{"id":7792,"date":"2014-04-25T14:44:56","date_gmt":"2014-04-25T17:44:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/?p=7792"},"modified":"2014-04-25T14:44:56","modified_gmt":"2014-04-25T17:44:56","slug":"arthur-transexual-de-13-anos-acham-que-so-quero-chamar-atencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/2014\/04\/25\/arthur-transexual-de-13-anos-acham-que-so-quero-chamar-atencao\/","title":{"rendered":"Arthur, transexual de 13 anos: \u201cAcham que s\u00f3 quero chamar aten\u00e7\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 id=\"noticia-olho\">Mesmo enfrentando preconceito e incompreens\u00e3o fora de casa, o adolescente teve apoio total da fam\u00edlia para assumir g\u00eanero oposto ao de nascimento<\/h2>\n<div id=\"noticia\" itemprop=\"articleBody\">\n<div id=\"galleria\" data-render-gallery=\"nulltrue\">\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<div><img alt=\"\" src=\"http:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/dx\/j0\/3b\/dxj03bqzxfelg7hs6vgf0w41u.jpg\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<div>Arthur (centro) e a fam\u00edlia: a m\u00e3e Juliana da Silva Fernandes, os irm\u00e3os g\u00eameos, Enzo e J\u00falio, e o pai Fabricio Alves.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;M\u00e3e, tirei zero na prova de Hist\u00f3ria porque escrevi o meu nome social e n\u00e3o o de registro. A professora disse que eu tinha rasurado&#8221;. Em seu primeiro contato com a reportagem do iGay, o menino\u00a0<strong>Arthur Fernandes Alves<\/strong>\u00a0j\u00e1 chega contando o problema pelo qual passou na escola. A situa\u00e7\u00e3o exemplifica o tipo de percal\u00e7o enfrentado por um menino transexual de 13 anos de idade, que vive em Ribeir\u00e3o Preto, no interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Apesar de incomodar, um problema como esse n\u00e3o abate Arthur. Com seus cabelos azuis e camisa preta de banda, ele \u00e9 um adolescente como muitos outros, cheio de paix\u00f5es e aspira\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m dos HQs de mang\u00e1s orientais, o jovem se diverte ouvindo bandas como Green Day e My Chemical Romance.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/siteiGay?fref=ts\">CURTA O IGAY NO FACEBOOK\u00a0<\/a><\/p>\n<p>Cabeleireiro e tatuador s\u00e3o as profiss\u00f5es que Arthur pensa seguir quando for adulto. Cursando o oitavo ano do ensino fundamental, ele aprendeu ingl\u00eas e japon\u00eas estudando por conta pr\u00f3pria em casa.<\/p>\n<p>Nascido menina, Arthur se percebeu diferente j\u00e1 aos quatro anos de idade. &#8220;Sempre gostei de andar com os meninos, o melhor presente que ganhei na minha vida foi uma pista de carrinhos&#8221;, revela o adolescente, que teve a sorte de vir ao mundo num ambiente livre de preconceitos. A m\u00e3e,\u00a0<strong>Juliana da Silva Fernandes<\/strong>, \u00e9 uma bi\u00f3loga de 36 anos. Psic\u00f3logo de forma\u00e7\u00e3o, o pai,\u00a0<strong>Fabr\u00edcio Alves<\/strong>, tem 37 e trabalha como banc\u00e1rio.<\/p>\n<div>\n<aside>\n<h3>Leia tamb\u00e9m:<\/h3>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/igay.ig.com.br\/2013-06-24\/menina-transgenero-conquista-direito-de-usar-banheiro-feminino.html\">Menina transg\u00eanero conquista direito de usar banheiro feminino na escola<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/aside>\n<\/div>\n<p>&#8220;N\u00f3s v\u00edamos que ele n\u00e3o gostava de boneca, de coisas cor-de-rosa. A\u00ed eu dizia para quem quisesse dar presente que desse roupa para ele\u201d, conta Juliana. No entanto, o apoio dos pais n\u00e3o evitou que Arthur enfrentasse o preconceito quando tinha sete anos. Na \u00e9poca, ele cortou os cabelos bem curtos e passou a sofrer agress\u00f5es repetidas de uma colega de escola. &#8220;Ela me batia e falava que menina tinha que gostar de rosa e ter cabelo comprido&#8221;, relata o adolescente, sem disfar\u00e7ar a tristeza.