{"id":43574,"date":"2015-10-14T15:53:16","date_gmt":"2015-10-14T18:53:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/?p=43574"},"modified":"2015-10-14T15:53:16","modified_gmt":"2015-10-14T18:53:16","slug":"dinheiro-nao-tras-felicidade-nao-diz-nobel-de-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/2015\/10\/14\/dinheiro-nao-tras-felicidade-nao-diz-nobel-de-economia\/","title":{"rendered":"DINHEIRO N\u00c3O TR\u00c1S FELICIDADE? N\u00c3O, DIZ NOBEL DE ECONOMIA"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_43575\" style=\"width: 596px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-43575\" loading=\"lazy\" class=\"  wp-image-43575\" src=\"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ALX.jpeg\" alt=\"ALX\" width=\"586\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ALX.jpeg 690w, https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/ALX-300x225.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 586px) 100vw, 586px\" \/><p id=\"caption-attachment-43575\" class=\"wp-caption-text\">O economista Angus Deaton durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, ap\u00f3s o an\u00fancio de seu nome como vencedor do Pr\u00eamio Nobel de Economia 2015<\/p><\/div>\n<h3 class=\"col-xs-13\" style=\"text-align: justify;\">Estudo publicado em 2010 por Angus Deaton, professor de Princeton vencedor do Nobel deste ano, fez correla\u00e7\u00e3o entre renda e \u00edndices de satisfa\u00e7\u00e3o pessoal<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Dinheiro traz felicidade? A pergunta, combust\u00edvel para algazarrentas conversas de mesa de bar, tamb\u00e9m tem sido objeto de estudos de alguns dos c\u00e9rebros mais brilhantes do mundo. O professor Angus Deaton, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, anunciado nesta segunda-feira como<strong><a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/economia\/britanico-angus-deaton-vence-o-nobel-de-economia\" rel=\"\">vencedor do Pr\u00eamio Nobel de Economia de 2015<\/a><\/strong>, \u00e9 uma das mentes que j\u00e1 se dedicaram \u00e0 quest\u00e3o. A conclus\u00e3o do professor: dinheiro n\u00e3o necessariamente traz felicidade &#8211; mas a falta dele pode acentuar a ang\u00fastia de quem j\u00e1 n\u00e3o anda muito animado.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Deaton escreveu sobre o tema em 2010, em parceria com Daniel Kahneman &#8211; tamb\u00e9m ele vencedor do Nobel de Economia, em 2002. No estudo publicado pela dupla, eles fizeram a correla\u00e7\u00e3o entre o n\u00edvel de renda de diferentes estratos da popula\u00e7\u00e3o americana e uma s\u00e9rie respostas sobre satisfa\u00e7\u00e3o pessoal e bem-estar emocional colhidas entre 2008 e 2009 pelo Instituto Gallup. Ao longo desses dois anos, o instituto ouviu diariamente um grupo de mais de 1.000 pessoas que moram nos Estados Unidos. Ao fim do levantamento, havia mais de 450.000 respostas para ser dissecadas.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Primeiro, escreveu Deaton, \u00e9 preciso mostrar que existe diferen\u00e7a entre bem-estar emocional e avalia\u00e7\u00e3o de vida. Embora a diferen\u00e7a pare\u00e7a ser apenas sem\u00e2ntica, ela \u00e9 fundamental para dar profundidade ao debate &#8211; e a confus\u00e3o entre os conceitos \u00e9 a origem de tantas pesquisas in\u00f3cuas sobre o tema, afirma o professor. Bem-estar refere-se a sensa\u00e7\u00f5es do cotidiano, como alegria, tristeza, raiva e estresse, e a avalia\u00e7\u00e3o de vida \u00e9 a leitura &#8220;de fundo&#8221; que o indiv\u00edduo faz sobre si mesmo. &#8220;Como voc\u00ea estava ontem?&#8221; \u00e9 uma pergunta sobre bem-estar. &#8220;No geral, voc\u00ea est\u00e1 satisfeito com a vida que leva?&#8221; trata de avalia\u00e7\u00e3o de vida.<\/h3>\n<p><!--more--><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Ao separar esses dois grupos de respostas e cruzar os dados com os diferentes n\u00edveis de renda, Deaton e Kahneman descobriram que pessoas que ganham bons sal\u00e1rios aparecem com mais frequ\u00eancia entre as que t\u00eam uma avalia\u00e7\u00e3o positiva sobre suas vidas &#8211; mas n\u00e3o necessariamente se dizem felizes. &#8220;N\u00f3s conclu\u00edmos&#8221;, diz a pesquisa, &#8220;que renda alta compra satisfa\u00e7\u00e3o de vida, mas n\u00e3o felicidade.