para-as-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/2014\/02\/04\/como-explicar-as-noticias-do-dia-a-dia-para-as-criancas\/","title":{"rendered":"Como explicar as not\u00edcias do dia a dia para as crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<h2 id=\"noticia-olho\">Manifesta\u00e7\u00f5es, rolezinhos, beijo gay: quando os filhos podem ter acesso a tais conte\u00fados e como deve ser a postura dos pais em rela\u00e7\u00e3o ao que acontece no Brasil e no mundo?<\/h2>\n<figure><img alt=\"\" src=\"http:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/74\/v8\/68\/74v8687ivx0b13gwz9amaz03y.jpg\" \/><figcaption><cite>Wanderley Preite Sobrinho\/iG S\u00e3o Paulo<\/cite><\/p>\n<div>Jovens fazem rolezinho no shopping Aricanduva (SP) em janeiro deste ano<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00e3o existe dia tranquilo no notici\u00e1rio, seja ele sobre acontecimentos locais, nacionais ou internacionais. Sempre haver\u00e1 temas complexos ou pol\u00eamicos no card\u00e1pio, como manifesta\u00e7\u00f5es ou protestos espalhados pelo Brasil, viol\u00eancia pelas cidades e, mais recentemente,\u00a0<a href=\"http:\/\/igay.ig.com.br\/2014-01-31\/de-maneira-delicada-globo-supera-tabu-e-apresenta-beijo-gay-em-amor-a-vida.html\">beijo gay em novela do hor\u00e1rio nobre.<\/a>\u00a0E se as coisas estiverem mais ou menos sossegadas, uma novidade como os\u00a0<a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/brasil\/2014-01-18\/rolezinho-se-expande-pelo-pais-com-carater-de-protesto.html\">rolezinhos de jovens pelos shoppings<\/a>\u00a0sempre pode surgir para criar d\u00favidas e questionamentos sociais e de seguran\u00e7a. Tudo, \u00e9 claro, acompanhado de imagens impactantes.<\/p>\n<p>Diante de tanta informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e visual, at\u00e9 que ponto os pais devem se preocupar com o que os filhos veem ou leem? E a partir de quando podem come\u00e7ar a liberar o acesso das crian\u00e7as ao notici\u00e1rio? \u201cAs pequenas devem ser preservadas ao m\u00e1ximo, especialmente dos jornais televisivos de perfil mais violento, porque n\u00e3o t\u00eam par\u00e2metros e ferramentas para compreender e absorver tudo isso\u201d, diz a pedagoga Elizabete Duarte, coordenadora do Col\u00e9gio Nossa Senhora do Morumbi.<\/p>\n<p>Ela indica a proximidade da pr\u00e9-adolesc\u00eancia como uma boa \u00e9poca para permitir que as not\u00edcias fa\u00e7am parte do dia a dia dos filhos: \u201cPor volta dos nove ou dez anos de idade \u00e9 que eles j\u00e1 t\u00eam alguma viv\u00eancia e podem entender uma explica\u00e7\u00e3o dos pais sobre os assuntos. \u00c9 uma idade boa at\u00e9 porque em poucos anos esses indiv\u00edduos ser\u00e3o adultos, cidad\u00e3os com autonomia que poder\u00e3o ver e viver o que quiserem\u201d.<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo com essa bagagem inicial, \u00e9 importante n\u00e3o deixar a crian\u00e7a e o pr\u00e9-adolescente desacompanhados durante os notici\u00e1rios. \u201cEles n\u00e3o t\u00eam capacidade de entender tudo sozinhos e podem se assustar com reportagens de viol\u00eancia, assaltos e mortes. \u00c9 bom haver adultos respons\u00e1veis por perto para explicar que sim, isso acontece, mas eles est\u00e3o amparados pela fam\u00edlia\u201d, explica Karin Kenzler, psic\u00f3loga escolar do Col\u00e9gio Humboldt.<\/p>\n<figure><img alt=\"\" src=\"http:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/3l\/70\/6o\/3l706oi6n7nuxiufqozcw3401.jpg\" \/><figcaption><cite>Arquivo pessoal<\/cite><\/p>\n<div>Vanessa procura conversar abertamente com Breno sobre not\u00edcias que chamam a aten\u00e7\u00e3o do filho<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>E se escapar?<\/strong><\/p>\n<p>Por mais atenciosos que sejam os pais ou os respons\u00e1veis, \u00e9 imposs\u00edvel controlar o tempo todo tudo a que a crian\u00e7a tem acesso \u2013 seja na TV, na internet, em um jornal ou em uma revista \u2013, e ela pode acabar vendo, sozinha, not\u00edcias para as quais n\u00e3o esteja preparada. Consequentemente, surgir\u00e3o perguntas sobre o que foi visto ou lido. O que fazer em uma situa\u00e7\u00e3o dessa?<\/p>\n<p>\u201cOs adultos devem traduzir aquilo para uma linguagem que a crian\u00e7a entenda. N\u00e3o precisa ser infantilizado no linguajar, mas falar no n\u00edvel de compreens\u00e3o dela. Meu conselho \u00e9: n\u00e3o minta e responda exatamente o que ela perguntar. Se ela continuar com d\u00favida, vai continuar perguntando. Se parar, \u00e9 porque a resposta foi suficiente\u201d, orienta Juliana Ferrara, tamb\u00e9m psic\u00f3loga escolar do Col\u00e9gio Humboldt. Elizabete concorda: \u201cN\u00e3o v\u00e1 al\u00e9m. Satisfa\u00e7a as quest\u00f5es que aparecerem e pronto\u201d.