<\/p>\n<p>Juliana lembra que este momento marcou o in\u00edcio de uma fase de isolamento do filho. &#8220;A partir da\u00ed, ele foi ficando introspectivo. Com doze anos, j\u00e1 n\u00e3o falava com ningu\u00e9m. Come\u00e7ou a se cortar nos bra\u00e7os e falava que tinha um grande segredo&#8221;, narra a m\u00e3e, que decidiu ent\u00e3o, juntamente com o marido, procurar ajuda de um psic\u00f3logo.<\/p>\n<p><strong>CONVERSA DEFINITIVA<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo com acompanhamento psicol\u00f3gico, Arthur n\u00e3o conseguiu se abrir e revelar o que o afligia. Juliana viu que era o caso de ter uma conversa definitiva com o filho. &#8220;Foi mais de uma hora conversando. Quando ele me falou que o segredo era a identidade de g\u00eanero, fiquei aliviada. Eu tinha medo que fosse algo ruim, que ele tivesse sido abusado sexualmente&#8221;, explica ela, que \u00e0quela altura j\u00e1 tinha procurado a ajuda de tr\u00eas profissionais diferentes. \u201cNenhum deles explicava nada, falavam que era fruto da separa\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria que eu e o pai do Arthur tivemos. Mas a gente sabia que n\u00e3o era.\u201d<\/p>\n<figure><img alt=\"\" src=\"http:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/2w\/lq\/20\/2wlq20e8ufbpgyvwlu9ffnqc2.jpg\" \/><figcaption><cite>Rafa Borges<\/cite><\/p>\n<div>Arthur nasceu mulher, mas se percebeu homem aos 4 anos de idade<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>O al\u00edvio proporcionado pela conversa foi tamanho que o adolescente saiu do quarto sem o nome feminino com o qual foi batizado. Inspirado no vocalista do My Chemical Romance,<strong>Gerard Arthur Way<\/strong>, ele escolheu ser chamado de Arthur.<\/p>\n<p>Assumindo a identidade masculina, Arthur mudou o guarda-roupa, adotou camisetas de banda como seu uniforme e passou a usar uma faixa el\u00e1stica para esconder os seios. &#8220;Minhas amigas usam dois suti\u00e3s para ter peitos e eu um colete e duas camisetas para n\u00e3o ter&#8221;, ironiza o adolescente, que mudou tamb\u00e9m de nome nas redes sociais.<\/p>\n<p>\u201cFoi tudo muito tranquilo, os irm\u00e3os dele me corrigiam no come\u00e7o porque eu continuava chamando pelo nome antigo sem querer\u201d, admite Juliana, que divide a compreens\u00e3o serena da transexualidade de Arthur com o marido. \u201cEle \u00e9 meu filho e vai ser sempre amado, n\u00e3o tem porque n\u00e3o ser assim\u201d, afirma Fabr\u00edcio.<\/p>\n<div>\u201cMinhas amigas usam dois suti\u00e3s para ter peitos e eu um colete e duas camisetas para n\u00e3o ter (Arthur Fernandes)<\/div>\n<p>O pai se incomoda apenas com a incompreens\u00e3o de muitas pessoas com assunto. \u201cQueremos valer o que \u00e9 de direito do Arthur. Alguns funcion\u00e1rios e professores se recusam a chamar o Arthur pelo nome, mesmo com a lei que os obriga, ent\u00e3o queremos tentar fazer a altera\u00e7\u00e3o do nome nos documentos\u201d, argumenta Fabr\u00edcio, referindo-se \u00e0 lei estadual paulista 10.948\/01, que pune atos de homofobia e obriga estabelecimentos e institui\u00e7\u00f5es a respeitar o nome social dos transexuais.