&#8221; O que n\u00e3o quer dizer que o dinheiro n\u00e3o seja um bom estimulante para o estado de esp\u00edrito: na pesquisa, pessoas com renda muito baixa foram as que disseram com mais frequ\u00eancia estar insatisfeitas tanto com seu cotidiano quanto com sua vida em linhas mais gerais.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Deaton e Kahneman escreveram ainda que o grau de bem-estar \u00e9 maior quanto mais alta \u00e9 a renda, segundo as respostas da pesquisa, mas, a partir de uma renda de 75.000 d\u00f3lares anuais (montante 25% maior que a renda per capita americana, que \u00e9 de 55.000 d\u00f3lares), o teor das respostas praticamente n\u00e3o muda. Em outras palavras: aumentar a renda indefinidamente n\u00e3o aumenta a felicidade indefinidamente.<\/h3>\n<h3 class=\"leia-mais\" style=\"text-align: justify;\"><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O tema do estudo publicado em 2010 pode soar demasiadamente &#8220;mundano&#8221;, mas isso n\u00e3o diminui sua relev\u00e2ncia. Ao dar \u00eanfase \u00e0 diferencia\u00e7\u00e3o de dois &#8220;tipos&#8221; de felicidade, os autores ajudam a dar norte para pesquisas de amostragem sobre renda, consumo e sa\u00fade p\u00fablica, por exemplo, o que pode abrir novas perspectivas para a defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. &#8220;Se ambos os aspectos de bem-estar subjetivo s\u00e3o considerados importantes, a separa\u00e7\u00e3o de suas medidas \u00e9 uma vantagem&#8221;, dizem os economistas.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00canfase aos desiguais<\/strong> &#8211; \u00c9 claro que n\u00e3o foi um artigo de cinco p\u00e1ginas, com a resposta (que n\u00e3o \u00e9 definitiva, salientaram os autores) a uma pergunta t\u00e3o prosaica, que deu ao escoc\u00eas Angus Deaton o Nobel de Economia de 2015. Mas esse artigo \u00e9 uma amostra dos temas abordados e tamb\u00e9m do <em>modus operandi<\/em> do professor: a valoriza\u00e7\u00e3o da voz dos indiv\u00edduos em detrimento de amostragens sem rosto, a recusa a mensurar bem-estar apenas com base exclusivamente em consumo &#8211; uma pr\u00e1tica comum entre acad\u00eamicos na atualidade &#8211; e o esfor\u00e7o de cruzar teorias e dados para encontrar onde est\u00e1 o ponto cego das conclus\u00f5es de seus colegas.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A primeira grande contribui\u00e7\u00e3o de Deaton \u00e0 literatura acad\u00eamica foi a de atestar que as medidas agregadas de consumo nacional n\u00e3o s\u00e3o a previs\u00e3o exata do comportamento de cada indiv\u00edduo. Embora isso soe \u00f3bvio hoje, era um tema controverso quando Deaton come\u00e7ou a se debru\u00e7ar sobre ele, no come\u00e7o da d\u00e9cada de 70.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Ao se dedicar ao estudo da diferen\u00e7a entre os indiv\u00edduos &#8211; o que exige a cria\u00e7\u00e3o de modelos mais precisos para estudar o conjunto da popula\u00e7\u00e3o -, Deaton acabou seguindo um caminho correlato: o de estudar o comportamento dos consumidores. Dessa linha de estudo surgiu o &#8220;Paradoxo de Deaton&#8221;, segundo o qual o consumo varia muito lentamente, mesmo com varia\u00e7\u00f5es bruscas de renda.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Por se debru\u00e7ar sobre a identifica\u00e7\u00e3o de desigualdades, Deaton acabou enveredando para o estudo dos mais desiguais entre os desiguais: as economias pobres e emergentes. Nessa seara, o Nobel de Economia de 2015 tem tentado entender a origem e as consequ\u00eancias da pobreza dos pa\u00edses e apontar como s\u00e3o imprecisos os crit\u00e9rios de mensura\u00e7\u00e3o de consumo e pobreza adotados por acad\u00eamicos e organismos internacionais, como o Banco Mundial. A \u00cdndia tem sido um objeto de particular aten\u00e7\u00e3o de Deaton. Mais uma vez, n\u00e3o parece ser casualidade: a \u00cdndia \u00e9 o pa\u00eds mais desigual do G-20, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, e um dos mais desiguais do mundo.<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo publicado em 2010 por Angus Deaton, professor de Princeton vencedor do Nobel deste ano, fez correla\u00e7\u00e3o entre renda e \u00edndices de satisfa\u00e7\u00e3o pessoal Dinheiro traz felicidade? A pergunta, combust\u00edvel para algazarrentas conversas de mesa de bar, tamb\u00e9m tem sido objeto de estudos de alguns dos c\u00e9rebros mais brilhantes do mundo. 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