Redução de clínicas e do tempo de diálise põem tratamento de pacientes renais em crise na BA

Mais de 15 mil pacientes renais estão em tratamento ou necessitando de atendimento médico no estado da Bahia. Porém, acolhido em grande parte por uma rede composta por hospitais filantrópicos e unidades credenciadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), o público tem enfrentado problemas que colocam em risco a continuidade das suas próprias vidas. 

De acordo com a Associação de Defesa dos Pacientes Crônicos Renais (Renal Bahia), o número de pessoas que necessitam da rede de atenção aumentou devido à Covid-19, tanto pelo negligenciamento dos tratamentos que estavam em curso antes da crise sanitária quanto pelos efeitos colaterais pós-infecção.

“Tivemos um acréscimo de 46%, devido a sequelas da doença, no número de pacientes renais. Isso está atingindo um público formado por pessoas novas, de 20, 25, 30, até 40 anos e não temos nenhum programa de prevenção para que não se chegue até esse tratamento [diálise]”, afirma o presidente da Renal Bahia, José Vasconcelos. 

Segundo ele, há um cenário insustentável. As clínicas e unidades de saúde que prestam o serviço têm visto um aumento no valor dos insumos e uma possibilidade eminente de um reajuste nas folhas de pagamento dos profissionais de enfermagem, ao mesmo tempo que não há um reajuste na tabela de remuneração repassada pelo SUS.

As vagas têm sido escassas e o déficit está cada vez maior. “Não tem vaga. Quem está em UPA [Unidade de Pronto Atendimento] não tem como fazer a diálise. Muitas pessoas jovens vão chegar a óbito pela falta de tratamento”, revela Vasconcelos. 

O reflexo tem sido sentido com as recorrentes ameaças de fechamento proferidas pelas unidades que realizam hemodiálise e com a redução do tempo de duração das sessões, diminuído de 3 para 4 horas em locais no interior e na capital. 

RK