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:: 9/abr/2021 . 19:45

O MAL DENTRO DE CASA: A ROTINA DE VIOLÊNCIA QUE RESULTOU NA MORTE DE HENRY

Foi tudo muito rápido, a caminho da tragédia. Os dois se conheceram em setembro de 2020, em encontro intermediado por um primo dele. Passados apenas quatro meses, Jairo Souza Santos Júnior, o vereador carioca Dr. Jairinho, 43 anos, e a professora Monique Medeiros, 33, foram morar juntos: instalaram-se em janeiro com o filho dela, Henry Borel, 4 anos, em um apartamento na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Um mês depois, Monique havia saído e recebeu mensagens da babá Thayná de Oliveira Ferreira pelo WhatsApp relatando uma sessão de tortura de seu menino por Jairinho, os dois trancados em um quarto. Não foi à polícia, não comentou com ninguém, nada fez. Em 8 de março, menos de um mês depois, Henry chegou morto ao hospital, com graves lesões internas e coberto de hematomas. Na quinta-feira 8 de abril, a Polícia Civil foi à casa de uma tia de Jairinho em Bangu, na Zona Oeste, munida de um pedido de prisão temporária de trinta dias, e lá deteve o casal.

**ATENÇÃO**NÃO REUTILIZAR ESTA IMAGEM, SUJEITO A COBRANÇA POR USO INDEVIDO**FOTO EXCLUSIVA PARA A UTILIZAÇÃO APENAS NA REVISTA VEJA**FIM DA LINHA - Jairinho e Monique são presos: indícios de plano de fuga – Vitor Brugger/AM Press & Images/Folhapress; Brenno Carvalho/Agência O Globo

Elaborado em cima de uma competente investigação da Polícia Civil do Rio, o mandado de prisão da dupla cita tentativas de atrapalhar as investigações e pressionar testemunhas. Na chegada dos agentes, aliás, o casal tentou se livrar de celulares, sem sucesso. Também tinham mochilas prontas, sugerindo planos de fuga. Segundo os policiais, a apuração ainda não está 100% concluída, mas, ao final, Jairinho e Monique devem ser indiciados por homicídio duplamente qualificado e tortura. Nesse caso, podem ser condenados a trinta anos de cadeia. “A Monique que eu conhecia, que a princípio se mostrou uma boa mãe, se tornou uma mulher horrível, tenebrosa”, disse a VEJA, chorando muito, o pai de Henry, o engenheiro Leniel Borel, que foi casado com ela por oito anos.

A partir da recuperação de mensagens apagadas em celulares, da reconstituição da morte do menino, de dois laudos periciais e dos depoimentos de dezoito testemunhas, a polícia foi desvendando a trama de horrores que levou ao crime. Relatos diretos e indiretos sobre a convivência de Jairinho com a ex-mulher e duas ex-namoradas traçaram o retrato de um homem violento e sádico, que sistematicamente agredia crianças pequenas com chutes e pancadas. Versões diferentes dadas pelo casal para a morte de Henry (teria caído da cama, sofrido um mal súbito) foram desmontadas pela autópsia indicando hemorragia interna, laceração hepática e contusões. Antes de o óbito ser declarado, o vereador ainda ligou para um executivo da área da saúde e pediu, com urgência, que o corpo fosse liberado sem exame póstumo. Não conseguiu.

CÚMPLICES - Um casal sempre feliz: restaurantes e hotéis luxuosos -CÚMPLICES - Um casal sempre feliz: restaurantes e hotéis luxuosos – ./Reprodução

No testemunho que resultou no pedido de prisão temporária, a babá no início afirmou que a convivência de pai, mãe e padrasto era harmoniosa. Caiu em nítida contradição — e reafirmou suspeitas de coerção do casal — depois de serem recuperadas as mensagens de celular que trocara com Monique e que haviam sido deletadas. A conversa é clara e assustadora (veja a troca de mensagens). Jairinho se fechara em um quarto com Henry, a TV em alto volume. A mãe estava fora e, a distância, acompanhou toda a movimentação: o tempo que passaram trancados, o estado do menino quando saiu do quarto, os movimentos do vereador e as queixas do garoto. Ao deixar o apartamento, ela avisou que voltaria em seguida. A babá seguiu informando que Henry não queria sair de seu colo, insistia em ficar na cozinha, reclamava de dores. Monique pediu que ela perguntasse ao menino o tinha acontecido. “Me contou que deu uma banda (rasteira) e chutou ele, que toda vez faz isso”, foi a resposta. Também mandou foto de uma ferida no joelho do menino, disse que ele estava mancando e, no banho, havia pedido que não lavasse a cabeça, porque doía. Henry relatou ter sido ameaçado pelo padrasto, que teria lhe avisado: “Se você contar, eu vou te pegar”.