<\/p>\n<p><strong>FALTA INFORMA\u00c7\u00c3O E PREPARO<\/strong><\/p>\n<p>Fabricio, Juliana e Arthur percebem a falta de conhecimento como fator desencadeador do preconceito. \u201cS\u00f3 encontramos informa\u00e7\u00f5es muito fragmentadas em blogs, sites e poucos livros. E o que h\u00e1 dispon\u00edvel n\u00e3o fala sobre os transg\u00eaneros nesta idade\u201d, reclama a m\u00e3e.<\/p>\n<p>O pai vai al\u00e9m e aponta o despreparo do Sistema \u00danico de Sa\u00fade para lidar com a quest\u00e3o. \u201cO SUS em tese cobre a cirurgia de adequa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, mas os postos de sa\u00fade n\u00e3o t\u00eam ideia do que se trata. Os programas de atendimento ficam concentrados em S\u00e3o Paulo.\u201d<\/p>\n<figure><img alt=\"\" src=\"http:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/c4\/un\/kb\/c4unkbf6w7bnsrifmlfm4drwc.jpg\" \/><figcaption><cite>Rafa Borges<\/cite><\/p>\n<div>Arthur recebendo o carinho do pai<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cEu sei que \u00e9 dif\u00edcil para todos os transexuais. Mas para mim, \u00e0s vezes, parece pior. Porque ningu\u00e9m me leva a s\u00e9rio, acham que s\u00f3 quero chamar aten\u00e7\u00e3o\u201d, desabafa Arthur, que sente o preconceito em atos prosaicos como a ida ao banheiro da escola. O adolescente usa o toalete dos professores, por n\u00e3o se sentir confort\u00e1vel em usar o dos meninos.<\/p>\n<p>\u201cApesar de mais aberta ao debate, a escola tem algumas limita\u00e7\u00f5es. A diretora \u00e9 \u00f3tima, muitos professores respeitam. Mas tivemos que abrir algumas concess\u00f5es, como a quest\u00e3o do banheiro, mas vamos resolver\u201d, pondera Juliana. Arthur faz quest\u00e3o de ressaltar, no entanto, que recebe muito apoio dos colegas.<\/p>\n<p>\u201cSempre que um professor me trata de maneira errada, meus amigos corrigem. Meu namorado tamb\u00e9m n\u00e3o tem problemas com a quest\u00e3o. Sei que tenho muita sorte pela minha fam\u00edlia que me aceita\u201d, constata Arthur, exibindo uma maturidade pouco comum a meninos de sua idade.<\/p>\n<div>\u201cCom o Arthur, a gente sabe que tem um preconceito duplo, porque al\u00e9m de transexual, ele \u00e9 gay (Juliana da Silva Fernandes)<\/div>\n<p>O namorado de Arthur tem o carinho de toda a fam\u00edlia. \u201cEle \u00e9 um amor, n\u00e3o tenho do que reclamar. Infelizmente, temos tido alguns problemas com a fam\u00edlia dele, mas nem todo mundo lida bem. Com o Arthur, a gente sabe que tem um preconceito duplo, porque al\u00e9m de transexual, ele \u00e9 gay\u201d, se resigna a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Vem da bisav\u00f3 do jovem de cabelos azuis o argumento para desfazer a incompreens\u00e3o com o diferente. \u201cMinha av\u00f3 de 85 anos, que \u00e9 bisa do Arthur, disse uma \u00fanica coisa sobre o assunto: \u2018Menino ou menina, o amor \u00e9 o mesmo\u2019\u201d, relata Juliana. Quem passa algum tempo com a fam\u00edlia Fernandes Alves n\u00e3o tem d\u00favida disso.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo enfrentando preconceito e incompreens\u00e3o fora de casa, o adolescente teve apoio total da fam\u00edlia para assumir g\u00eanero oposto ao de nascimento Arthur (centro) e a fam\u00edlia: a m\u00e3e Juliana da Silva Fernandes, os irm\u00e3os g\u00eameos, Enzo e J\u00falio, e o pai Fabricio Alves. &#8220;M\u00e3e, tirei zero na prova de Hist\u00f3ria porque escrevi o meu [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7792"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7792"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7792\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7794,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7792\/revisions\/7794"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}