{"id":86482,"date":"2017-09-03T16:25:11","date_gmt":"2017-09-03T19:25:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/?p=86482"},"modified":"2017-09-03T16:25:11","modified_gmt":"2017-09-03T19:25:11","slug":"terceirizacao-nao-derruba-os-salarios-mostra-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/2017\/09\/03\/terceirizacao-nao-derruba-os-salarios-mostra-estudo\/","title":{"rendered":"Terceiriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o derruba os sal\u00e1rios, mostra estudo"},"content":{"rendered":"<div><img loading=\"lazy\" class=\"  wp-image-86483 alignleft\" src=\"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/911.jpg\" alt=\"9\" width=\"584\" height=\"292\" srcset=\"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/911.jpg 800w, https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/911-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\u00a0A terceiriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o derruba o sal\u00e1rio do brasileiro, mostram dados de mais de 13 milh\u00f5es de trabalhadores acompanhados de 2007 a 2014 (ano das estat\u00edsticas mais recentes).<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Segundo estudo publicado na \u00faltima quarta (30) na revista &#8220;Estudos Econ\u00f4micos&#8221;, da USP, empregados que passaram a ser terceirizados -ou seja, come\u00e7aram a trabalhar para uma empresa que intermedeia servi\u00e7os, em vez de serem empregados diretos- tiveram perda salarial m\u00e9dia de 2,3% no per\u00edodo.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 terceirizados que passaram a ser empregados diretos tiveram alta de 4,7% da remunera\u00e7\u00e3o. O resultado \u00e9 o mesmo quando a sa\u00edda do emprego foi por vontade pr\u00f3pria ou por decis\u00e3o do patr\u00e3o.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">&#8220;O estudo desmonta o mito de que a terceiriza\u00e7\u00e3o precariza o sal\u00e1rio&#8221;, diz Eduardo Zylberstajn (EESP\/FGV e Fipe), um dos autores, com Guilherme Stein (Funda\u00e7\u00e3o de Economia e Estat\u00edstica Siegfried Emanuel Heuser) e H\u00e9lio Zylberstajn (FEA\/USP).<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">&#8220;As pessoas costumam acreditar que o funcion\u00e1rio de uma fornecedora de m\u00e3o de obra ganharia muito mais se fosse contratado diretamente pela empresa em que trabalha. Mostramos concretamente que isso n\u00e3o acontece&#8221;, afirma o economista.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>LARANJAS E BANANAS<\/strong><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Segundo ele, o equ\u00edvoco vem de compara\u00e7\u00f5es equivocadas entre fun\u00e7\u00f5es, empresas e pessoas diferentes.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o caso de artigo publicado pela Central \u00danica dos Trabalhadores em 2014, que comparava o sal\u00e1rio m\u00e9dio de setores pass\u00edveis de terceiriza\u00e7\u00e3o com o de todos os outros e encontrava diferen\u00e7a de 24,7% no valor.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A terceiriza\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 concentrada em \u00e1reas como limpeza, seguran\u00e7a e telemarketing, de remunera\u00e7\u00e3o mais baixa. Ao comparar esses sal\u00e1rios com o de todos os outros trabalhadores, a realidade \u00e9 distorcida, argumenta Zylberstajn.<\/h3>\n<p><!--more--><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Para chegar a uma medida mais precisa, o estudo levantou dados dos empregados em seis ocupa\u00e7\u00f5es tipicamente terceiriz\u00e1veis: manuten\u00e7\u00e3o de equipamentos, vigil\u00e2ncia, tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, limpeza, pesquisa e desenvolvimento e telemarketing.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Depois, identificou quais eram contratados por firmas dessas seis \u00e1reas e quais eram registrados em empresas de outros segmentos.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise controlou o efeito de caracter\u00edsticas como idade, sexo, experi\u00eancia e forma\u00e7\u00e3o. Os economistas tamb\u00e9m afastaram a interfer\u00eancia de itens que poderiam ser valorizados pelos empregadores, mas n\u00e3o s\u00e3o observ\u00e1veis nos dados, como dedica\u00e7\u00e3o, maturidade emocional, confiabilidade ou capacidade de comunica\u00e7\u00e3o.