arte Whatsapp Henry

A primeira suspeita da polícia de envolvimento do vereador no crime partiu de queixas de Henry ao pai de que o “tio Jairinho” o maltratava. “A mãe dizia que ele estava inventando. Me martirizo todos os dias por não ter tomado uma atitude mais drástica”, lamenta Borel. Soube-se, depois, como revelou VEJA na semana passada, de outros casos de crueldade dele com crianças pequenas. Da parte dela, a frieza sempre foi vista como comprometedora. O silêncio diante da barbárie veio a confirmar sua participação, por omissão — a polícia não tem (ao menos, por enquanto) evidência de que ela fizesse parte das torturas.

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O drama faz lembrar a noite terrível de março de 2008, em que a pequena Isabella Nardoni, de 5 anos, morreu ao cair da janela do 6º andar de um prédio, em São Paulo. Ao fim de um julgamento que mesmerizou o país, o pai, Alexandre, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, foram julgados culpados de homicídio doloso qualificado e condenados a cerca de trinta anos de prisão. Como explicar a crueldade sem tamanho de um pai ou mãe que tira a vida, por ação ou omissão, do filho indefeso? “É incompreensível que pessoas aparentemente normais exerçam o mal sem qualquer senso de culpa ou vergonha. A monstruosidade é inaceitável dentro da lógica civilizatória, pois é uma expressão da barbárie”, observa a antropóloga Mirian Goldenberg. Tanto no fim de Isabella quanto no de Henry, chama atenção o fato de os responsáveis serem pessoas normalíssimas no dia a dia. Monique deu aulas e chegou à direção de uma escola na Zona Oeste do Rio, onde era querida por alunos e respeitada pelos colegas de trabalho. Jairinho, no quinto mandato, era visto como um político equilibrado e conciliador. À luz das últimas descobertas, essas duas pessoas comuns parecem monstros abomináveis. “Pelas informações disponíveis, eles apresentam algum tipo de loucura. Um potencializa o que o outro tem de pior”, avalia a terapeuta de família Lidia Aratangy.

**ATENÇÃO**NÃO REUTILIZAR ESTA IMAGEM, SUJEITO A COBRANÇA POR USO INDEVIDO**FOTO EXCLUSIVA PARA A UTILIZAÇÃO APENAS NA REVISTA VEJA**RECONSTITUIÇÃO - Policiais reproduzem as cenas no apartamento, no dia da morte: o casal não apareceu – Domingos Peixoto/Agência O Globo

Para Lidia, o vereador passa a impressão de “se sentir invencível, por já ter agredido outros inocentes sem ter sido punido”. Já em Monique, observa uma atração extremada pelo poder e pelos confortos que o companheiro lhe proporcionava. No dia do enterro de Henry, 10 de março, ela esteve em um shopping center comprando camisetas customizadas, de grife, para usar no velório, onde fez uma entrada atrasada e, segundo quem estava lá, do tipo triunfal — de botas de salto alto, reluzente crucifixo de ouro, maquiada e penteada. Sentado sozinho, com mãos trêmulas e alheio aos parentes do menino, Jairinho foi o primeiro a chegar, acompanhado de seguranças, e partiu antes do enterro. Até então, o caso não tinha vindo a público. “Ninguém falou a causa da morte do menino. Foi muito estranho. O irmão pediu para não perguntar nada porque ela estava muito abalada”, diz uma amiga da família. Segundo a polícia, no dia seguinte, Monique foi a um salão de beleza e gastou 240 reais para fazer cabelo, pé e mão. Ela se refugiou na casa dos pais e Jairinho, na de parentes dele, todos no bairro de Bangu. Mas se viram com frequência — passaram a Sex­ta-Feira Santa juntos. Pouco antes da prisão, chegaram a ficar uns dias, só os dois, em uma casa do bairro. A polícia monitorava seus passos e acompanhou a ida do casal para a casa da tia, onde foram presos.

