Com apenas 15 funcionários para entrevistar estrangeiros e decidir sobre o destino de famílias inteiras, o governo brasileiro acumula uma fila de 180 mil pessoas aguardando para ter seus pedidos de refúgio examinados. Enquanto isso, esses estrangeiros permanecem num limbo jurídico, incapazes de recomeçar a vida.

No mundo, 3 milhões de pessoas aguardam por uma decisão sobre a eventual proteção. Mas só o Brasil somava ao final de 2018 um total de 152 mil pessoas nessa situação, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas). O número é superior aos 105 mil da Itália, 89 mil da França, 78 mil do Canadá e 76 mil da Grécia.

Num evento organizado na ONU pela entidade Conectas, o assunto foi alvo de debates entre especialistas e o governo. Hoje, somados os seis primeiros meses de 2019, as entidades estimam que esse número na fila da proteção já seja de 180 mil, algo inédito.

Por conta do fluxo de venezuelanos, o Brasil se transformou no sexto maior destino de solicitantes de asilo, ultrapassando alguns dos tradicionais destinos de refugiados do mundo, como Grécia, Espanha e Itália. Em 2018, 80 mil pessoas fizeram solicitação de asilo. Em 2016, por exemplo, foram apenas 10,3 mil pedidos.

RK