{"id":40195,"date":"2015-08-30T18:58:07","date_gmt":"2015-08-30T21:58:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/?p=40195"},"modified":"2015-08-30T19:01:48","modified_gmt":"2015-08-30T22:01:48","slug":"de-smartphones-indios-aderem-as-redes-sociais-em-reserva-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/2015\/08\/30\/de-smartphones-indios-aderem-as-redes-sociais-em-reserva-na-bahia\/","title":{"rendered":"De smartphones, \u00edndios aderem \u00e0s redes sociais em reserva na Bahia"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 a forma mais r\u00e1pida de a gente se comunicar. A gente j\u00e1 est\u00e1 civilizado mesmo, n\u00e9? Ent\u00e3o, tem que usar&#8221;<\/h3>\n<div class=\"single-text\">\n<div>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Na m\u00e3o direita, o psicopedagogo Lymbo Perigipe, 39 anos, segura um smartphone com sistema operacional Android. Como muitos brasileiros, est\u00e1 insatisfeito com a cobertura\u00a0da operadora de telefonia. \u201cQuando a gente vai mandar as mensagens no WhatsApp para os amigos, nem d\u00e1 para responder. Fica avisando que j\u00e1 gastou 80% do 3G, depois vem 100% e acabou tudo. Essa operadora fica roubando meus cr\u00e9ditos\u201d, queixa-se.<\/h3>\n<\/div>\n<div>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 a\u00ed, nada muito diferente. Mas, na m\u00e3o esquerda, Lymbo ostentava uma chanduka \u2013 um cachimbo t\u00edpico da tribo ind\u00edgena Fulni\u00f4. \u201cS\u00e3o dois meios de comunica\u00e7\u00e3o\u201d, diz, referindo-se tanto ao celular quanto ao apetrecho. \u201cEsse aqui \u00e9 para se comunicar com a natureza, que \u00e9 a nossa espiritualidade, e esse aqui (o smartphone) \u00e9 para falar com voc\u00eas que n\u00e3o sabem fazer sinal de fuma\u00e7a\u201d, brinca, apontando para os n\u00e3o-\u00edndios que visitavam a reserva ind\u00edgena Th\u00e1-fene, em Lauro de Freitas, na quarta-feira.<img loading=\"lazy\" class=\"alignleft  wp-image-40196\" src=\"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/indio.jpg\" alt=\"indio\" width=\"585\" height=\"390\" srcset=\"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/indio.jpg 620w, https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/indio-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 585px) 100vw, 585px\" \/><br \/>\nS\u00f3 que o sinal de fuma\u00e7a j\u00e1 ficou antiquado para contatar quem ficou nas aldeias. \u00cdndio tamb\u00e9m quer fazer parte do mundo do Facebook e do WhatsApp. \u201cA gente usa \u00a0Skype tamb\u00e9m. Dos mais novos, todo mundo tem. Agora, os velhos n\u00e3o t\u00eam, n\u00e3o. Eles dizem \u2018isso \u00e9 coisa do c\u00e3o\u2019\u201d, conta a \u00edndia Cynthia Santos, 22, que \u00e9 dos Kariri Xoc\u00f3, mas veio para a Th\u00e1-fene pela primeira vez h\u00e1 dez anos.Lymbo \u00e9 um dos 12 \u00edndios que vivem no local, que fica a pouco mais de 10 quil\u00f4metros do centro do munic\u00edpio da Regi\u00e3o Metropolitana de Salvador. Em um terreno de 28 mil metros quadrados, membros de duas etnias \u2013 Fulni\u00f4, de Pernambuco, e Kariri Xoc\u00f3, de Alagoas &#8211; convivem como uma pequena sucursal de suas tribos originais. Aqui, \u00a0a reserva virou ponto de encontro desses \u00edndios, que t\u00eam como tra\u00e7o marcante de sua cultura o fato de serem n\u00f4mades. Em algumas \u00e9pocas do ano, a reserva chega a receber 40, 50 \u00edndios de uma vez.<\/h3>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 a forma mais r\u00e1pida de a gente se comunicar. A gente j\u00e1 est\u00e1 civilizado mesmo, n\u00e9? Ent\u00e3o, tem que usar. Se acontece alguma coisa, a gente fica sabendo na mesma hora\u201d.