{"id":8717,"date":"2014-05-11T12:50:58","date_gmt":"2014-05-11T15:50:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/?p=8717"},"modified":"2014-05-11T12:50:58","modified_gmt":"2014-05-11T15:50:58","slug":"5-poemas-em-homenagem-aos-dias-das-maes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/2014\/05\/11\/5-poemas-em-homenagem-aos-dias-das-maes\/","title":{"rendered":"5 Poemas em Homenagem aos Dias das M\u00e3es!"},"content":{"rendered":"<p><img alt=\"\" src=\"https:\/\/fbcdn-sphotos-h-a.akamaihd.net\/hphotos-ak-prn1\/t1.0-9\/10269482_724919097551185_8619946067938921030_n.jpg\" \/><\/p>\n<p>Com sua habitual ironia e intelig\u00eancia, Oscar Wilde escreveu: \u201cToda mulher acaba por ficar igual \u00e0 sua pr\u00f3pria m\u00e3e. Essa \u00e9 a sua trag\u00e9dia\u201d. Antes que se interprete a frase como uma heresia neste dia das m\u00e3es, acrescente-se o que Wilde completou: \u201cNenhum homem fica igual \u00e0 sua pr\u00f3pria m\u00e3e. Essa \u00e9 a sua trag\u00e9dia\u201d. Recurso ret\u00f3rico de quem deseja fugir do lugar-comum e da breguice.<\/p>\n<p>Sem medo do inevit\u00e1vel lugar-comum, no entanto, Pensata selecionou cinco poemas nos quais grandes poetas mergulham no amor, na import\u00e2ncia e no encanto de ter uma m\u00e3e para chamar de sua. Com a palavra, Drummond, Quintana, Leminski, Manoel de Barros e Vinicius de Moraes:<br \/>\nDe Manoel de Barros<\/p>\n<p>A m\u00e3e reparou que o menino<br \/>\ngostava mais do vazio<br \/>\ndo que do cheio.<br \/>\nFalava que os vazios s\u00e3o maiores<br \/>\ne at\u00e9 infinitos.<br \/>\nPara Sempre<br \/>\nDe Carlos Drummond de Andrade<\/p>\n<p>Por que Deus permite<br \/>\nque as m\u00e3es v\u00e3o-se embora?<br \/>\nM\u00e3e n\u00e3o tem limite,<br \/>\n\u00e9 tempo sem hora,<br \/>\nluz que n\u00e3o apaga<br \/>\nquando sopra o vento<br \/>\ne chuva desaba,<br \/>\nveludo escondido<br \/>\nna pele enrugada,<br \/>\n\u00e1gua pura, ar puro,<br \/>\npuro pensamento.<\/p>\n<p>Morrer acontece<br \/>\ncom o que \u00e9 breve e passa<br \/>\nsem deixar vest\u00edgio.<br \/>\nM\u00e3e, na sua gra\u00e7a,<br \/>\n\u00e9 eternidade.<br \/>\nPor que Deus se lembra<br \/>\n&#8211; mist\u00e9rio profundo &#8211;<br \/>\nde tir\u00e1-la um dia?<br \/>\nFosse eu Rei do Mundo,<br \/>\nbaixava uma lei:<br \/>\nM\u00e3e n\u00e3o morre nunca,<br \/>\nm\u00e3e ficar\u00e1 sempre<br \/>\njunto de seu filho<br \/>\ne ele, velho embora,<br \/>\nser\u00e1 pequenino<br \/>\nfeito gr\u00e3o de milho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>M\u00e3e\u2026<br \/>\nDe M\u00e1rio Quintana<\/p>\n<p>S\u00e3o tr\u00eas letras apenas,<br \/>\nAs desse nome bendito:<br \/>\nTr\u00eas letrinhas, nada mais\u2026<br \/>\nE nelas cabe o infinito<br \/>\nE palavra t\u00e3o pequena-confessam mesmo os ateus-<br \/>\n\u00c9s do tamanho do c\u00e9u<br \/>\nE apenas menor do que Deus!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>M\u00e3e<br \/>\nDe Paulo Leminski<\/p>\n<p>Minha m\u00e3e dizia:<\/p>\n<p>&#8211; Ferve, \u00e1gua!<br \/>\n&#8211; Frita, ovo!<br \/>\n&#8211; Pinga, pia!<\/p>\n<p>E tudo obedecia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Minha m\u00e3e<br \/>\nDe Vinicius de Moraes<\/p>\n<p>Canta a doce cantiga que cantavas<br \/>\nQuando eu corria doido ao teu rega\u00e7o<br \/>\nCom medo dos fantasmas do telhado.<br \/>\nNina o meu sono cheio de inquietude<br \/>\nBatendo de levinho no meu bra\u00e7o<br \/>\nQue estou com muito medo, minha m\u00e3e.<br \/>\nRepousa a luz amiga dos teus olhos<br \/>\nNos meus olhos sem luz e sem repouso<br \/>\nDize \u00e0 dor que me espera eternamente<br \/>\nPara ir embora. Expulsa a ang\u00fastia imensa<br \/>\nDo meu ser que n\u00e3o quer e que n\u00e3o pode<br \/>\nD\u00e1-me um beijo na fonte dolorida<br \/>\nQue ela arde de febre, minha m\u00e3e.<\/p>\n<p>Aninha-me em teu colo como outrora<br \/>\nDize-me bem baixo assim: \u2014 Filho, n\u00e3o temas<br \/>\nDorme em sossego, que tua m\u00e3e n\u00e3o dorme.<br \/>\nDorme. Os que de h\u00e1 muito te esperavam<br \/>\nCansados j\u00e1 se foram para longe.<br \/>\nPerto de ti est\u00e1 tua m\u00e3ezinha<br \/>\nTeu irm\u00e3o. que o estudo adormeceu<br \/>\nTuas irm\u00e3s pisando de levinho<br \/>\nPara n\u00e3o despertar o sono teu.<br \/>\nDorme, meu filho, dorme no meu peito<br \/>\nSonha a felicidade. Velo eu<\/p>\n<p>Minha m\u00e3e, minha m\u00e3e, eu tenho medo<br \/>\nMe apavora a ren\u00fancia. Dize que eu fique<br \/>\nAfugenta este espa\u00e7o que me prende<br \/>\nAfugenta o infinito que me chama<br \/>\nQue eu estou com muito medo, minha m\u00e3e.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com sua habitual ironia e intelig\u00eancia, Oscar Wilde escreveu: \u201cToda mulher acaba por ficar igual \u00e0 sua pr\u00f3pria m\u00e3e. Essa \u00e9 a sua trag\u00e9dia\u201d. Antes que se interprete a frase como uma heresia neste dia das m\u00e3es, acrescente-se o que Wilde completou: \u201cNenhum homem fica igual \u00e0 sua pr\u00f3pria m\u00e3e. Essa \u00e9 a sua trag\u00e9dia\u201d. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[5,1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8717"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8717"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8717\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8718,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8717\/revisions\/8718"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8717"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8717"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdotarugao.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8717"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}