{"id":61318,"date":"2016-05-29T13:34:31","date_gmt":"2016-05-29T16:34:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/?p=61318"},"modified":"2016-05-29T13:34:31","modified_gmt":"2016-05-29T16:34:31","slug":"em-um-ano-numero-de-familias-que-desceu-de-classe-social-chega-a-quase-1-milhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/2016\/05\/29\/em-um-ano-numero-de-familias-que-desceu-de-classe-social-chega-a-quase-1-milhao\/","title":{"rendered":"Em um ano, n\u00famero de fam\u00edlias que desceu de classe social chega a quase 1 milh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"col-xs-13\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" class=\"  wp-image-61319 alignleft\" src=\"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/bolsa-fam\u00edlia.jpeg\" alt=\"bolsa fam\u00edlia\" width=\"585\" height=\"439\" srcset=\"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/bolsa-fam\u00edlia.jpeg 690w, https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/bolsa-fam\u00edlia-300x225.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 585px) 100vw, 585px\" \/>Foi a primeira vez que houve um movimento inverso ao da ascens\u00e3o socioecon\u00f4mica que vinha ocorrendo desde 2008, segundo estudo da Abep<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Faz tr\u00eas meses que o pedreiro Maur\u00edcio Paes de Souza tenta pagar a \u00faltima presta\u00e7\u00e3o do Uno 2007, comprado h\u00e1 quatro anos. A parcela \u00e9 de R$ 630, mas, sem emprego desde janeiro, com a mulher tamb\u00e9m desempregada e dois filhos para sustentar, ele corre o risco de perder o autom\u00f3vel &#8211; assim como j\u00e1 perdeu tantas outras pequenas conquistas de consumo dos \u00faltimos anos. Aos poucos, Souza se d\u00e1 conta de que n\u00e3o pertence mais \u00e0 mesma classe social da qual chegou a fazer parte, como outros milhares de brasileiros. S\u00f3 no \u00faltimo ano, quase um milh\u00e3o de fam\u00edlias desceram um degrau na escala social.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Foi a primeira vez que houve um movimento inverso ao da ascens\u00e3o socioecon\u00f4mica que vinha ocorrendo desde 2008. O estudo, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Pesquisa (Abep), mostra que, de 2015 para 2016, a classe que abrange fam\u00edlias com renda m\u00e9dia de R$ 4,9 mil (chamada de B2) perdeu 533,9 mil domic\u00edlios. A categoria dos que ganham R$ 2,7 mil (C1) encolheu em 456,6 mil fam\u00edlias.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, as classes mais pobres ganharam um refor\u00e7o. Na categoria em que as fam\u00edlias t\u00eam renda m\u00e9dia de R$ 1,6 mil (C2), o incremento foi de 653,6 mil domic\u00edlios. Outras 260 mil fam\u00edlias passaram a fazer parte das classes D e E, com renda m\u00e9dia de apenas R$ 768.<\/h3>\n<p><!--more--><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">&#8220;Porcentualmente, esse movimento \u00e9 pequeno. Mas, em termos absolutos, estamos falando em um acr\u00e9scimo de mais de 910 mil fam\u00edlias nas classes pobres em apenas um ano. \u00c9 um n\u00famero expressivo&#8221;, afirma Luis Pilli, da Abep.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Um resultado que chamou a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que a classe A, a mais rica e que conta com reservas financeiras e de patrim\u00f4nio para se defender da alta da infla\u00e7\u00e3o e do desemprego, cresceu em 109,5 mil fam\u00edlias no per\u00edodo. Com isso, ao todo, 1,023 milh\u00e3o de domic\u00edlios, ou cerca de 4 milh\u00f5es de pessoas, se movimentaram de alguma forma na escala social por causa da crise &#8211; a maioria, por\u00e9m, perdendo o status anterior.<\/h3>\n<h3 class=\"leia-mais\" style=\"text-align: justify;\"><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O que impressiona nessa crise, segundo Pilli, \u00e9 a rapidez com que as fam\u00edlias est\u00e3o abrindo m\u00e3o de itens como o segundo carro ou uma casa maior. &#8220;S\u00e3o decis\u00f5es que geralmente demoram algum tempo para serem tomadas.