Pichações, gestos, cortes de cabelo, modelos de sobrancelha e numeração. O que pode estar por trás dessas simbologias?
Por trás de uma simples expressão, ou manifestação artística, um complexo sistema de representações criminosas pode estar camuflado. No ano de 2012, a Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia (SSP-BA) lançou uma cartilha de orientação policial, desvendando tipos de tatuagens mais utilizadas por integrantes de facções.
O tempo passou e, juntamente com o fortalecimento desses grupos que operam em função do tráfico na Bahia, outras simbologias surgiram, como os gestos, cortes de cabelo, modelos de sobrancelha, numeração, além das pichações.
No início do mês de setembro, deste ano, a cartilha foi atualizada por seu idealizador, Alden José Lázaro da Silva, capitão da Polícia Militar da Bahia. O policial contou quais são as mais recentes tendências simbólicas.
“As simbologias são diversas, mas as pichações estão muito presentes em Salvador, associadas de fato à alguns grupos criminosos. Essas imagens demarcam territórios de onde essas facções atuam. Além das tatuagens que integravam a primeira cartilha, nesta segunda, as pichações, os gestos, cortes de cabelo, modelos de sobrancelha e numeração também são utilizados pelos integrantes desses grupos criminosos. Essas tendências já existem há algum tempo, mas estão cada vez mais evidentes”, conta.
O capitão explicou o que a numerologia, que além de estar pichada em paredes, tatuada na pele e também exibida em fotos, representa. “As numerações são diversas. Por exemplo, 1533 é o PCC: o número 15 é a letra P, que ocupa a décima quinta posição do alfabeto; já 3 é letra C do alfabeto. Em vários pontos da cidade, podemos ver este número pichado. Essa codificação associando letras e números, também são codificações usadas por diversas gangues que atuam ao redor do mundo, principalmente nos Estados Unidos e na América Latina. É uma espécie de cópia de padrão”, explica.
Alden explicou ainda de que forma a cartilha tem contribuído para investigações policiais no estado. “Essas ferramentas de consulta, as simbologias, já foram adotadas por todas às forças policiais, inclusive o FBI. Vale ressaltar que a primeira versão da cartilha foi publicada em uma revista internacional, a IPA (Associação Internacional de Policiais), com mais de 150 organizações policiais do mundo”, contextualiza.
No que diz respeito a contribuição do combate ao tráfico, diferente da primeira cartilha (que atuava apenas para policiais da SSP), a segunda está dentro das escolas, faculdades, centros comunitários para alertar os pais e os jovens que determinadas imagens ou símbolos muitas vezes utilizados nas redes sociais podem trazer sérios problemas para si. A maioria dos indivíduos que morrem de forma violenta apresentam uma ou mais simbologias citadas na cartilha.
Facções e simbologias De acordo com policial Roque Cerqueira, da Superintendência de Segurança Pública Municipal, seis facções operam na Bahia atualmente, são elas: Caveira, CP (Comando da Paz), Katiara, BMD (Bonde do Maluco), Vida Loka e PCC.
FACÇÃO CAVEIRA
Saudação: É nós / é noix/ TD6 /TUDO 6; Simbolo: Caveira; Área: Paripe, Engenho Velho de Brotas, Nordeste de Amaralina, Santa Cruz, Vale das Pedrinhas, Chapada do Rio Vermelho, Ogunjá, Tancredo Neves e Engomadeira.
A utilização de muitos destes sinais tem sido utilizados por determinados membros de torcidas organizadas. O que pode ser um indicativo do motivo de tanta violência dentro dos estádios.
FACÇÃO COMANDO DA PAZ
Saudação: Hêa, Tudo 2 (Td2); Símbolo: Escorpião (um dos símbolos do PCC); Numeração: 315 3 (C) 15 (P) = CP; Área: Cidade Nova, IAPI, Pero Vaz e Calabar.