Depois de o caso vir à tona, Monique, preocupada com a imagem, disparou em um grupo de parentes e amigos no WhatsApp uma mensagem pedindo a todos “um grande favor”: “Preciso que escrevam uma declaração de como eu era com o Henry, pode ser até um momento que passamos juntos, algum dia reunido, qualquer coisa que mostre minha conduta”, escreveu no post ao qual VEJA teve acesso. Também pediu a familiares que viralizassem “vídeos da estratégia do advogado” e os vissem para “possíveis apontamentos de melhorias”. “Achei estranho que, em meio ao drama, ela tivesse cabeça para esse tipo de coisa”, diz um familiar.

MIMOS - Post de Monique exibe a bolsa Louis Vuitton (à esq.) e o prédio onde ela e o namorado moravam: atração por poder e riqueza -MIMOS - Post de Monique exibe a bolsa Louis Vuitton (à esq.) e o prédio onde ela e o namorado moravam: atração por poder e riqueza – Reprodução/Reprodução

Descrita como uma pessoa expansiva, sedutora e envolvente, Monique surpreendeu a todos desde o início pela falta de indignação diante do ocorrido, inclusive ao tomar conhecimento da perícia. “Ela não demonstrou nenhuma surpresa ou desespero”, conta uma amiga. A certa altura, foi às redes sociais não para desabafar, mas para publicar uma foto de copos de café gourmet escoltados por uma bolsa da grife Louis Vuitton sobre a mesa. “Quando vi a postagem do café, pensei: ‘Como assim, ela acabou de perder o filho’ ”, comenta uma pessoa próxima. Sob orientação de seu advogado, o mesmo do vereador, criou um perfil no Instagram com o nome inteiro do filho e postou dezoito fotos dos dois; duramente criticada, apagou tudo. Mas retornou em 6 de abril, com ví­deos do advogado descrevendo um roteiro minucioso da morte de Henry, segundo a versão de Monique e Jairinho. Em outra publicação, uma tristíssima foto mostra Henry segurando “um bonequinho de campanha”, diz a legenda, de Jairinho (que foi expulso do partido, o Solidariedade, e deve ter o caso levado ao Conselho de Ética da Câmara de Vereadores — do qual, aliás, faz parte). A reportagem de VEJA apurou que essa nova rodada de posts teve a orientação profissional de Lemuel Gonçalves, responsável pelas gravações usadas nas redes sociais do ex-prefeito Marcelo Crivella.

Amigas contam que, aproveitando as longas ausências de trabalho do então marido, Leniel Borel, Monique sempre se encontrou com outros homens. Conheceu Jairinho ainda casada com Borel e, segundo elas, encantou-se imediatamente pelo vereador, “homem educado, poderoso e rico”. Gabou-se à família de que ele tinha vários imóveis na cidade e lhe disse para escolher onde iriam viver juntos. Por sugestão dele, deixou o trabalho em uma escola pública, com salário de 4 000 reais, para assumir o cargo de assessora no Tribunal de Contas do Município, ganhando 16 000 reais. “Ela falou que teria de ir lá pelo menos uma vez por semana para fazer relatórios, mas que Jairinho, por ciúme, contratou uma pessoa para se encarregar do trabalho”, lembra um parente. Seu temperamento possessivo acendeu um alerta no entorno de Monique, conhecida pela vaidade — fez lipoaspiração no abdômen, pôs silicone nos seios e preencheu os lábios. Ela alardeava que ele havia contratado um detetive para segui-­la e mostrava como prova uma foto que ele lhe havia mandado, logo depois de chegar à academia de ginástica, reclamando: “Você acabou indo de shortinho, né?”. O relacionamento rendeu uma profusão de imagens em hotéis e restaurantes de luxo devidamente exibidas nas redes. Agora, com a suspeita de assassinato e tortura de uma criança indefesa, o casal terá uma rotina bem menos glamorosa.

