{"id":3822,"date":"2014-02-08T21:39:46","date_gmt":"2014-02-09T00:39:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/?p=3822"},"modified":"2014-02-08T21:39:46","modified_gmt":"2014-02-09T00:39:46","slug":"perto-de-quem-manda-os-moleques-no-chao-sao-tao-perigosos-quanto-patati-patata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/2014\/02\/08\/perto-de-quem-manda-os-moleques-no-chao-sao-tao-perigosos-quanto-patati-patata\/","title":{"rendered":"Perto de quem manda, os moleques no ch\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o perigosos quanto Patati Patata"},"content":{"rendered":"<address>Assustadoras a imagem e as a\u00e7\u00f5es, comemoradas em p\u00e1ginas de Facebook do Bope, dando conta de que as mortes de dois soldados estariam sendo vingadas e sua honra lavada com sangue de jovens corpos negros estirados nas escadarias de um morro qualquer no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>H\u00e1 um ditado de origem do continente africano que diz: \u201cA verdadeira hist\u00f3ria da floresta s\u00f3 ser\u00e1 conhecida no dia em que o Le\u00e3o falar\u201d. No caso aqui, Leoa. Mariana Albanese, jornalista, editora da P\u00e1gina Vidiga!, ativista de direitos humanos e moradora do morro do Vidigal, no Rio de Janeiro, nos traz seu relato, pr\u00f3prio de quem sente na pela as contradi\u00e7\u00f5es e efeitos de uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a que tem como principal miss\u00e3o a higieniza\u00e7\u00e3o e o exterm\u00ednio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 longo, mas vale a pena conferir.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/negrobelchior.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/negrobelchior\/sites\/2\/2014\/02\/1800402_251492088358317_2082410252_n.jpg\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" alt=\"1800402_251492088358317_2082410252_n\" src=\"http:\/\/negrobelchior.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/negrobelchior\/sites\/2\/2014\/02\/1800402_251492088358317_2082410252_n.jpg\"  width=\"768\" height=\"512\" \/><\/a><\/address>\n<h3>Pegando os grandes bandidos que controlam o tr\u00e1fico de armas e drogas, e que n\u00e3o costumam sujar a gravata de sangue, os moleques de havaianas na favela n\u00e3o v\u00e3o morrer \u00e0s centenas, porque eles s\u00e3o apenas a pontinha do problema. Perto de quem realmente manda, esses moleques estendidos no ch\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o perigosos quanto o Patati e Patat\u00e1.<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando vi na TV a informa\u00e7\u00e3o da morte da jovem policial Alda Castilho, de 22 anos, na UPP Parque Prolet\u00e1rio, me deu um n\u00f3 na garganta. Um detalhe pegou fundo: ela cursava psicologia, para tentar ajudar melhor as crian\u00e7as da comunidade. Doeu, porque lembrei das policiais que atuam no Vidigal, morro carioca para onde me mudei em 2011, oito meses antes da pacifica\u00e7\u00e3o. Assim como a maioria dos que v\u00e3o para as UPPs, essas mo\u00e7as s\u00e3o jovens, cheias de vida e acabam realmente se envolvendo, dando aulas de esportes, m\u00fasica. S\u00e3o respons\u00e1veis por caf\u00e9s da manh\u00e3 comunit\u00e1rios. Esses policiais n\u00e3o v\u00eam de bairros nobres, ganham pouco e com certeza enxergam nos pequenos alguma coisa de sua inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o deu tempo de sentir muita coisa, porque no dia seguinte come\u00e7ou a ca\u00e7ada que acabou com nove baleados no morro do Juramento. Seis jovens mortos, estendidos no ch\u00e3o de uma escada que poderia ser qualquer uma das que existem no Vidigal, e os corpos, de qualquer um dos meninos que enchem suas vielas com a alegria do funk e das provoca\u00e7\u00f5es bem cariocas. A\u00ea mulek!