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:: 20/mar/2014 . 8:27

“A lealdade perdeu para a chantagem”, afirma Nilo sobre Wagner

Azedou de vez a relação do presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Marcelo Nilo, do PDT, e o governador da Bahia Jaques Wagner (PT). Depois da confirmação do deputado federal João Leão (PP), para compor a chapa majoritária governista no posto de vice, o pedetista resolveu externar a revolta.

Em entrevista na manhã desta quinta-feira (20), para o apresentador Adelson Carvalho, na Rádio Sociedade da Bahia, Marcelo Nilo afirmou que depois da decisão petista pensou em deixar a política. Visivelmente revoltado com a postura do ‘amigo’ Wagner o parlamentar desabafou: “Ele (João Leão) foi escolhido porque a lealdade perdeu para a chantagem”.

A afirmação tem como pano de fundo a ameaça que o PP teria feito ao PT para que os pepistas deixassem de apoiar o PSB do pré-candidato a Presidência da República Eduardo Campos, que na Bahia tem na senadora Lídice da Mata a representante da sigla.

Nilo voltou a reafirmar que o PDT é maior que o PP e cobrou justificativa plausível para o critério de escolha, já que em sua ótica todos os aliados, exceto o vice-governador e pré-candidato ao Senado pelo PSD, Otto Alencar, que confidenciou a preferência por Leão, estavam ao seu lado e torciam por sua escolha.

“Rui Costa disse no café da manhã que teve em minha casa que Otto acha Leão mais forte do que eu. Respeito. Mas eu perguntei no café da manhã que tive com Wagner quem mais achava Leão mais forte. Pedi para ele me contar, mas não teve resposta. O critério foi: o nome do candidato tem que começar com L e ser um bicho feroz (Leão)”, afirmou.

Consternado, o parlamentar disse que foi desconsiderado por quem foi fiel. Que comeu o que o diabo amassou e durante todo o processo não fez jogo sujo com ninguém. De acordo com o presidente, para provar a lealdade ele autorizou a entrada do exército e da Polícia Federal na Assembleia quando a Casa foi ocupada por militares na greve de 2012. Também autorizou a retirada dos professores durante a greve da categoria que durou mais de 100 dias. “Fiz tudo isso em lealdade a Wagner e ao projeto político que eu acreditava. Pago um preço caro por isso até hoje”.

Sobre a relação entre o escolhido João Leão e o pré-candidato Rui Costa, ele garante que no passado não era muito boa. “Ele (Leão) falou coisas sobre Rui que são impublicáveis. Só não falo isso aqui por respeito aos ouvintes da Rádio Sociedade. São palavras impublicáveis”.

Já quando o assunto é a amizade que nutri por Wagner – que batizou as filhas dele -, Nilo o chama de compadre e diz que espera que o afeto pessoal não seja abalado, mas garantiu que politicamente falando a consideração não será a mesma e que o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, está decepcionado e vem a Bahia na próxima semana para costurar com o presidente estadual, deputado Félix Mendonça Jr., os rumos da eleição.

Por fim, se mostrou decepcionado por ter tomado café da manhã com Wagner e ter escutado do governador que a decisão não estava tomada, e no mesmo o dia saber por meio da imprensa que o petista já tinha tomado a decisão e o nome, como previsto, foi o do pepista Leão.

“Me senti usado por quatro meses. Acho que fui desconsiderado como ser humano, como político, como deputado. Estou pasmo e surpreso. Não estou dizendo que vou mudar de lado, mas a relação nunca mais será a mesma”, disse ao afirmar que vai ser candidato a reeleição para o posto de deputado estadual e a decisão sobre quem vai apoiar só sairá depois da copa do Mundo de Futebol, em junho.

Policiais flagrados em imagens arrastando corpo de mulher devem sair ilesos

Promotor é favorável à soltura dos três PMs que ‘socorreram’ Cláudia em favela de Madureira

ADRIANA CRUZ E VANIA CUNHA

Rio – Os três policiais militares flagrados em imagens arrastando a auxiliar de serviços gerais Cláudia Ferreira da Silva, de 38 anos, por ruas da Zona Norte, domingo, devem sair ilesos do episódio. Ela foi jogada no porta-malas da viatura, que abriu, e ficou presa pela roupa.