&#8221;<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O pedreiro Maur\u00edcio Paes de Souza entende bem o que Luis Pilli est\u00e1 querendo dizer. Em pouco tempo, ele perdeu muita coisa. Quando comprou o carro usado, por R$ 15 mil, h\u00e1 quatro anos, costumava gastar R$ 700 por m\u00eas no supermercado, pagando \u00e0 vista. &#8220;Hoje, gasto a metade, procuro promo\u00e7\u00e3o e pego o cart\u00e3o de um e de outro emprestado.&#8221; Os filhos comiam carne todo dia e tinha iogurte na geladeira. Agora, sem o sal\u00e1rio de R$ 3,5 mil, &#8220;\u00e9 arroz e feij\u00e3o e, \u00e0s vezes, falta dinheiro para comprar ovo.&#8221;<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Em breve, o pedreiro pode perder o carro. &#8220;Ficam mandando mensagem de busca e apreens\u00e3o, mas n\u00e3o adianta eu ir l\u00e1 para conversar se n\u00e3o tenho dinheiro.&#8221;<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Baque &#8211;<\/strong> Para Maur\u00edcio de Almeida Prado, s\u00f3cio-diretor da Plano CDE, consultoria especializada na baixa renda, os n\u00fameros da Abep indicam que quem est\u00e1 sentindo o baque da crise \u00e9 principalmente a classe m\u00e9dia. &#8220;Os estratos sociais que dependem do emprego formal foram os mais afetados&#8221;, explica. Os mais pobres, segundo ele, est\u00e3o acostumados com a informalidade. &#8220;Eles se viram muito, fazem coisas em casa, vendem cosm\u00e9ticos, por exemplo. A classe m\u00e9dia mais alta \u00e9 dependente do emprego formal e tem dificuldade de gerar renda extra.&#8221;<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Nesta atualiza\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias por classe, feita pela Abep, foram usados dados dos principais institutos de pesquisas que visitaram as casas dos brasileiros em 2015 e no in\u00edcio deste ano para descobrir como andava o padr\u00e3o de vida da popula\u00e7\u00e3o. A associa\u00e7\u00e3o utiliza o Crit\u00e9rio Brasil, que tenta estimar a renda permanente das pessoas por meio da posse de bens e de outros quesitos.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O coordenador do centro de Pol\u00edticas P\u00fablicas do Insper, Naercio Menezes Filho, acredita que as fam\u00edlias estejam se desfazendo dos ativos e por isso desceram degraus na pir\u00e2mide social. &#8220;Isso era esperado, porque a crise \u00e9 muito forte&#8221;, diz. Ele ressalta, por\u00e9m, que n\u00e3o h\u00e1 n\u00fameros oficiais do IBGE para avaliar esse movimento.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Renda<\/strong><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 Adriano Pitoli, s\u00f3cio da Tend\u00eancias Consultoria Integrada, tra\u00e7a um cen\u00e1rio pior do que o da Abep. Ele estuda as mudan\u00e7as na pir\u00e2mide social olhando apenas a renda monet\u00e1ria recebida pelos trabalhadores &#8211; e n\u00e3o a permanente, como fazem os institutos de pesquisa. Em estudo feito no final do ano passado, o economista da Tend\u00eancias apontava, com base em proje\u00e7\u00f5es, que 3 milh\u00f5es de fam\u00edlias desceriam um degrau na escala social em tr\u00eas anos, entre 2015 e 2017.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">De l\u00e1 para c\u00e1, com o agravamento da crise, Pitoli refez as contas e projetou que 4,2 milh\u00f5es de fam\u00edlias seriam devolvidas \u00e0 base da pir\u00e2mide. S\u00f3 no \u00faltimo ano, a baixa teria sido de 1,8 milh\u00e3o de fam\u00edlias.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Pitoli explica que os crit\u00e9rios do seu estudo e o da Abep s\u00e3o diferentes. Ele olha renda monet\u00e1ria, que tem um impacto mais imediato no padr\u00e3o de vida das fam\u00edlias. J\u00e1 a Abep usa a renda permanente, medida pela posse de bens, que teoricamente, demora mais para aparecer.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">&#8220;Mas o estrago est\u00e1 feito&#8221;, diz Pitoli. Segundo Pilli, da Abep, o pa\u00eds n\u00e3o voltou 20 anos atr\u00e1s. &#8220;Mas, se continuarmos fazendo escolhas erradas, podemos retroceder.&#8221;<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi a primeira vez que houve um movimento inverso ao da ascens\u00e3o socioecon\u00f4mica que vinha ocorrendo desde 2008, segundo estudo da Abep Faz tr\u00eas meses que o pedreiro Maur\u00edcio Paes de Souza tenta pagar a \u00faltima presta\u00e7\u00e3o do Uno 2007, comprado h\u00e1 quatro anos. 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