<\/p>\n<p>A foto doeu fundo, e talvez mais funda ainda tenha sido a dor de ver na postagem que fiz na p\u00e1gina do Vidiga! as frases de sempre, repetidas ao infinito: \u201ct\u00e1 com d\u00f3? Leva pra casa\u201d. Ou \u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d. Pra come\u00e7ar: quem sabe quem eles eram? Depois saiu a informa\u00e7\u00e3o: tr\u00eas sequer tinham passagem. Os outros tr\u00eas, eram fichados por crimes leves.<\/p>\n<p>Os questionamentos que fiz ali s\u00e3o: se matar trouxesse paz, o Rio de Janeiro j\u00e1 tinha virado Estocolmo. Simplesmente \u00e9 preciso mudar de estrat\u00e9gia, porque essa n\u00e3o serve. E, mais ainda: onde est\u00e1 a chance de mudar? No sert\u00e3o, Padre C\u00edcero pregava: \u201cQuem roubou, n\u00e3o roube mais. Quem matou, n\u00e3o mate mais\u201d. Em nenhum momento da minha vida vi algu\u00e9m s\u00e1bio que pregasse a paz pedindo guerra. Mas coment\u00e1rios, cita\u00e7\u00f5es b\u00edblicas s\u00e3o usadas para justificar decretos de morte.<\/p>\n<p>Quando cheguei no morro ainda havia (ainda h\u00e1) a mem\u00f3ria da guerra, que foi o enfrentamento entre duas fac\u00e7\u00f5es, entre 2004 e 2006, que teve o grand finale com sete caras mortos pelo BOPE dentro de uma casa invadida. O dono da resid\u00eancia, estirado no ch\u00e3o sob a arma da pol\u00edcia, vendo um por morrer, tentava dizer que n\u00e3o era bandido. S\u00f3 se salvou porque sua cachorra o lambeu, provando que morava ali. Ele estava rendido, e ia ser morto, porque o BOPE n\u00e3o prende, s\u00f3 mata. Desde sempre, a mesma t\u00e1tica: atirar, depois perguntar o nome.<\/p>\n<p>A chance de mudar (por conta pr\u00f3pria) foi uma das poucas mudan\u00e7as que a UPP trouxe \u00e0s favelas cariocas: como o tr\u00e1fico armado ficou complicado, muita gente que n\u00e3o era fichada viu ali a chance de deixar essa vida pra tr\u00e1s.\u00a0Vida de traficante soldado, no geral, \u00e9 curta: ou morre, ou cansa. \u00c9 quase imposs\u00edvel ficar um tempo l\u00e1 e n\u00e3o esbarrar com v\u00e1rios\u00a0que cansaram e agora est\u00e3o na labuta honesta. Voc\u00ea lida com v\u00e1rios destes caras que a sociedade chama de monstros e quer mortos, mas que agora est\u00e3o fazendo trabalhos cansativos e depois curtindo um churrasco na laje. Um dia, um deles veio desabafar comigo.\u00a0Ele me\u00a0contou que simplesmente entrou na sala do capit\u00e3o da UPP e disse: \u201ceu t\u00f4 fora. Mas s\u00f3 vou cair fora se voc\u00eas me derem a garantia de que n\u00e3o v\u00e3o ficar no meu p\u00e9\u201d. E nesse dia ele estava inconsol\u00e1vel, porque tinha um policial que amea\u00e7ava tomar o colete de\u00a0motot\u00e1xi\u00a0dele a toda hora. Como ele \u00e9 inteligente, estava meio que conscientizando os outros a se organizarem como categoria. E ele me falava: \u201cfim de semana que vem, tenho que pagar pens\u00e3o. J\u00e1 me chamaram pra voltar, mas eu n\u00e3o vou\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso entender o contexto todo pra saber qual a animosidade contra a UPP. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma batalha do bem contra o mal. Principalmente no come\u00e7o, eles enchem o saco dos moradores honestos, botam regras que dificultam mais a vida das pessoas do que quando estava o que chamo de \u201ca outra gest\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 os turnos. Turnos de car\u00e1ter. O pessoal sabe se naquela noite \u00e9 policial bem ou mal intencionado, e j\u00e1 sabe se vai ou n\u00e3o vai poder dar uma festa. Porque, sim: al\u00e9m da viol\u00eancia que todo mundo conhece, tem o dia a dia com o controle social extremo. A filosofia da pacifica\u00e7\u00e3o parte do princ\u00edpio que todo mundo \u00e9 suspeito at\u00e9 que se prove o contr\u00e1rio. Assim, aglomera\u00e7\u00f5es populares s\u00e3o temidas e coibidas. O baile funk \u00e9 a primeira coisa a ser proibida. Nem em local fechado, nem com patroc\u00ednio l\u00edcito. H\u00e1 in\u00fameros casos de UPPs que acabaram com festas de crian\u00e7a, ou com a galera reunida num bar vendo o jogo no domingo. J\u00e1 saiu tiro por causa disso no Alem\u00e3o. A bendita resolu\u00e7\u00e3o 013 da Secretaria de Seguran\u00e7a (que caiu agora, mas como n\u00e3o h\u00e1 nada que a substitua, ainda vemos resqu\u00edcios desse filhote da ditadura) s\u00f3 vale nas favelas e d\u00e1 ao comandante a palavra final: ele simplesmente pode decidir que voc\u00ea n\u00e3o vai comemorar seu anivers\u00e1rio.\u00a0Por essa press\u00e3o e pelo hist\u00f3rico de atua\u00e7\u00e3o nas favelas, a\u00e7\u00f5es contra a PM geralmente s\u00e3o comemoradas.<\/p>\n<p>Em 13 de dezembro de 2012, a UPP do Vidigal agiu com viol\u00eancia para acabar com a \u00fanica \u00e1rea de lazer do morro, uma quadra de esportes. Iam construir a sede deles, com um \u201caudit\u00f3rio que voc\u00eas poder\u00e3o usar!\u201d. Ningu\u00e9m queria, fomos pra frente da quadra impedir o trator, que l\u00e1 estava sem autoriza\u00e7\u00e3o da Prefeitura, dona do terreno. Come\u00e7ou um enfrentamento, um PM que j\u00e1 n\u00e3o gostava de mim me deu um tapa na cara, me agarrou pelo cabelo, jogou meu celular no ch\u00e3o (eu filmava a confus\u00e3o) e chutou o aparelho. Eu fiquei puta, voei no pesco\u00e7o dele e fui presa. E quando voltei pro morro, fui procurada por muita gente que vinha me contar as hist\u00f3rias de abuso e, principalmente, me dar os parab\u00e9ns por ter reagido contra \u201cos canas\u201d.\u00a0Tive que viajar pra casa da minha m\u00e3e, porque eu n\u00e3o podia passar num beco, que algum cara, \u00e0s vezes b\u00eabado, vinha me abra\u00e7ar. Ningu\u00e9m queria me atacar. Eles s\u00f3 me achavam uma hero\u00edna, sei l\u00e1. E a\u00ed, pensa: para o morro, a pol\u00edcia n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o e nem os traficantes s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o. Nada melhorou substancialmente para as comunidades pacificadas.