Satélite: pedido de impeachment de Itamar assinado por Wagner é usado por adversários
Adversários do ministro da Defesa, Jaques Wagner, recuperaram nos arquivos da Câmara dos Deputados um documento para tentar desconstruir o discurso de união e responsabilidade com o país acima de diferenças políticas, adotado pelo petista como mantra diante crise. Trata-se de um pedido de abertura de processo de impeachment contra o então presidente Itamar Franco, assinado por Wagner e protocolado na Mesa Diretora da Câmara em 29 de junho de 1994, quando ele exercia o primeiro de seus três mandatos como deputado federal. Como justificativa para a destituir Itamar, Wagner citou no requerimento o episódio em que o ministro da Casa Civil à época, Henrique Hargreaves, submeteu a Medida Provisória do Plano Real ao comando de campanha de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), eleito para a Presidência em outubro daquele ano. O que, sustentou, feria “o decoro e a dignidade” que o cargo exige. Motivo bastante prosaico em comparação com o tsunami de denúncias que ameaça engolir a presidente Dilma Rousseff, enquanto Wagner veste um figurino diferente do usado por ele nos tempos de oposição.
Clima de velório
Caminha para o naufrágio a CPI voltada a investigar obras paralisadas na Bahia, cujo pedido de criação foi apresentado semana passada pela bancada oposicionista na Assembleia. De acordo com líderes de partidos ouvidos pela Satélite, o testamento de óbito será dado hoje pela Procuradoria Jurídica da Casa, que opinará pela ilegalidade da instalação da CPI.
Causa mortis
Três critérios são levados em conta para enterrar CPIs: ausência de prazo legal para conclusão, menos de 21 assinaturas de deputados e inexistência de fato determinante para investigação. A pá de cal está nos dois últimos itens. Ontem, a articulação política do governo e o presidente da Assembleia, Marcelo Nilo (PDT), trabalharam muito para sepultar a comissão.
Cruzada fora do radar
Passou despercebido da imprensa a segunda parte da agenda do procurador da República Deltan Dallagnol em Salvador. Expoente da força-tarefa da Lava Jato, Dallagnol veio oficialmente lançar, na sexta, a campanha do MPF contra a corrupção. No sábado, sem fazer alarde, palestrou na Federação Espírita do Estado da Bahia e pediu apoio para um abaixo-assinado com propostas que endurecem as leis contra corruptos. Criticado por sua cruzada em instituições religiosas, vista por parte do governo federal como incitação aos protestos de 16 de agosto, o procurador deixou claro que a iniciativa não tem qualquer vinculação partidária.
Cerco a Catta Preta
Conforme antecipado pela Satélite no último dia 2, o deputado Cláudio Cajado (DEM), procurador parlamentar da Câmara, interpelou judicialmente a advogada Beatriz Catta Preta, que defendia delatores da Lava Jato. A Câmara quer que ela revele quem, entre os parlamentares da CPI da Petrobras, são os autores das ameaças que disse ter sofrido. A ação foi impetrada sexta passada na Justiça Federal de Barueri, São Paulo, onde a advogada possui residência fixa.
É uma passagem importante da luta contra a ditadura. Será sucesso sem dúvida e vamos apoiar
