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Para controlar esse efeito, acompanharam um mesmo trabalhador ao longo do tempo e compararam as mudan\u00e7as no seu sal\u00e1rio de acordo com a forma de contrata\u00e7\u00e3o -por exemplo, um mesmo vigia que deixou uma ind\u00fastria e foi para uma empresa de servi\u00e7os de vigil\u00e2ncia, ou um faxineiro de uma empresa de limpeza que passou a ser contratado de um escrit\u00f3rio.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">No total, estudaram-se 13.375.996 trabalhadores e observaram-se 422.483 mudan\u00e7as de terceirizado a direto e 397.008 na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>POR QUE O MITO?<\/strong><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O estudo tamb\u00e9m identificou diferen\u00e7as expressivas entre as seis atividades.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">No telemarketing, o trabalhador perde em m\u00e9dia quase 9% de sua remunera\u00e7\u00e3o quando vira terceirizado. J\u00e1 os vigias que deixaram um contratante direto por uma terceirizada tiveram alta no sal\u00e1rio, de 5% em m\u00e9dia.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Zylberstajn sugere duas hip\u00f3teses para que a terceiriza\u00e7\u00e3o seja vista como um modelo que precariza sal\u00e1rio e condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Uma \u00e9 que h\u00e1 empresas que contratam o servi\u00e7o de companhias que n\u00e3o recolhem os encargos e, por isso, baixam muito seu custo. &#8220;N\u00e3o \u00e9 proibindo a terceiriza\u00e7\u00e3o que se resolve isso. Na origem do problema est\u00e1 a pr\u00e1tica ilegal da prestadora, n\u00e3o o modelo de contrata\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O segundo motivo para a &#8220;demoniza\u00e7\u00e3o&#8221; da pr\u00e1tica, segundo o economista, \u00e9 que ela traz dificuldade para os sindicatos. Por exemplo, se as montadoras do Grande ABC contratarem servi\u00e7os de empresas de outras regi\u00f5es, a representa\u00e7\u00e3o sindical fica pulverizada e o sindicato dos metal\u00fargicos perde for\u00e7a.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A falta de crit\u00e9rio na compara\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios tamb\u00e9m pode explicar parte da imagem da terceiriza\u00e7\u00e3o.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Quando se observam os dados de todos os trabalhadores das seis \u00e1reas estudadas, independentemente da pondera\u00e7\u00e3o pelas caracter\u00edsticas das empresas e dos funcion\u00e1rios e de eles terem ou n\u00e3o mudado de empregador, a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia dos terceirizados fica 17% abaixo da dos empregados diretos.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O estudo usou dados da Rais (Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais), do Minist\u00e9rio do Trabalho. A rela\u00e7\u00e3o tem informa\u00e7\u00f5es detalhadas sobre todos os v\u00ednculos de emprego registrados no Brasil (empresas privadas e administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica enviam anualmente dados sobre sal\u00e1rio, in\u00edcio do v\u00ednculo, afastamentos) e caracter\u00edsticas sociodemogr\u00e1ficas (idade, escolaridade, ra\u00e7a\/cor, g\u00eanero).<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0A terceiriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o derruba o sal\u00e1rio do brasileiro, mostram dados de mais de 13 milh\u00f5es de trabalhadores acompanhados de 2007 a 2014 (ano das estat\u00edsticas mais recentes). Segundo estudo publicado na \u00faltima quarta (30) na revista &#8220;Estudos Econ\u00f4micos&#8221;, da USP, empregados que passaram a ser terceirizados -ou seja, come\u00e7aram a trabalhar para uma empresa que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86482"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=86482"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86482\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":86484,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86482\/revisions\/86484"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=86482"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=86482"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=86482"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}