BRASIL TEM A MENOR DIFERENÇA ENTRE NASCIDOS E MORTOS DA HISTÓRIA

Relação entre nascidos e mortos, que superava 200%, há 18 anos, no início da série histórica, caiu para 27% com avanço da pandemia

A diferença entre o número de registros de nascimento e de mortes no Brasil no mês de março é a menor já verificada no país desde o início da série histórica, em 2003, conforme dados do Portal da Transparência do Registro Civil, administrado pela Arpen (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais). O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (9).

No mês passado, foram lavradas 227.877 certidões de nascimento e 179.938 atestados de óbito. Com isso, a quantidade de nascidos superou a de mortos em apenas 27% no país — a queda da diferença em relação a março de 2020 foi de 72%. Para a entidade, os números demonstram o impacto da pandemia da covid-19 na demografia brasileira.

“Nos cartórios, temos sentido na prática esta diferença, com grande diminuição contínua dos nascimentos enquanto os óbitos dispararam e atingiram a maior marca da história do país”, declarou o presidente da Arpen-Brasil, Gustavo Renato Fiscarelli. “O Cartório de Registro Civil foi um dos serviços essenciais, que não fechou em nenhum momento nesta pandemia, o que fez com que vivenciássemos na pele a realidade dura da pandemia que tem atingido tantas famílias brasileiras”, complementou.

Índices mais altos desde 2003

O portal da transparência da Arpen-Brasil tem base de dados abastecida em tempo real com registros de nascimentos, casamentos e óbitos nos Cartórios de Registro Civil do país. Os números são cruzados com as Estatísticas do Registro Civil do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em 2003, no início da série histórica, o número de nascimentos superava o de mortes em 200%. Na década de 2010, o intervalo caiu para 150%. Em 2020, baixou a 120%. Com o início da pandemia, a diferença caiu para 99%, em março; 65%, em julho; 57%, em dezembro; e agora, em março de 2021, chegou a 27%.

Avanço de mortes

Somente neste mês de março, foram emitidos 15.802 atestados de óbito contra 11.971 certidões de nascimento no território brasileiro — são 24% mais mortes que nascimentos. A marca já havia sido atingida pelo estado do Rio de Janeiro, nos meses de maio e dezembro de 2020 e em janeiro de 2021, e pelo Amazonas, em abril de 2020.

Em outros estados, também no mês de março, o avanço do número de mortes reduziu a diferença em relação ao de nascimentos. Houve apenas 4% mais nascimentos que mortes em São Paulo, 7% no Rio de Janeiro, 7% no Paraná e 8% em Goiás.

MORTE POR COVID-19 DE DOENTES RENAIS É 40 VEZES MAIS ALTA QUE A MÉDIA

Doentes renais têm condições que os deixam mais vulneráveis à covid-19Conclusão é de um estudo conduzido nos Estados Unidos que mostra alta da mortalidade geral desses pacientes na pandemia

Um estudo conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos mostra como a covid-19 pode ser mais letal entre pacientes com doença renal crônica, especialmente aqueles que fazem diálise ou transplantados.

O artigo, publicado no Jornal da Sociedade Americana de Nefrologia, aponta que as taxas de internações por covid-19 de pacientes em diálise foi 40 vezes maior do que da população em geral.

Os pesquisadores analisaram dados de pacientes internados com covid-19 nos EUA entre 22 de março e 25 de abril do ano passado.

Eles descobriram um aumento da mortalidade geral de pacientes em doentes renais em diálise ou transplantados de 17% e 30%, respectivamente, quando comparados a dados de 2017 a 2019.

Pacientes que precisam se deslocar a algum local para fazer hemodiálise estão sujeitos a contraírem a covid-19. Já os transplantados precisam tomar imunossupressores, que os deixam mais vulneráveis à infecção. :: LEIA MAIS »

ITAPETINGA: MOISÉS SERAFIM ANIMA SUA MANHÃ DE SEXTA (09) NA RÁDIO JORNAL 660 AM

O programa “Jornal da Cidade” da programação da Rádio Jornal 660 AM em Itapetinga. Apresentado por Tarugão, Robertone e a Felipe, vai ao ar de segunda a sexta das 06:30 às 08h da manhã, oferecendo aos seus ouvintes informações de qualidade, com destaque para o interesse da comunidade e utilidade pública.

O Jornal da Cidade terá participação do cantor Moisés Serafim.

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