Acordo foi assinado no dia 19 de fevereiro com a força-tarefa da Operação Lava Jato
A revista IstoÉ trouxe nesta quinta-feira (03) revelações bombásticas feitas por Delcídio do Amaral em acordo de delação premiada, assinado no dia 19 de fevereiro com a força-tarefa da Operação Lava Jato. O mais explosivo relatório, de 400 páginas, apontam para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também para a presidente Dilma Rousseff (PT).
“É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de promover a soltura de réus presos na operação”, disse o senador na delação, que até o momento não foi homologada por conta de uma cláusula de confidencialidade de seis meses exigida por Delcídio. A condição imposta por ele não aceita pelo ministro Teori Zavascki, que devolveu o processo à Procuradoria-Geral da República e concedeu um prazo até a próxima semana para exclusão da exigência.
Em 25 de novembro do ano passado, pela primeira vez desde 1985, o Supremo mandava prender um senador no exercício do mandato. Um dos motivos apontados pelo ministro Teori Zavascki foi a oferta de uma mesada de R$ 50 mil para que Cerveró não celebrasse um acordo de delação premiada. Apesar disso, Delcídio disse em delação que o mandante dos pagamentos à família Cerveró foi o ex-presidente Lula.
Segundo Delcídio, essa não foi a primeira vez que Lula é envolvido na compra de silêncio de testemunhas. De acordo com o senador, Lula e o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, Antonio Palocci, em meados de 2006, articularam o pagamento a Marcos Valério para que ele se calasse sobre o mensalão. O dinheiro, um total de R$ 220 milhões destinados a sanar uma dívida.
“Lula pediu expressamente a Delcídio do Amaral para ajudar o Bumlai porque supostamente ele estaria implicado nas delações de Fernando Soares e Nestor Cerveró. No caso, Delcídio intermediaria o pagamento de valores à família de Cerveró com recursos fornecidos por Bumlai. Delcídio explicou a Lula que com José Carlos Bumlai seria difícil falar, mas que conversaria com o filho, Maurício Bumlai, com quem mantinha uma boa relação. Delcidio, vendo a oportunidade de ajudar a família de Nestor, aceitou intermediar a operação”, diz o relatório.
“A primeira remessa de R$ 50.000,00 foi entregue pelo próprio Delcidio do Amaral em mãos do advogado Edson Ribeiro, após receber a quantia de Mauricio Bumlai, em um almoço na churrascaria Rodeio do Iguatemi, em 22/05/2015 (em anexo existe base documental para isso). As entregas de valores à família de Nestor Cerveró se repetiram em outras oportunidades. Nessas outras oportunidades quem fez a entrega foi o assessor Diogo Ferreira (em anexo existe base documental disso). O total recebido pela família de Nestor foi de R$ 250.000,00. O próprio Bernardo (filho de Nestor Cerveró) recebeu em espécie do Diogo”, acrescenta.
Em outro trecho, Delcídio diz que Dilma “tinha plenos conhecimentos de todo o processo de aquisição da refinaria” de Pasadena, no Texas, considerada um dos negócios mais desastrosos da história da Petrobras, com um superfaturamento de US$ 792 milhões. Na época, Dilma presidia o Conselho de Administração da Petrobras, em 2006.