Ontem, o promotor Paulo Roberto Mello Cunha Júnior, do Ministério Público que atua junto à Auditoria de Justiça Militar, opinou favorável ao pedido de liberdade dos acusados feito pelos advogados. A juíza Ana Paula Figueiredo vai decidir sobre a expedição dos alvarás de soltura hoje. Ontem, os militares prestaram depoimento na 29ª DP (Madureira).

Alex Sandro (à frente) e Adir chegam para depor na 29ª DP, ontem à tarde

Foto:  João Laet / Agência O Dia

De acordo com o promotor, os PMs foram presos em flagrante com base no artigo 324 Código Penal Militar, que fala apenas do descumprimento de regras que prejudiquem à administração militar. “Nesse caso, a denúncia tem que ser feita no prazo de cinco dias. Mas só poderia opinar pela prisão, se fosse denunciá-los. No entanto, para isso seria necessário que o crime estivesse especificado”, explicou o promotor Paulo Roberto.

Ele sustenta que a investigação precisa identificar ainda se Cláudia estava viva no momento em que foi colocada na caçamba na viatura. “Se estava com sinais vitais, houve transgressão disciplinar pela maneira como foi colocada. Se ela estava morta, não há crime, mas eles podem responder por fraude processual por não ter preservado o local”.

O promotor enfatiza ainda que é preciso apurar também se Claudia estava viva quando foi arrastada pelas ruas. “Se ela apresentava sinais vitais, há o crime de lesão corporal. Mas, se estava morta, eles não cometeram nenhum crime”, afirma. Isso porque a lei não prevê lesão corporal contra cadáver.

Para Paulo Roberto, outra questão importante é apontar o responsável pelo disparo que atingiu a vítima. Segundo laudo do Instituto Médico-Legal, ela morreu por causa de um tiro que perfurou o pulmão e o coração.

Ontem, os policiais repetiram na 29ª DP o mesmo depoimento prestado na 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). Alegaram que colocaram a mulher no porta-mala porque os moradores cercaram a viatura e precisavam prestar socorro o mais rápido possível.

Entenda a opinião do promotor 

No momento em que Cláudia foi colocada na caçamba, os policiais podem responder por transgressão disciplinar pela maneira como a vítima foi socorrida. Ou seja, a punição é apenas administrativa e imposta pela Polícia Militar. Mas não respondem a crime previsto em lei.

O governador Sérgio Cabral conversou por cerca de uma hora com os familiares de Cláudia Ferreira da Silva

Foto:  Severino Silva / Agência O Dia

Por arrastá-la por ruas da cidade, os policiais podem responder pelo crime de lesão corporal. No Código Penal Militar, o artigo 209 prevê pena de três meses a um ano, para lesão corporal leve, e de até oito anos para casos graves.

Para esclarecer se ela estava viva, o Ministério Público que atua junto à Auditoria de Justiça Militar, além de analisar o laudo cadavérico, deve ouvir o perito responsável.

Versão de advogado de PMs diverge da investigação

Segundo o advogado José Ricardo Brito, os PMs Rodrigo Medeiros Boaventura e Zaqueu de Jesus Bueno, que participavam da ação no Morro da Congonha, disseram que não tinha como os tiros dados por ele atingirem Cláudia, porque ela estava em uma curva e, da posição deles, não tinha visão da posição dela.

No entanto, investigadores disseram já saber, com base no ferimento, que a vítima foi baleada por tiro de fuzil 7.62. Eles ainda informaram ontem que, pelo ângulo onde os policiais militares estavam posicionados na operação, os militares poderiam ter atirado em Cláudia. Todas as armas dos PMs foram periciadas.

Às vésperas da reserva

A ação que matou Cláudia seria a última operação do subtenente Rodney Miguel Archanjo. Segundo o defensor dele, Jorge Carneiro, o militar pediria passagem para a reserva (aposentadoria) no dia seguinte. “Ele estava preparando um churrasco em comemoração”, disse Jorge.

Hoje, outros três militares que participaram da ação serão ouvidos na 29ª DP: o cabo Gustavo Meirelles, e os sargentos Ricardo Morgado e Paulo Henrique. Parentes da vítima prestarão depoimento.

Segundo a Polícia Civil, Rodney responde por três autos de resistência; Adir Serrano Machado, por 13; e Alex Sandro da Silva Alves não tem esse tipo de anotação. Outro morto na ação — registrado como auto de resistência — foi identificado como Willian dos Santos Possidônio, 16 anos.

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