Reportagem da semana: Pobreza extrema ainda desafia o governo de Itapetinga
A poucos metros do coração de uma das cidades mais ricas do país e bonitas da Bahia famílias vivem uma realidade fora do comum, amargam a pobreza e junto com ela o descaso do governo municipal.

Em meio ao mar de investimentos prometidos pelo prefeito, o Tribuna encontrou famílias vivendo em uma ilha de pobreza, em situação de risco com uma renda per capita inferior a R$ 70,00.
À margem dos holofotes e dos orçamentos generosos, especialmente destacados em períodos eleitorais, o itapetinguense VILMAR FERNANDES RODRIGUES, sonha com uma moradia digna através das iniciativas pública e privada. Acredita que nossos governantes possa ajudá-lo a sair do buraco. Um buraco no qual, a despeito dos avanços decorrentes dos programas de distribuição de casas do Governo ainda estão longe de se realizar. O drama de algumas famílias mostrado com exclusividade pelo Tribuna, abre dúvidas sobre as propostas do governo municipal, estadual e federal que dão feições a esses números insistentes, alheios às ambições e aos discursos de sexta economia do mundo.

Desempregado, vivendo de bicos o Sr VILMAR, pai de dois filhos, homem direito e trabalhador, vive em área de risco às margens do Rio Catolé, em um barraco que lhe oferece uma estadia desumana, dependendo quase sempre de vizinhos e amigos para comer. No pequeno barraco de ripa, ele sabe dos riscos que corre, na eminência de cair, mas sem opção, ele sobrevive sem a atenção da Defesa Civil do município. O estado de pobreza é tão grande, que ele teme ser levado para um local distante e diz que não ter como pagar a mensalidade do programa Minha Casa Minha Vida do governo federal, no qual tentou se inscrever, mas não obteve sucesso.
“Já tentei me inscrever para o Minha Casa Minha Vida, mas não sei se consigo pagar”. Queria que dessem um jeito na minha casa. Minha vida é aqui – aflige-se Vilmar, que mora há mais de 05 anos no local. Diante das imagens que estamos mostrando, fica evidente que ele e outras famílias que vivem no mesmo lugar e nas mesmas condições, precisam da ajuda de vizinhos, da Secretaria de Desenvolvimento Social e da Prefeitura.

O Sr Vilmar, como milhões de brasileiros em apertos semelhantes, argumenta “tenho muito medo”, o sufoco é sugerido pelo barraco remendado, sem iluminação e pouco arejado. A ventilação passa apenas por um pequeno basculante ou pela única porta da residência, na qual nem mesmo os políticos colam cartazes pedindo votos. A falta de circulação do ar faz proliferar o mofo sobre as paredes úmidas de infiltração. Na despensa a comida teima em acabar antes da hora.
Notamos uma imagem que mostra no cantinho, que o fogo a lenha tem tempos que foi aceso. Falta muito para acabar o mês e só tem um pouco de arroz, feijão e fubá. Às vezes falta o pão e leite.
Cadê a Prefeitura?
Além de Vilmar, outras famílias também vivem nas mesmas condições desumanas na localidade, caso fosse perto da Rodoviária, o secretário de Meio Ambiente, já teria mandado demolir os barracos, como já fez em épocas passadas, mas como eles vivem longe do olhar da sociedade, são deixados pela administração para morrerem de fome e frio.

A avaliação da pobreza extrema
Para determinar quem vive ou não em pobreza extrema, há critérios além da renda. A condição da moradia, a quantidade de cômodos, a escolaridade e o vínculo de trabalho formal ou informal também contam. É o chamado índice de vulnerabilidade, do qual Vilmar não escapa em nenhum aspecto.
Como não concluiu o ensino fundamental, as opções no mercado tornam-se limitadas. Entre os bicos e os cuidados com o lar, confessa que seu maior medo é “adoecer e não poder fazer seus bicos”.
“Tudo o que espero é que meus filhos não descambem para o lado errado. Estou tentando criar na honestidade. Mas vou te falar, a vida tá muito dura” falou outra moradora.
Ânimo para brigar com a pobreza

Diante da dureza, Vilmar precisa buscar motivos diariamente para levantar da cama. Nesta manhã de sexta-feira, por volta das 10h, a equipe do Tribuna batia à porta de Vilmar e outros moradores. O pouco sol que ardia lá fora não penetrava no pequeno barraco, mesmo em circunstanciadas dolorosas e de abandono, encontramos pessoas que buscam forças para encarar o dia. Para eles, o grande desafio é recuperar a esperança que escorre pela falta de comida e de perspectiva.
Quando se chega numa determinada situação de pobreza, no fundo do poço da miséria, as pessoas ficam com pouco ânimo e coragem para reagir. Levantar da cama é difícil. Ouvi de pessoas nesta situação que estão felizes, acaba sendo uma grande motivação para muitos grandiosos na sociedade. Infelizmente, muitos políticos itapetinguenses, outros que passam por aqui, não encheram essa massa da sociedade, mesmo o prefeito José Carlos Moura (PT) e sua administração, parece não saber que as margens do Rio Catolé, existem seres humanos carentes de ajuda. Famílias com seus dramas, que deveriam ser beneficiadas com uma “casa do governo federal”, mas são esquecidas.

Realidade
A sociedade brasileira não conseguiu, até hoje, fazer uma opção cidadã. Nossa opção tem sido a de nos habituarmos a conviver com a pobreza, como parte de nossa paisagem urbana, e com um salário mínimo de R$ 724,00 para uma grande massa de brasileiros.
Perto do centro da cidade e da Prefeitura, famílias esperam por condições que possibilitem a mudança do casebre mal iluminado, quase em ruínas, e a entrada no mercado de trabalho. São pessoas que precisam de emprego, educação, segurança, saúde e serviços públicos.
























