{"id":46107,"date":"2015-11-30T06:15:08","date_gmt":"2015-11-30T09:15:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/?p=46107"},"modified":"2015-11-28T12:36:48","modified_gmt":"2015-11-28T15:36:48","slug":"tido-como-morto-rio-doce-ressuscitara-em-5-meses-diz-pesquisador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/2015\/11\/30\/tido-como-morto-rio-doce-ressuscitara-em-5-meses-diz-pesquisador\/","title":{"rendered":"Tido como morto, Rio Doce &#8216;ressuscitar\u00e1&#8217; em 5 meses, diz pesquisador"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify;\">Paulo Rosman, que fez pesquisa encomendada pelo governo, diz \u00e0 BBC Brasil que efeitos da lama de Mariana no mar ser\u00e3o &#8216;desprez\u00edveis&#8217;, que material se espalhar\u00e1 por \u00e1rea limitada e que a colora\u00e7\u00e3o barrenta deve se dissipar.<\/h3>\n<h3 class=\"foto componente_materia midia-largura-620\" style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-46108\" src=\"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/barr.jpg\" alt=\"barr\" width=\"585\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/barr.jpg 620w, https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/barr-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 585px) 100vw, 585px\" \/>Vista a\u00e9rea do Rio Doce desaguando no mar de Reg\u00eancia, no Esp\u00edrito Santo , em 23 de novembro (Foto: Ricardo Moraes\/Reuters)<\/strong><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Embora esteja considerado atualmente &#8220;morto&#8221;, o rio Doce, que recebeu mais de 25 mil piscinas ol\u00edmpicas de lama proveniente do rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG), &#8220;vai ressuscitar&#8221; em at\u00e9 cinco meses, no final da \u00e9poca de chuvas, em abril do pr\u00f3ximo ano.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 de Paulo Rosman, professor de Engenharia Costeira da COPPE\/UFRJ e autor de um estudo encomendado pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente para avaliar os impactos e a extens\u00e3o da chegada da lama ao mar, ocorrida no \u00faltimo domingo e que afeta a costa do Esp\u00edrito Santo.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Embora especialistas tenham divulgado previs\u00f5es de danos catastr\u00f3ficos, que incluiriam danos \u00e0 reserva marinha de Abrolhos, no sul da Bahia, e um espalhamento da lama por at\u00e9 10 mil m\u00b2, Rosman afirma que os efeitos no mar ser\u00e3o &#8220;desprez\u00edveis&#8221;, que o material se espalhar\u00e1 por no m\u00e1ximo 9 km e que em poucos dias a colora\u00e7\u00e3o barrenta deve se dissipar.<\/h3>\n<div id=\"entenda_o_caso_438\" class=\"entenda-o-caso componente_materia\">\u00a0<a class=\"box-entenda-o-caso\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/minas-gerais\/desastre-ambiental-em-mariana\/index.html\"><img loading=\"lazy\" class=\"foto-caso\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/zRyTPOE70DJeIC1c72L2BQDSNk0=\/0x147:1700x911\/300x135\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/11\/05\/ant20151105004.jpg\" alt=\"\" width=\"585\" height=\"265\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"conteudo\">\n<h3 class=\"titulo\" style=\"text-align: justify;\">DESASTRE AMBIENTAL<\/h3>\n<h3 class=\"sub-titulo\" style=\"text-align: justify;\">Barragem se rompe em Mariana, MG<\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Para ele, h\u00e1 tr\u00eas diferentes cen\u00e1rios de gravidade do desastre e de velocidade de recupera\u00e7\u00e3o. No alto, onde a barragem se rompeu, pr\u00f3ximo ao distrito de Bento Rodrigues, deve durar mais de um ano e depender\u00e1 de opera\u00e7\u00f5es de limpeza dos escombros e de um programa de reflorestamento. Para ele, a sociedade e os governos mineiro e federal precisam cobrar de Vale e BHP Hillington, donas da Samarco, o processo de reflorestamento e reconstru\u00e7\u00e3o ambiental, de custo &#8220;insignificante&#8221; para as empresas.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Ele diz que, na maior parte do percurso do rio Doce, as pr\u00f3prias chuvas devem limpar os estragos e os peixes devem voltar ao rio no per\u00edodo de cinco meses, e, no mar, a dilui\u00e7\u00e3o dos sedimentos deve ocorrer de forma mais r\u00e1pida &#8211; at\u00e9 janeiro do pr\u00f3ximo ano.