<\/p>\n<p>Aconteceu na casa de Vanessa Del Bel. M\u00e3e de Breno, de 10 anos, a psic\u00f3loga notou, alguns anos atr\u00e1s, que o menino de repente ficou com medo de viajar de carro. \u201cNo come\u00e7o ele n\u00e3o explicava o que estava acontecendo, e fiquei preocupada, naturalmente. Levou um tempo at\u00e9 ele revelar que tinha receio porque aconteciam muitas trag\u00e9dias nas estradas. Comecei a investigar de onde tinha vindo aquilo e descobri que a funcion\u00e1ria de casa assistia a esses jornais violentos no final da tarde, e ele acabava vendo tamb\u00e9m, sem que eu estivesse junto para impedir ou acalm\u00e1-lo\u201d, conta.<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o foi conversar muito. \u201cAt\u00e9 hoje ele ainda tem um medinho, mas passou aquele p\u00e2nico. Claro que eu preferiria que isso n\u00e3o tivesse acontecido, mas n\u00e3o d\u00e1 para esconder o mundo do filho, fingir que nada est\u00e1 acontecendo. Se ele n\u00e3o aprender em casa, onde vai aprender?\u201d, questiona.<\/p>\n<figure><img alt=\"\" src=\"http:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/bn\/7f\/if\/bn7fifr7jvkq1j7dw6bxm7ssa.jpg\" \/><figcaption><cite>Divulga\u00e7\u00e3o\/TV Globo<\/cite><\/p>\n<div>Os atores Thiago Fragoso e Mateus Solano protagonizaram o primeiro beijo gay em novela da TV Globo em &#8220;Amor \u00e0 Vida&#8221;<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Instrumento de educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Com os devidos cuidados tomados, o notici\u00e1rio pode ser aproveitado como um aux\u00edlio para a educa\u00e7\u00e3o. \u201cUma not\u00edcia pode deixar pais e filhos mais \u00e0 vontade para falar sobre um assunto, seja ele pol\u00edtica ou sexo. Uma reportagem sobre a cracol\u00e2ndia [regi\u00e3o do centro de S\u00e3o Paulo em que dependentes de crack vivem improvisadamente e consomem a droga], por exemplo, \u00e9 uma boa oportunidade para conversar sobre drogas sem que o filho se sinta pressionado ou acusado, principalmente se ele j\u00e1 for adolescente\u201d, afirma Karin.<\/p>\n<p>Vanessa aproveita toda brecha nesse sentido. \u201cEspero o Breno manifestar interesse, mas \u00e0s vezes n\u00e3o resisto e puxo assunto sobre algo em que ele esteja prestando muita aten\u00e7\u00e3o. Assim j\u00e1 percebi que ele fica triste com as guerras, por exemplo. Mais de uma vez ele falou para mim: \u2018M\u00e3e, por que as pessoas n\u00e3o dialogam? Guerra n\u00e3o \u00e9 o melhor jeito de resolver um problema!\u2019. Se n\u00e3o fossem as not\u00edcias, n\u00e3o sei se ele falaria isso desse jeito\u201d, pondera.<\/p>\n<p>\u201cExplicar uma not\u00edcia para uma crian\u00e7a estimula o pensar, o desenvolvimento da cidadania e da vis\u00e3o sobre as diferen\u00e7as do mundo\u201d, defende Elizabete. Mas nada de tentar for\u00e7ar seu filho a acompanhar o notici\u00e1rio para conquistar esse progresso na marra, como destaca Juliana: \u201cIsso vai se manifestando de acordo com o amadurecimento de cada um. Colocar uma crian\u00e7a para assistir ao jornal da noite n\u00e3o vai garantir que ela tenha interesse por aquilo que est\u00e1 sendo mostrado\u201d.<\/p>\n<p><strong>A mudan\u00e7a da adolesc\u00eancia em diante<\/strong><\/p>\n<p>Com a chegada da adolesc\u00eancia, os filhos tendem a abordar as not\u00edcias com os pais mais no sentido de debater do que de pedir explica\u00e7\u00f5es, e os adultos t\u00eam que acompanhar essa mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o existe uma idade limite. Enquanto eles trouxerem questionamentos, devem receber respostas\u201d, diz Elizabete. \u201cMas chega um momento em que eles v\u00eam com opini\u00f5es, vis\u00f5es. Os adolescentes t\u00eam muito mais interesse pelo notici\u00e1rio, as ideias deles afloram. A conversa fica revigorada e mais profunda. S\u00e3o di\u00e1logos mais complexos e que valem muito a pena\u201d, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manifesta\u00e7\u00f5es, rolezinhos, beijo gay: quando os filhos podem ter acesso a tais conte\u00fados e como deve ser a postura dos pais em rela\u00e7\u00e3o ao que acontece no Brasil e no mundo? 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