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos tons de favela: tudo varia. Varia da localiza\u00e7\u00e3o, varia da fac\u00e7\u00e3o e varia do comando da UPP. Em todos os casos, o que as pessoas de fora consideram uma liberta\u00e7\u00e3o do mal, na realidade \u00e9 um bruta\u00a0choque social sem preparo algum. \u00c9 como se tirassem seu ch\u00e3o. N\u00e3o tem nada a ver com salva\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea vive de um jeito, sob certas regras. A\u00ed chega o Batalh\u00e3o de Choque, e bota as deles. Dois meses depois, entra um novo comando, e manda outras ordens. No come\u00e7o, todo mundo tinha medo de ser visto falando com policial porque a certeza geral \u00e9 de que eles ir\u00e3o embora e as coisas v\u00e3o voltar a ser como eram antes.<\/p>\n<p>Minha opini\u00e3o \u00e9 que a\u00a0UPP n\u00e3o resolve nenhuma das ra\u00edzes do problema, \u00e9 apenas um controle social. Os meninos da favela n\u00e3o sabem nem como a arma foi parar na m\u00e3o deles. Veio pela fronteira? Veio do ex\u00e9rcito? E a droga? Quantas planta\u00e7\u00f5es h\u00e1 nos morros? Veja a casa dos chefes do tr\u00e1fico: qualquer ator de Malha\u00e7\u00e3o tem um apartamento no mesmo n\u00edvel. O pr\u00f3prio Nem, que est\u00e1 calad\u00edssimo, deu a real: metade do que ele ganhava n\u00e3o ficava pra ele, era para comprar a coniv\u00eancia do Estado.\u00a0E isso n\u00e3o \u00e9 segredo pra ningu\u00e9m, est\u00e1 em todos os jornais, e ent\u00e3o me pergunto: por que as pessoas continuam repetindo, como mantras, as mesmas frases \u201cjusticeiras\u201d?<\/p>\n<p>Quando vejo essas pessoas dizendo que bandido bom \u00e9 bandido morto, penso no quanto s\u00e3o manipuladas. O morro n\u00e3o gosta de bandido, tanto quanto o cara do Leblon n\u00e3o gosta. Porque o morador n\u00e3o consegue emprego e carrega a fama do que n\u00e3o \u00e9. E tamb\u00e9m porque, a depender da fac\u00e7\u00e3o no poder, a vida \u00e9 realmente dif\u00edcil.\u00a0Mas eles est\u00e3o dentro do problema, t\u00eam uma vis\u00e3o mais humana da coisa. No geral, no morro, pra quem \u00e9 \u201ccria\u201d, a tend\u00eancia \u00e9 ficar contra a a\u00e7\u00e3o da PM, mesmo que os mortos sejam criminosos. Porque eles est\u00e3o no \u201ccaminho errado\u201d, mas s\u00e3o filhos da Dona Maria, jogam bola com voc\u00ea desde moleque.\u00a0O morador n\u00e3o gosta do crime, mas n\u00e3o quer ver o vizinho morto. Eles s\u00f3 querem que saiam dessa vida.<\/p>\n<p>Quando cheguei ao Vidigal, tinha medo de traficante e aguardava ansiosa a pacifica\u00e7\u00e3o. Mas, meses depois, eu achava que tinha alguma coisa muito errada com a sociedade, e n\u00e3o com a favela. Porque nunca tinha visto uma organiza\u00e7\u00e3o social t\u00e3o boa quanto aquela. N\u00e3o havia assaltos, dormia-se de porta aberta. Eles controlavam o tr\u00e2nsito, o lixo (ai de quem sujasse o morro!),\u00a0se preocupam com a comunidade, de verdade \u2013 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 essa moeda de troca para comprar a coniv\u00eancia alheia. Faziam quadras de esporte, cal\u00e7avam as ruas,\u00a0enfim: \u00e9 muito mais complexo do que a gente sabe quando t\u00e1 fora, ou quando\u00a0vai fazer tour.<\/p>\n<p>Lembro de uma noite em que voltava de uma festa e encostei numa grade para ver a lua. Sem querer bati em algo, e um cara falou: \u201cei, meu bagulho\u201d. Era um traficante no posto dele. Pedi desculpas, expliquei o que tava fazendo. Ele parou do meu lado, botou o cotovelo onde o meu estava apoiado e disse: \u201ca vista daqui \u00e9 foda, n\u00e9? N\u00e3o tem vista mais linda que a do Vidigal. Fico aqui toda noite, s\u00f3 admirando\u201d. \u00a0Ent\u00e3o me confundi mais ainda: um \u201cmarginal\u201d, \u201cbandido\u201d e \u201cvagabundo\u201d que gosta de filosofar e ver o mar. Ah, se a vida fosse t\u00e3o simples quanto o bem e o mal.