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, o especialista considera &#8220;inaceit\u00e1vel&#8221; que o governo permita que as pessoas voltem a morar nas regi\u00f5es afetadas e que seria &#8220;criminoso&#8221; n\u00e3o retirar os outros povoados que se encontram nas linhas de avalanche de outras barragens.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Leia os principais trechos da entrevista:<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC Brasil &#8211;<\/strong> Nos \u00faltimos dias, especialistas, ativistas, moradores, pescadores e ind\u00edgenas t\u00eam repetido que o rio Doce &#8220;est\u00e1 morto&#8221;. O senhor diz que ele &#8220;vai ressuscitar&#8221;. Como isto deve acontecer?<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Paulo Rosman &#8211;<\/strong> Eu vou repetir um chav\u00e3o muito conhecido: o tempo \u00e9 o senhor da raz\u00e3o. H\u00e1 a vis\u00e3o quantitativa e fria do pesquisador, do cientista, e a vis\u00e3o emocional e por vezes desesperada do morador, do pescador e do \u00edndio. Os dois est\u00e3o expressando as suas raz\u00f5es. Nenhum dos dois est\u00e1 certo ou errado.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">No caso da ci\u00eancia as coisas s\u00e3o mais factuais, quantitativas, mais num\u00e9ricas. No caso do ind\u00edgena, ele constata e sofre com a &#8220;morte&#8221; do rio. A diferen\u00e7a \u00e9 que o rio est\u00e1 morto neste momento, \u00e9 verdade, mas ressuscitar\u00e1 muito rapidamente, e eles v\u00e3o poder comprovar isso.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 muitos exemplos de acidentes muito mais graves e mais s\u00e9rios do que este da barragem de Mariana. Veja a erup\u00e7\u00e3o vulc\u00e2nica do monte Santa Helena, nos Estados Unidos (em 1980). Foi tudo devastado e destru\u00eddo, numa \u00e1rea imensamente maior. Voc\u00ea vai l\u00e1 hoje e v\u00ea que os animais voltaram e a mata voltou.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Para fazer a conta, voc\u00ea tem que pegar o peso da lama e dividir pela massa espec\u00edfica dessa lama. Se neste momento eu tenho 4 kg\/m\u00b3 de \u00e1gua e for dividir pela massa da lama, d\u00e1 mais ou menos 1,3 mm. Ent\u00e3o isso significa que se esses sedimentos todos se depositassem no fundo do rio formariam um tapete de 1 mm de espessura, o que nem vai acontecer, porque a correnteza vai levar.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">As fortes chuvas entre novembro e abril &#8220;lavar\u00e3o&#8221; o rio Doce, num processo natural.<\/h3>\n<div id=\"entenda_o_caso_451\" class=\"entenda-o-caso componente_materia\">\u00a0<a class=\"box-entenda-o-caso\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/minas-gerais\/desastre-ambiental-em-mariana\/rio-doce-o-caminho-da-lama.html\"><img loading=\"lazy\" class=\"foto-caso\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/1p5gIfD21oDmPVB9yPGsbtE2ddQ=\/0x435:1600x1155\/300x135\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/11\/24\/boia-mangue.jpg\" alt=\"\" width=\"585\" height=\"265\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"conteudo\">\n<h3 class=\"titulo\" style=\"text-align: justify;\">CAMINHO DA LAMA<\/h3>\n<h3 class=\"sub-titulo\" style=\"text-align: justify;\">G1 percorre margens do Rio Doce<\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Digo isso baseado em quantidades de sedimentos, em conhecimentos de processos sedimentol\u00f3gicos, na din\u00e2mica de transporte desses sedimentos pelas correntes dos rios, dos estu\u00e1rios, das zonas costeiras. Ent\u00e3o essas coisas s\u00e3o relativamente r\u00e1pidas, a natureza se adapta, se reconstr\u00f3i, se modifica.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC Brasil &#8211;<\/strong> Como o senhor avalia a mortandade e o retorno de peixes ao rio, posteriormente? E como responde a especialistas que avaliam que a recupera\u00e7\u00e3o da \u00e1rea e do rio pode levar mais de dez anos?<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Rosman &#8211; <\/strong>A onda de lama matou os peixes, mas o volume, pelo que eu vi publicado nos jornais, representa uma quantidade muito baixa. A n\u00e3o ser que tenha havido algum erro de c\u00e1lculo, foi divulgado que morreram 8 mil kg de peixes no rio Doce. Veja, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro: quando h\u00e1 uma baixa mortandade, estamos falando em 70 mil peixes, mas este n\u00famero pode chegar a 200 mil, e depois sempre h\u00e1 o retorno. A gente sabe que n\u00e3o demora muito para que a Lagoa encha de peixe de novo.