
As últimas unidades liberadas do Residencial José Ivo foram entregues no mês de julho, e ainda hoje algumas casas permanecem vazias. Essa situação levou Liliane Amaral Cruz a tomar uma atitude extrema ao invadir, na noite da última quarta-feira (13) uma residência no bairro.
Com cinco filhos, sendo um bebê, Liliane morava de aluguel com seus filhos e esposo, mas foram despejados por estarem impossibilitados de pagarem o aluguel do imóvel, sem ter para onde ir e no meio da noite, não acharam outra alternativa senão invadir a casa.
Em conversa com o Tribuna, ela disse que já tinha feito duas inscrições no projeto habitacional, mas até então não foi beneficiada, pelo fato de muitas casas estarem vazias, ela decidiu entrar em uma delas. “Eu precisava de um lugar para colocar meus filhos, e daqui não saio, nem que venha a polícia. Tem muita gente que pegou casa aqui, tem casa alugada na cidade, eu sei quem é. Eu preciso da casa, então invadi”, disse a mulher.
Liliane afirma que está empregada e aceita uma negociação, já que as unidades habitacionais são destinadas a famílias de baixa renda, com parcelas que giram em torno de R$ 50 reais.
“Se eles me procurarem para negociar, eu assumo e pago a casa. Eu pagava aluguel. Não quero de graça, só quero ter direito de ter um teto”, alega ela.
Outro lado –Procurado pela reportagem, a Assistente Social do município, não foi encontrada, mas obtivemos uma informação que a unidade habitacional passou a ser patrimônio público Federal a partir da assinatura do contrato com a Caixa Econômica Federal. Isto porque a unidade habitacional faz parte do programa “Minha Casa Minha Vida” do Governo Federal.
“A família que invade a casa comete uma irregularidade, e deverá ficar impossibilitada de participar de qualquer projeto habitacional da Caixa Econômica Federal. E a Caixa deve fazer uma investigação para saber quem errou”, se foi de fato a família que alega injustiça ou a secretária de Desenvolvimento Social que vem sendo acusada pela população de fraude na distribuição das casas.
Nestes casos de residências fechadas, a assistente social deveria formular um relatório e enviá-lo à Caixa, relatando casos de pessoas que obtiveram o beneficio, mas não ocuparam as casas, ou ainda alugaram. “As providências como retirada do beneficio, ou destrato, só podem ser tomadas pela Caixa Econômica Federal”, o que não vem acontecendo em Itapetinga.
Vários casos iguais a esses foram registrados, e o critério utilizado pela instituição que financiou as unidades deve ser o de encaminhar o imóvel às famílias que estiverem na lista de beneficiários. Sobre o caso de Leileiane, cabe à Caixa avaliar e tomar as decisões.
Realidade
Para a invasora a “prova” de que os donos não precisam das residências é não terem se mudado logo que ganharam o direito de morar no José Ivo. Outra queixa feita por diversas famílias é sobre a falta de fiscalização, muitas pessoas sem aparentes necessidades estão ocupando o espaço de quem realmente precisa. Famílias ainda queixam-se de seus nomes terem saídos na lista como aprovadas, mas de última hora foram cortadas pela assistente social. Na porta da Secretaria muitas destas famílias vão diariamente reclama, mas não são atendidas.
Fonte: Tribuna de Itapetinga