<\/h3>\n<\/div>\n<div>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Conex\u00e3o<br \/>\nNa Th\u00e1-fene, n\u00e3o existe Wifi. Apesar de terem um modem de internet para computador, a melhor op\u00e7\u00e3o para eles \u00e9 a internet 3G dos celulares \u00a0\u2013 \u00a0para \u00a0infelicidade de Lymbo. O l\u00edder da tribo (ele n\u00e3o quer ser chamado nem de paj\u00e9, nem de cacique), Wakay C\u00edcero Pontes, 41, usa a conta que tem no Facebook h\u00e1 cinco anos para divulgar oficinas realizadas pela tribo, al\u00e9m de seu pr\u00f3prio trabalho como cantor. Wakay j\u00e1 gravou um CD e chegou a vender 17 mil c\u00f3pias, com m\u00fasicas \u00a0escritas, cantadas e tocadas por ele em sua flauta.<\/h3>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cT\u00e1 ali a televis\u00e3o, o celular, todo mundo agora com a mente ocupada. Mas eu crio metas, \u00a0crio movimentos onde se interaja, para passar por uma reciclagem\u201d, conta ele, enquanto mostra, na TV de LCD, v\u00eddeos de apresenta\u00e7\u00f5es de m\u00fasica que fez este ano, gravados em um pendrive. Mas ele garante que, apesar de toda a tecnologia que chega na reserva \u2013 na cozinha, por exemplo, h\u00e1 at\u00e9 uma sanduicheira el\u00e9trica \u2013, os costumes tradicionais n\u00e3o mudam.<\/h3>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Nas paredes, h\u00e1 pinturas e palavras escritas em yat\u00ea, a l\u00edngua original das tribos. No centro da sala, ao lado da televis\u00e3o, v\u00e1rias flechas, flautas, arcos, pedras e pe\u00e7as de artesanato parecem compor um santu\u00e1rio. \u201cMas isso aqui \u00e9 meu arm\u00e1rio\u201d, diz Wakay, enquanto mostra seus instrumentos e at\u00e9 um peda\u00e7o de meteorito, que teria ca\u00eddo na mata h\u00e1 alguns anos.<\/h3>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cVoc\u00ea n\u00e3o pode chegar na casa de um ind\u00edgena de origem e s\u00f3 encontrar geladeira, televis\u00e3o\u201d, acredita Wakay. Para ele, as caracter\u00edsticas do resgate e da preserva\u00e7\u00e3o da identidade, \u201ccabe a cada um se conscientizar\u201d. \u201cPor que n\u00e3o juntar o \u00fatil ao agrad\u00e1vel? O que tem a ver tecnologia e responsabilidade cultural? Elas est\u00e3o juntas\u201d, conclui.<\/h3>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Os \u00edndios garantem que ningu\u00e9m deixa de fazer nenhuma obriga\u00e7\u00e3o da aldeia devido \u00e0 vida na cidade. Na \u00e9poca do Ouricuri, um dos principais rituais tanto dos Fulni\u00f4 quanto dos Kariri Xoc\u00f3, n\u00e3o tem internet, celular e televis\u00e3o. \u201cQuando a gente est\u00e1 l\u00e1, isso da\u00ed \u00e9 abominado. N\u00e3o existe, at\u00e9 porque n\u00e3o tem energia, luz, essas coisas. \u00c9 tudo natural. A gente vai para a mata para carregar as energias e fica afastado de tudo. S\u00f3 tem fogueira e mata\u201d, conta a \u00edndia Cynthia. O Ouricuri pode durar at\u00e9 tr\u00eas meses e s\u00f3 \u00edndios t\u00eam permiss\u00e3o para participar. No caso dos Fulni\u00f4, acontece em setembro. J\u00e1 para os Kariri Xoc\u00f3, em janeiro.<\/h3>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">E, mesmo chateado com a falta de 3G, Lymbo diz que o tempo da fam\u00edlia \u00e9 sagrado. \u201cA tecnologia ajuda muito, mas a gente n\u00e3o pode viver em fun\u00e7\u00e3o disso, porque rouba nossa energia. N\u00f3s temos que ensinar as crian\u00e7as a valorizar a pr\u00f3pria energia\u201d, filosofa.<\/h3>\n<h3 class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Veja v\u00eddeo:<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vYDrZp2WNAw\" width=\"584\" height=\"377\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c\u00c9 a forma mais r\u00e1pida de a gente se comunicar. A gente j\u00e1 est\u00e1 civilizado mesmo, n\u00e9? 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