<\/p>\n<p>E a solu\u00e7\u00e3o pra essa confus\u00e3o toda que a\u00ed est\u00e1? \u00c9 ir na origem do problema: se as pessoas n\u00e3o querem que um \u201cvagabundo\u201d assalte a \u201cirm\u00e3 ou m\u00e3e\u201d deles (sempre o mesmo exemplo) deveriam cobrar uma a\u00e7\u00e3o global em seguran\u00e7a. Pegando os grandes bandidos que controlam o tr\u00e1fico de armas e drogas, e que n\u00e3o costumam sujar a gravata de sangue, os moleques de havaianas na favela n\u00e3o v\u00e3o morrer \u00e0s centenas, porque eles s\u00e3o apenas a pontinha do problema. Perto de quem realmente manda, esses moleques estendidos no ch\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o perigosos quanto o Patati e Patat\u00e1.<\/p>\n<p>Faz-se urgente\u00a0desmilitarizar a pol\u00edcia \u2013 n\u00e3o acabar com ela, mas mudar sua forma de atuar, e principalmente suas condi\u00e7\u00f5es de remunera\u00e7\u00e3o e trabalho. O \u00f3dio \u00e0 pol\u00edcia n\u00e3o \u00e9 contra\u00a0o fulano ou o beltrano que ficam de plant\u00e3o na sua viela. \u00c9 \u00e0 institui\u00e7\u00e3o\u00a0policial, como um todo, que est\u00e1 sem credibilidade. Ao mesmo tempo,\u00a0fazer o que tem que ser feito: tornar, realmente, a favela um territ\u00f3rio da cidade, com direito a saneamento, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade.\u00a0Mas, pra ser sincera, acho que isso n\u00e3o vai acontecer. Quem legisla geralmente tem interesse na viol\u00eancia e na pobreza.\u00a0Estamos entrando numa guerra civil que vai se estender por anos. Os assaltos na rua, hoje, n\u00e3o s\u00e3o uma quest\u00e3o apenas de grana. A viol\u00eancia n\u00e3o diminuiu em lugares onde a pobreza caiu.\u00a0\u00c9 uma gera\u00e7\u00e3o impregnada de \u00f3dio. N\u00e3o \u00e9 mais o guri que subia o morro com uma bolsa que tinha len\u00e7os e documentos, pra finalmente a m\u00e3e se identificar, mas sim o que vai pegar o playboy filho da puta que bate palma para o mundo ideal que a Sherazade prega. Contra o \u201chomem de bem\u201d. Mas ele n\u00e3o tem consci\u00eancia da raz\u00e3o pela qual est\u00e1 fazendo isso. S\u00f3 sabe que h\u00e1 um \u00f3dio muito grande dentro dele.<\/p>\n<p>Estou bem desanimada com o futuro. No Vidigal, conta-se os anos para que todos os pobres estejam fora. O mesmo acontece, lentamente, com a Rocinha. Acho que s\u00f3 uma trag\u00e9dia muito grande vai parar isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assustadoras a imagem e as a\u00e7\u00f5es, comemoradas em p\u00e1ginas de Facebook do Bope, dando conta de que as mortes de dois soldados estariam sendo vingadas e sua honra lavada com sangue de jovens corpos negros estirados nas escadarias de um morro qualquer no Rio de Janeiro. H\u00e1 um ditado de origem do continente africano que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3822"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3822"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3822\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3823,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3822\/revisions\/3823"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3822"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3822"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}