{"id":60790,"date":"2016-05-22T19:45:29","date_gmt":"2016-05-22T22:45:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/?p=60790"},"modified":"2016-05-22T20:36:31","modified_gmt":"2016-05-22T23:36:31","slug":"novos-codigos-por-que-os-jovens-pintam-os-cabelos-de-azul-o-que-ha-por-tras-desta-e-outras-modas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/2016\/05\/22\/novos-codigos-por-que-os-jovens-pintam-os-cabelos-de-azul-o-que-ha-por-tras-desta-e-outras-modas\/","title":{"rendered":"NOVOS C\u00d3DIGOS: Por que os jovens pintam os cabelos de azul? O que h\u00e1 por tr\u00e1s desta e outras modas?"},"content":{"rendered":"<h1><img loading=\"lazy\" class=\"  wp-image-60791 alignleft\" src=\"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/c\u00f3digos.jpg\" alt=\"c\u00f3digos\" width=\"584\" height=\"292\" srcset=\"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/c\u00f3digos.jpg 800w, https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/c\u00f3digos-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><\/h1>\n<div class=\"thumb\"><\/div>\n<div class=\"content-post\">\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea que est\u00e1 lendo essa mat\u00e9ria \u00e9 bem prov\u00e1vel que j\u00e1 tenha cruzado com um jovem de cabelo pintado de azul pelas ruas da cidade. A \u201cmania\u201d ganhou for\u00e7a em 2014, ap\u00f3s o lan\u00e7amento de \u201cAzul \u00e9 a cor mais quente\u201d, filme do diretor franco-tunisiano Abdellatif Kechiche.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Na hist\u00f3ria, uma adolescente de 16 anos se apaixona por uma mulher mais velha, que tem como tra\u00e7o marcante a tonalidade dos seus cabelos. Desde ent\u00e3o, pintar as madeixas com essa colora\u00e7\u00e3o virou, de certa forma, sin\u00f4nimo de comportamento gay \u2014 muito embora n\u00e3o possa ser resumido a isso.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Potencializado pelo longa, a profus\u00e3o do arco-\u00edris de um \u00fanico tom ganhou for\u00e7a. Para o psic\u00f3logo e mestre em Cultura e Sociedade, Gilmaro Nogueira, esse \u00e9 o catalisador mais comum neste tipo de movimento. \u201cGeralmente tem um acionador, algu\u00e9m da TV, da m\u00fasica, da web. No caso em quest\u00e3o, algum comportamento entendido como diferente, subversivo, que possa de alguma forma singularizar esse jovem\u201d.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Nogueira aponta ainda que esta postura transgressora de normas e conceitos \u00e9 algo t\u00edpico desta faixa et\u00e1ria. \u201cH\u00e1, nos jovens, certo prazer em ir de encontro \u00e0s regras e normas sociais. O que n\u00e3o significa que n\u00e3o as obede\u00e7am, mas que, de fato, h\u00e1 muito mais desobedi\u00eancia, contesta\u00e7\u00e3o. Se expressar livremente, sem normas sociais, \u00e9 imposs\u00edvel, pois sempre estamos atrelados \u00e0s regras, a c\u00f3digo morais que v\u00e3o sendo contestados. Isso produz mudan\u00e7as sociais e muitas delas positivas, pois produz-se novos lugares humanos, novas formas de comportamento\u201d.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Ele diz que a import\u00e2ncia destes comportamentos se reflete na constru\u00e7\u00e3o da ideia de diversidade como algo natural, inserida no processo social. Ao inv\u00e9s de se sentirem estranhas, peixes fora d\u2019\u00e1gua, \u201cos contestadores\u201d passam a enxergar o diferente como normal, em uma esp\u00e9cie de pol\u00edtica de humaniza\u00e7\u00e3o.<\/h3>\n<p><a class=\"lightbox\" href=\"http:\/\/www.aratuonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Lineker.png\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-64001 \" src=\"http:\/\/www.aratuonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Lineker.png\"  alt=\"Lineker\" width=\"584\" height=\"401\" \/><\/a><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Esse comportamento, inclusive, \u00e9 algo revolucion\u00e1rio dentro do pr\u00f3prio movimento gay que, como acontece em praticamente todos os setores de organiza\u00e7\u00e3o coletiva, lida com embates ideol\u00f3gicos pr\u00f3prios, internos.