09(Por Bena Ferraz)

Passei minha juventude ouvindo meu saudoso pai dizer que “pra ser pecuarista , é preciso TERRA nas veias .” Quão sábio ele era ! Diante de tanta dificuldade que nós produtores rurais enfrentamos , eu diria que ele profetizou corretamente . Bem longe do que era o setor a 20 anos , a nossa pecuária vem tomando rumos cada vez mais preocupantes . O eixo produtivo do sistema tradicional oriundo dos nossos avós e que impulsionou toda região ao progresso , conferindo em especial a Itapetinga aqui no sudoeste baiano o título de capital baiana da pecuária, não se adequou a nova realidade política e econômica do país e do mundo . O desequilíbrio custo/produção parece que não chega a um bom senso financeiro nunca . Sempre somos atropelados por contas que jamais ficam bem resolvidas , tanto na aquisição de insumos , quanto na produção de leite e carne. E por falar em leite , que martírio é ser produtor desse alimento ! Até parece que não estou tratando de uma grande fonte nutricional para a humanidade ,mais creia , é real que para produzir leite , é preciso tirarmos mais do que leite do peito da vaca . É necessário muito suor da testa. É nesse setor que conta nenhuma fecha em favor de quem produz . Já me cansei de ouvir especialistas e ler artigos explanando que tudo isso é um processo transitório e de adequação do setor a nova realidade mundial . Mais que processo cruel ! Contemplo um penoso esmagamento dos tradicionais pecuaristas , aqueles que puxam o peito da vaca e engordam o boi à pasto exclusivamente, sendo engolidos e rechaçados por uma nova classe que se auto intitulam “fazendeiros” oriundos de suas grandes empresas urbanas, de seus escritórios bacanas, fazendo da pecuária a sua segunda alternativa em investimentos e até mesmo , não surreal , tornando-a sinônimo de laser . Nosso setor se resumiu ao comércio patrimonial , onde vende-se uma terra aqui pra adquirir outra acolá , mais barata , no intuito de que uma suposta sobra financeira seja o paliativo para as contas adquiridas com a finalidade de sobreviver no ramo . Ironicamente vejo frigorífico de jegue na terra do boi gordo , sob argumento dos saudáveis níveis nutricionais da carne do asinino . A que ponto fomos chegar ! ” O jumento empurrou o boi ?” Como se não bastasse tamanha disparidade, ainda sofremos os efeitos climáticos do terrível el niño , que assola a região a anos seguidos e que traz consigo a consumação de que pra ser produtor rural em Itapetinga na Bahia tem que ter TERRA correndo pelas veias. Meu nome é Rubenaldo Alves Ferraz ,sou filho de Ruy Ferraz de Oliveira e Silva e neto do Cel. Belizário Ferraz de Oliveira , ambos pioneiros produtores rurais e que visionaram todos esses dias de luta enfrentados pelos guerreiros pecuaristas do sudoeste baiano.