:: 29/abr/2026 . 10:37
Proibida no Brasil, carne de jumento vira empanadas para argentinos
O abate de jumentos na Bahia ganhou novos capítulos após uma decisão da Justiça determinar a sua proibição no início deste mês. Agora, ficam suspensas a captura, comercialização e confinamento desses animais destinados a esse fim.
A medida foi tomada, mais uma vez, após a instância reconhecer irregularidades no tratamento e indícios de práticas consideradas cruéis contra os animais. Além disso, a ação é uma forma de evitar a extinção da espécie, que de acordo com especialistas, é um cenário eminente.
Esse cenário, entretanto, não faz parte do cenário econômico e culinário de outros países como a China, Europa, África e o México, que possuem cadeias produtivas mais firmes que o Brasil.
Recentemente, a carne ganhou novo mercado que está dando o que falar. Na Argentina, a carne entrou no menu gastronômico e virou proteína de churrasco, de linguiças e até mesmo das empanadas.
Na última semana, um restaurante argentino, em Trelew, na Patagônia, promoveu um evento de degustação de pratos feitos com a proteína, que acabou em poucas horas.
A iniciativa, idealizada pelo produtor rural argentino Julio Cittadini, já está ganhando o mercado global. Apesar de Cittadini afirmar que a iniciativa está ligada a um realinhamento da estratégia de produção de carne para atender o mercado local, a produção esbarra em um cenário de alta da carne bovina no país.
Muito similar ao sabor da carne bovina, a proteína de jumento é comercializada a um preço mínimo de 7500 pesos argentinos (R$ 26,97 na cotação atual), enquanto a bovina pode chegar a 18 mil ou 19 mil pesos (R$ 65 ou R$ 69) — quase três vezes mais.
Um ponto a se destacar é que, mesmo sendo grandes consumidores de carne bovina, com uma média de consumo per capita de carne bovina (49,4 kg/hab/ano) bem acima de outros países, os argentinos sempre apreciaram outros tipos de carne, como a de guanaco e a de lhama.
RK
Governo libera R$ 330 milhões para conter alta do gás de cozinha
Uma medida provisória publicada nesta terça-feira (28) libera R$ 330 milhões em crédito extraordinário para apoiar a compra de gás de cozinha no exterior, diante da elevação dos preços causada pelo cenário internacional.
O montante será destinado a garantir que o gás liquefeito de petróleo (GLP) importado chegue ao consumidor brasileiro com valor equivalente ao produto nacional, evitando aumentos mais altos ao público.
A iniciativa integra um conjunto de ações anunciado no início de abril para reduzir os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os combustíveis. O conflito pressionou as cotações do petróleo no mercado global, impactando diretamente o custo do gás e do transporte.
Na ocasião, o governo estabeleceu um subsídio de R$ 850 por tonelada para o GLP importado, com o objetivo de alinhar os preços ao praticado no país e amenizar o impacto no bolso da população, sobretudo das famílias de menor renda.
Na prática, o mecanismo funciona como uma compensação financeira: o governo assume parte do custo da importação, impedindo que as distribuidoras repassem integralmente a alta aos consumidores.
De acordo com o Palácio do Planalto, a medida busca preservar o orçamento doméstico, especialmente das camadas mais vulneráveis. O benefício está previsto, inicialmente, para vigorar entre 1º de abril e 31 de maio, podendo ser estendido por até dois meses, conforme a evolução do mercado internacional.
Pelas regras fiscais atuais, créditos extraordinários ficam fora do teto de gastos, mas entram no cálculo da meta de resultado primário. Para este ano, a Lei de Diretrizes Orçamentárias prevê superávit de R$ 34,3 bilhões, com margem que vai de equilíbrio até resultado positivo de R$ 68,6 bilhões.
O Brasil depende de importações para cerca de 20% do consumo de gás de cozinha, o que torna o produto sensível a oscilações externas, como o preço do petróleo e os custos logísticos. Além do conflito, o governo também atribui a alta recente ao encarecimento do transporte e à valorização do gás no mercado internacional.
RK
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