No último pregão do período, nesta segunda-feira (30), a divisa registrou queda de 0,22%, após o Banco Central (BC) vender US$ 1,815 bilhão à vista em um leilão realizado nesta tarde para conter a alta da moeda.

“Apesar da força no cenário global, apoiada pelas perspectivas de juros elevados por mais tempo nos EUA, o dólar tem uma sessão de queda nesta segunda-feira, apoiado por mais um leilão de venda da moeda pelo BC brasileiro, em dia de formação da PTAX e baixa liquidez”, avalia Paula Zogbi, gerente de Research da Nomad.

“Além do cenário complexo do ponto de vista fiscal, que vem pressionando o dólar, é comum a saída de dólares do país no final do ano, o que estimula ainda mais a atuação do Banco Central de injetar mais dólares na economia, no 9º leilão deste tipo em dezembro. Antes da atuação, o dólar subia.”

Antes da operação, o dólar era cotado próximo de R$ 6,24. Os investidores continuam digerindo a probabilidade de que o Federal Reserve (Fed) fará menos cortes na taxa de juros no próximo ano.

Investidores tinham poucas informações e dados para digerir nesta sessão, que marca o último dia de negociações do ano no mercado de câmbio.

Mercado eleva expectativas para inflação e dólar em 2025, aponta Focus
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Apesar da queda no último pregão de 2024, Zogbi reforça que ainda há riscos para o câmbio no horizonte.

“Para a virada do ano, embora o real já esteja pressionado, há riscos altistas para a moeda americana. A perspectiva de maior inflação nos EUA e menos cortes nas taxas de juros americanas fortalecem o dólar globalmente, enquanto domesticamente será necessário um amplo compromisso, retórico e prático, com a sustentabilidade da dívida pública para evitar novas pressões sobre o nosso câmbio em 2025”, diz a analista da Nomad.

O mercado elevou pela décima primeira vez suas projeções para a inflação ao final de 2025, de acordo com a última edição de 2024 do relatório Focus divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira.

Segundo o levantamento realizado pelo BC junto a uma centena de economistas, a previsão para o IPCA ao final do ano que vem agora é de 4,96% ao ano, ante 4,84% na semana anterior, mantendo-se acima do teto da meta, que é de 4,5%.

Na frente de dados, o setor público brasileiro registrou em novembro um déficit primário de R$ 6,62 bilhões, em resultado um pouco melhor do que o esperado pelo mercado, enquanto a dívida pública recuou ligeiramente como proporção do PIB, mostraram números do BC nesta segunda-feira.

Cenário
Nos últimos meses, investidores têm se mostrado cada vez mais receosos com o compromisso do governo em equilibrar as contas públicas, particularmente depois do anúncio duplo pelo Executivo no fim de novembro de um pacote de contenção de gastos e de um projeto de reforma do Imposto de Renda.

Por volta das 17h, o Ibovespa subia 0,13% no dia, a 120.428 pontos, enquanto caminhava para queda de 10,28% no ano.