Investigações começaram em 2012. Valores dos cachês não batiam com os declarados à Receita. PF diz que apenas 20% do volume faturado era declarado. Cerca de 260 policiais participaram da operação.
Nesta terça-feira (18), por meio de sua redes sociais, a banda Aviões do Forró emitiu nota declarando que continuará contribuindo com as investigações da Polícia Federal.Assista:
Ainda no comunicado, o grupo diz que cumprirá normalmente com sua a agenda de shows prevista. Solange Almeixa e Xand viajam nesta terça-feira para fazer um show na cidade de Floriano (PI). Na quarta-feira (19) a banda retorna ao Ceará, onde faz show no município de Lavras da Mangabeira, a cerca de 340 km de Fortaleza.
A Operação For All, da Polícia Federal, aponta para um volume de R$ 500 milhões que teria sido sonegado por empresas de entretenimento que patrocinam pelo menos quatro grandes bandas de forró que fazem sucesso no Ceará e na Paraíba, entre ela a Aviões do Forró. Deflagrada nesta terça-feira (18), a For All apreendeu R$ 600 mil em dinheiro vivo com alvos da investigação. Os cantores Xand e Solange Almeida, da Aviões do Forró, foram conduzidos coercitivamente para depor na Superintendência da PF em Fortaleza. Aviões do Forró é agenciada pela A3 Entretenimentos.
Ao todo, 26 empresas do setor estão na mira da For All. A investigação revela que essas empresas que patrocinam as bandas subfaturavam contratos, registrando valores correspondentes a 25% e até 30% do que era de fato acertado. “A maior parte dos contratos é assim, o resto circula por fora, antes da banda subir ao palco”, destacou a PF. O dinheiro sonegado era usado para ampliação patrimonial dos envolvidos – compra de imóveis e veículos de luxo. Um efetivo de 260 policiais federais e 35 auditores da Receita cumpriu 76 mandados judiciais – 32 de condução coercitiva e 44 de buscas. Não houve prisões.
A Operação For All já contabilizou omissão de rendimentos tributados de cerca de R$ 120 milhões entre 2012 a 2014. A PF e a Receita estimam que a sonegação de todas as empresas investigadas alcança R$ 500 milhões naquele período. “A corrupção não existe só onde estamos acostumados a ver, na política em Brasília”, disse um dos investigadores. Segundo a PF, a Operação For All revela dois caminhos, “um mundo oficial e um mundo clandestino, subterrâneo”. As empresas de entretenimento firmavam contratos em que a parte formal representava em torno de 20% do que efetivamente circulava de dinheiro. “A grande parte de dinheiro circula em espécie, isso demonstra claramente a tentativa de se evadir da tributação”, informou a PF.