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Quanto aos coment\u00e1rios de especialistas citados, eu diria apenas que eu espero que eles estejam enganados. N\u00e3o vou entrar em discuss\u00e3o. Mas basta olhar coisas que j\u00e1 aconteceram. Por exemplo, a quantidade de sedimentos que desceu dentro do rio Itaja\u00ed-A\u00e7u (SC), no final de 2008, quando ca\u00edram in\u00fameras encostas no vale do Itaja\u00ed, na regi\u00e3o de Itaja\u00ed e Blumenau. Houve um desmoronamento do cais do porto, um mega-assoreamento do canal do porto de Itaja\u00ed, sem contar diversas mortes na trag\u00e9dia. Foi um evento natural, e em quantitativos ele \u00e9 extremamente maior do que esse do rio Doce.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">E o porto de Itaja\u00ed est\u00e1 l\u00e1, o rio Itaja\u00ed-A\u00e7\u00fa est\u00e1 l\u00e1, Blumenau est\u00e1 l\u00e1. O rio voltou ao normal. Sinceramente eu acho que essas pessoas est\u00e3o sendo movidas pelo impacto humano da trag\u00e9dia, pela emo\u00e7\u00e3o. As mortes e os preju\u00edzos s\u00e3o dores e perdas eternas. Mas temos que separar. Para voltar para o plano racional, s\u00f3 deixando o tempo passar.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC Brasil &#8211;<\/strong> \u00c9 poss\u00edvel mensurar a quantidade de sedimentos que chegou ao mar do Esp\u00edrito Santo e o impacto ambiental disso? Dias atr\u00e1s cientistas cogitaram impactos catastr\u00f3ficos nos ecossistemas marinhos da regi\u00e3o.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Rosman &#8211;<\/strong> Sim. De acordo com os \u00faltimos n\u00fameros, a concentra\u00e7\u00e3o a 10 km de dist\u00e2ncia da foz do rio Doce, onde a lama teve contato com o mar, est\u00e1 entre 50 e 20 mg\/l de sedimentos em suspens\u00e3o. Isto \u00e9 muito insignificante para ser considerado um risco ambiental. \u00c9 absolutamente desprez\u00edvel.<\/h3>\n<p><!--more--><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Para se ter uma ideia, a \u00e1gua transparente do mar, costeira, tem tipicamente 5 mg\/l de sedimentos em suspens\u00e3o. A \u00e1gua dentro de uma ba\u00eda tem tipicamente entre 50 mg\/l a 100 mg\/l de sedimentos em suspens\u00e3o. A \u00e1gua de um rio com cor barrenta tem em torno de 500 mg\/l de sedimentos de suspens\u00e3o, s\u00e3o todos dados naturais.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Rios muito barrentos, como o Amazonas, t\u00eam entre 1.500 e 2.000 mg\/l de sedimentos em suspens\u00e3o na \u00e9poca de cheia.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o se a 10 km da foz do rio Doce voc\u00ea vai ter concentra\u00e7\u00f5es de no m\u00e1ximo 50 mg\/l no mar, embora voc\u00ea veja a colora\u00e7\u00e3o diferente por mais algumas semanas, \u00e9 \u00f3bvio que n\u00e3o estamos falando de danos ambientais. Diferentemente de um vazamento de petr\u00f3leo, que voc\u00ea usa bact\u00e9rias para decompor e limpar &#8211; e leva tempo e gera mortalidade de vida marinha muito maior -, no caso atual voc\u00ea n\u00e3o tem como &#8220;limpar&#8221; a lama no mar. Ela se dilui naturalmente, sozinha.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Mesmo que voc\u00ea tenha um padr\u00e3o de ventos que gere correntes fora do usual, a dist\u00e2ncia \u00e9 t\u00e3o grande e a dilui\u00e7\u00e3o \u00e9 de tal ordem que n\u00e3o causaria efeitos danosos em Abrolhos.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC Brasil &#8211;<\/strong> E quanto \u00e0 composi\u00e7\u00e3o destes sedimentos que comp\u00f5em a lama? \u00c9 poss\u00edvel que seja descoberto que t\u00eam uma toxicidade muito maior do que se imagina e que possa causar danos futuros?<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Rosman &#8211;<\/strong> Risco sempre h\u00e1, mas n\u00e3o tenho raz\u00f5es para acreditar nisso. J\u00e1 ouvi pessoas que n\u00e3o s\u00e3o da \u00e1rea darem progn\u00f3sticos devastadores quanto \u00e0 toxicidade desse material. E j\u00e1 ouvi pessoas que s\u00e3o especializadas, da \u00e1rea de geologia, e que conhecem muito bem isso, dizerem o oposto, que se trata de um material de baixa toxicidade.