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\u201cMuitos jovens est\u00e3o muito al\u00e9m do movimento gay. S\u00e3o pessoas que produzem novos c\u00f3digos e novas formas de sociabilidade para al\u00e9m do institu\u00eddo. Se fosse pelo movimento gay dominante, todos iriam \u00e0 igreja de gravata e vestido, ou seriam gays e l\u00e9sbicas padr\u00e3o. O movimento gay \u00e9 normativo, higienizado e representa uma parte do comportamento dos gays. H\u00e1 uma parte de gays que n\u00e3o cabe no movimento gay e uma parte de pessoas que n\u00e3o cabe em nenhum movimento, principalmente porque os movimentos, muitas vezes, perdem as singularidades e deixam de valoriz\u00e1-las\u201d, diz Nogueira.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Para ele, h\u00e1 novos grupos, menos institucionalizados, que talvez sejam mais representativos. Bons exemplos s\u00e3o o \u201cBatikoo\u201d (que re\u00fane pessoas em festas com signos da negritude) e os jovens do \u201cTardal\u201d (que se encontram em praias, se beijam, ficam e desobedecem \u00e0s categorias de hetero ou homo), entre outros. \u201cNenhum desses precisa de um CNPJ, uma elei\u00e7\u00e3o para escolha de representante, o que os torna mais singulares e menos normativos\u201d.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m do cabelo azul, o uso de roupas sem g\u00eanero \u00e9 outra importante marca da juventude gay. Brincando com a imposi\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros na moda, eles demonstram, \u00e0 sua maneira, a discord\u00e2ncia com a separa\u00e7\u00e3o entre o universo masculino e feminino. Esse \u201cembaralhamento\u201d aponta o dedo para o problema e sugere que, para eles, h\u00e1 algo de errado com o conceito estabelecido hegemonicamente.<a class=\"lightbox\" href=\"http:\/\/www.aratuonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/rapper.jpg\"><!--more--><\/a><\/h3>\n<p><a class=\"lightbox\" href=\"http:\/\/www.aratuonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/rapper.jpg\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-64002 \" src=\"http:\/\/www.aratuonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/rapper.jpg\"  alt=\"rapper\" width=\"584\" height=\"333\" \/><\/a><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\u201cEste \u00e9 um novogrupo para o qual os c\u00f3digos de g\u00eaneros n\u00e3o s\u00e3o bin\u00e1rios, nem opositores. Assim, ele desobedece a regra que ter um p\u00eanis significa ser homem, macho, viril, etc, o que fazia com que muita gente que n\u00e3o se enquadrasse nesse perfil sofresse constantemente\u201d.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m disto, ele acrescenta que, ao demandar reconhecimento social, o movimento de recodifica\u00e7\u00e3o contribui para a dissemina\u00e7\u00e3o das ideias de respeito e toler\u00e2ncia ao outro, \u00e0quele que \u00e9 diferente de voc\u00ea.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\u201cMuitos desses grupos n\u00e3o apenas questionam a sexualidade, mas a etnicidade\/racialidade, o que os tornam mais subversivos. N\u00e3o quer dizer que tudo seja respeito entre esses jovens, pois ao se questionar quest\u00f5es de classe e ra\u00e7a, podem reiterar padr\u00f5es de sexualidade, e vice-versa, mas que esses movimentos podem ser potentes formas de questionamento do institu\u00eddo, ou melhor, podem ser afirma\u00e7\u00f5es de pontos identit\u00e1rios de diferen\u00e7a, de contesta\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es culturais mais hegem\u00f4nicos ou hier\u00e1rquicos\u201d.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aratu Online<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea que est\u00e1 lendo essa mat\u00e9ria \u00e9 bem prov\u00e1vel que j\u00e1 tenha cruzado com um jovem de cabelo pintado de azul pelas ruas da cidade. A \u201cmania\u201d ganhou for\u00e7a em 2014, ap\u00f3s o lan\u00e7amento de \u201cAzul \u00e9 a cor mais quente\u201d, filme do diretor franco-tunisiano Abdellatif Kechiche. 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