Francisco divulgou neste domingo, 4, uma nova encíclica em que denuncia as desigualdades e o “vírus do individualismo”. O documento, considerado grau máximo das cartas pontifícias e de âmbito universal, pede ainda o fim do “dogma liberal” e defende a fraternidade “com atos e não apenas com palavras”. No sexto capítulo do texto, de 84 páginas, o destaque é uma menção ao poeta e compositor brasileiro Vinicius de Moraes (1913-1980). Dedicado ao “diálogo” e à “amizade social”, o trecho traz uma passagem da letra da música Samba da Bênção: “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”.

Logo após a citação à canção, Jorge Bergoglio, nome de batismo do pontífice argentino, escreve que várias vezes já convidou a fazer crescer “uma cultura do encontro que supere as dialéticas que colocam um contra o outro”. O papa ainda reforça que devemos incentivar essa cultura do encontro, em que todos possam aprender algo e na qual ninguém é inútil. “Isto implica incluir as periferias. Quem vive nelas tem outro ponto de vista, vê aspectos da realidade que não se descobrem a partir dos centros de poder onde se tomam as decisões mais determinantes”, escreveu.

Esta é a terceira encíclica do papa Francisco. Nela, o principal nome da Igreja Católica retoma aos temas sociais que serviram de bandeira em seus sete anos e meio de pontificado, como a necessidade do diálogo, e faz reflexões sobre o mundo atingido pela pandemia da Covid-19.

RK