Cada ‘sim’ durou em média dois minutos, mas juras de amor foram eternas

O vestido era na cor bege, em vez do branco tradicional. No lugar da igreja, um colégio público. O altar foi improvisado em um auditório. Não era uma cerimônia pomposa, mas para Raquel Ferreira da Silva, 54 anos, que desde ontem acrescentou no nome o ‘Santos’ do agora marido, isso pouco importa. Ela esperou quase 30 anos para realizar um sonho. “Nunca perdi a esperança”, disse, abraçada ao pasteleiro Jorge de Souza Santos, 54.

Jorge e Raquel. Depois de 30 anos de espera (dela), agora os dois são ‘Santos’ (Foto: Marina Silva)

Com direito a buquê de rosas vermelhas, Raquel foi uma das 37 noivas que participaram de um casamento coletivo realizado ontem pela manhã na Escola de Segundo Grau Edvaldo Brandão Correia, em Cajazeiras IV. Os casamentos foram realizados pelo cartório do registro civil de Valéria e Pirajá pelo oficial Mário Sérgio Dias Correia.

Raquel já vive com Jorge há 30 anos e desde que se conheceram sempre soube o que queria. “Ele vinha me cozinhando em banho-maria, mas aí peguei pelo braço e disse: desta vez você não escapa”, disse ela, rindo à toa. “Na verdade, já me considerava casado”, argumentou Jorge. O casal tem filhos de uniões anteriores e netos.

Na cerimônia, cada “sim” durou cerca de dois minutos. Em seguida, os recém-casados posaram para fotos com a maquete de um bolo de três andares. “Optamos casar dessa forma por causa de nossa situação econômica”, declarou a telefonista Anilma Gesse Ferreira Santos, 22. Há cerca de seis anos ela engatou o namoro com o estudante Felipe Américo Silva dos Santos, 24, a quem fez juras eternas de amor. “Estava noiva há três anos, mas, graças a Deus, chegou a hora”, disse esbanjando felicidade.

Moame e Leandro. Depois de 14 anos,
agora união é oficial (Foto: Marina Silva)

Quem também ria à toa eram a vendedora Moame Oliveira Alves, 28, e o comerciante Leandro Santa Rosa Silva, 33, que estão juntos há 14 anos. “O que pesou para a oficializar a união foi porque quero me batizar na igreja (católica)”, disse ela. O casal estava apressado. “Vamos agora para Itapuã fazer umas fotos para o nosso álbum e depois para a nossa casa onde terá um almoço para amigos e parentes”. 

A juíza  Andréia Carvalho, da 9ª Vara de Família, presidiu a solenidade. A Corregedoria Geral da Justiça da Bahia prossegue com as medidas de descentralização das cerimônias de casamentos dos cartórios de registro civil da Comarca de Salvador, com o objetivo de que sejam realizadas o mais próximo possível das residências dos noivos. “Muitos noivos chegavam atrasados no fórum (Ruy Barbosa). Os casamentos, que começam às 8h, terminavam às 13h. Hoje, 10h, todos já tinham dito ‘sim’”, explicou Mário Sérgio Dias Correia, oficial de Justiça do cartório de Valéria. Cada casal pagou a taxa cartorária de R$ 160.

Segundo a assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, este ano já foram realizadas cerimônias no Fórum das Famílias e nos colégios Estadual Luiz Viana Filho, Edvaldo Brandão Correia (Cajazeiras IV), Luis Eduardo Magalhães (San Martim), Thales de Azevedo (Costa Azul), Complexo Educacional Oscar Cordeiro (São Joaquim) e Centro de Convivência do Idoso.