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o n\u00e3o tem grandes impactos persistentes no longo prazo. As pessoas podem tirar da cabe\u00e7a essa ideia de que se trata de algo radioativo, de um veneno ambiental que vai matar tudo e nunca vai sair do ch\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 nada disso.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Para voc\u00ea ter uma ideia, a doutora Marilene Ramos, que \u00e9 a presidente do Ibama, tem doutorado em mec\u00e2nicas do solo. Ela fala inclusive com um conhecimento espec\u00edfico de solo muito maior do que o meu. Ela me disse que esse material n\u00e3o \u00e9 de alta toxicidade e que \u00e9 basicamente areia fina, argila e \u00f3xido de ferro. Claro que tem tra\u00e7os de outras subst\u00e2ncias, mas em concentra\u00e7\u00f5es muito baixas, que n\u00e3o oferecem risco.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC Brasil &#8211;<\/strong> Na sua opini\u00e3o o que deveria ser feito no distrito de Bento Rodrigues (MG), o vilarejo mais devastado pela avalanche de lama? Como limpar ou recuperar o local? E quanto isto pode custar?<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Rosman &#8211;<\/strong> Primeiramente o governo de <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/minas-gerais\">Minas Gerais<\/a> precisar\u00e1 avaliar o que retirar de escombros, de estruturas danificadas, e ver se deixa algo como marco simb\u00f3lico da trag\u00e9dia. \u00c9 um absurdo permitir o retorno das pessoas para aquele local.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Se eu fosse o governo de Minas Gerais obrigaria a Samarco a fazer um parque memorial ali. Fazer um projeto bonito, fazer um paisagismo, uma corre\u00e7\u00e3o de solo, um jardim, e ficaria como mem\u00f3ria, com homenagem \u00e0s pessoas que sofreram essa desgra\u00e7a toda. Ningu\u00e9m vai poder voltar a morar ali.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC Brasil &#8211; <\/strong>O senhor orientaria o governo mineiro a retirar os outros povoados que est\u00e3o na linha de avalanche de outras barragens de rejeito de minera\u00e7\u00e3o?<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Rosman &#8211; <\/strong>Com certeza. Muitas vezes os povoados se formam pr\u00f3ximo \u00e0s barragens porque atraem empregos e com\u00e9rcio. Mas o poder p\u00fablico n\u00e3o poderia permitir a instala\u00e7\u00e3o de povoados em \u00e1reas de passagem de eventos como esse que ocorreu. Hoje n\u00e3o faltam ferramentas computacionais que nos permitem simular um rompimento de uma barragem e mostrar qual \u00e9 a trilha de percurso da avalanche. Atualmente \u00e9 inaceit\u00e1vel e injustific\u00e1vel ter povoados em rotas de avalanche de barragens, ningu\u00e9m poderia morar nestes locais.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC Brasil &#8211; <\/strong>O senhor considera que isto foi uma irresponsabilidade dos atores envolvidos?<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Rosman &#8211; <\/strong>Olha, irresponsabilidade \u00e9 quando voc\u00ea tem consci\u00eancia do fato e n\u00e3o faz nada. Tudo \u00e9 \u00f3bvio depois que voc\u00ea j\u00e1 sabe o que aconteceu. Ou seja, a partir de agora, deste exemplo dram\u00e1tico e catastr\u00f3fico, se o governo n\u00e3o tomar medidas para realocar pessoas em \u00e1reas de alto risco, em outros locais onde se sabe que poderia ocorrer algo semelhante a Mariana ou at\u00e9 pior, eu diria que estar\u00edamos falando de uma atitude mais do que irrespons\u00e1vel, mas sim criminosa.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 duas op\u00e7\u00f5es. Voc\u00ea pode remover o povoado para outro local, ou se o povoado for grande demais, voc\u00ea embarga o neg\u00f3cio l\u00e1 em cima. Para de usar a barragem, estabiliza, deixa secar, e pronto. Transfere a atividade para outro lugar. Tem que ver o que \u00e9 mais vi\u00e1vel.<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Rosman, que fez pesquisa encomendada pelo governo, diz \u00e0 BBC Brasil que efeitos da lama de Mariana no mar ser\u00e3o &#8216;desprez\u00edveis&#8217;, que material se espalhar\u00e1 por \u00e1rea limitada e que a colora\u00e7\u00e3o barrenta deve se dissipar. 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